Terça-feira, 24 de Novembro de 2020
SAÚDE

Especialistas falam sobre o Mal de Parkinson; doença atinge 200 mil no Brasil

A Doença de Parkinson é a segunda enfermidade neurodegenerativa mais frequente no mundo, afetando aproximadamente 4,6 milhões de pessoas acima de 50 anos de idade



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16/04/2017 às 05:00

Fique atento aos sinais: rigidez e bradicinesia (sensação de lentidão dos movimentos que dificulta as atividades diárias do paciente, como escrever, escovar os dentes, fazer a barba, caminhar, pegar copos e talheres), tremor de repouso (é um tremor que surge, inicialmente, nos membros superiores e que ocorrem quando o paciente está relaxado, distraído ou quando anda), quedas frequentes, dificuldade para engolir e mudança do tom de voz (uma voz mais baixa e rouca). De acordo com a Dra. Caroline de Pietro, neurologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, esses são os principais sintomas do Mal de Parkinson, doença degenerativa do sistema nervoso central, crônica e progressiva cujo dia mundial foi lembrado na última terça-feira (11). Na data, são lembrados os 200 anos da descrição original da doença. Com os avanços da tecnologia médica no tratamento, é possível que os pacientes consigam viver normalmente.

Segundo a Dra. Caroline, é importante o alerta sobre os sintomas iniciais da doença. "Muitas vezes, o sintoma inicial é a mudança da escrita (o paciente sente dificuldade de fazer a forma das letras e a letra diminui de tamanho). Essa alteração da escrita é chamada de micrografia", explica. “Se ligados a esses sinais estiverem presentes alguns dos sintomas não motores, a possibilidade de que o quadro corresponda à Doença de Parkinson aumenta”, complementa o Dr. Rubens Gisbert Cury, médico neurologista do Hospital Samaritano e Hospital Sírio Libanês.



Comumente acometida em pessoas acima de 50 anos, com uma prevalência um pouco maior entre os homens, a Dra. Caroline de Pietro afirma que a doença nunca acomete crianças. “É importante ressaltar que existem doenças diversas que geram sintomas semelhantes à doença de Parkinson, mas não são Parkinson. Essas doenças são classificadas como ‘Parkinsonismos’ e podem acometer uma ampla faixa etária (de crianças a idosos)”, explica.

Tratamento

Feito o diagnóstico, existem várias opções de tratamento capazes de garantir uma boa qualidade de vida para o paciente por um período prolongado. “O tratamento baseia-se, principalmente, em medicamentos que fornecem dopamina para o cérebro e com isso são capazes de reduzir os sintomas. Para alguns pacientes, cujo controle dos sintomas com medicamentos não é satisfatório, existe a cirurgia para Parkinson. Nessa cirurgia são implantados eletrodos cerebrais que estimulam e diminuem os sintomas da doença. A cirurgia não é curativa, mas pode melhorar bastante a qualidade de vida do paciente quando bem indicada”, exemplifica a Dra. Caroline.

De acordo com o Dr. Murilo Martinez Marinho, coordenador da Neurocirurgia Funcional do Hospital São Paulo- Escola Paulista de Medicina, “a expectativa média de vida de uma pessoa com Doença de Parkinson, geralmente, é a mesma das pessoas que não padecem do mal, já que é possível contar com alternativas de tratamento adequadas para as diferentes etapas da enfermidade, bem como para quando os pacientes já não respondem corretamente aos medicamentos”.

Prevenção

De acordo com a Dra. Caroline de Pietro “ainda não existe profilaxia para a doença que tem uma predisposição genética importante, mas os fatores ambientais que a causam ainda não são claros”, diz a neurologista. Segundo ela, alguns medicamentos podem antecipar o início da doença em pessoas suscetíveis, assim como algumas intoxicações com venenos (organofosforados) e outras substâncias (monóxido de carbono, por exemplo) podem gerar um quadro semelhante à doença de Parkinson.

“Vale lembra que uma vida saudável é sempre a chave para evitar qualquer doença crônica. Alimentação adequada, exercícios regulares, cuidados com a saúde mental e o tratamento de doenças cardiovasculares (pressão alta, diabetes, colesterol alto) serão sempre nossos aliados”, conclui a Dra.


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