Segunda-feira, 15 de Julho de 2019
SUFRAMA

Especialistas veem com cautela ida da Suframa para super Ministério da Economia

Antes vinculado ao extinto Mdic, órgão responsável pela Zona Franca de Manaus agora está sob o comando do super ministro Paulo Guedes



show_154_A84AA424-A775-4FDB-8694-66031A7D9D1A.jpg Foto: Arquivo A Crítica
03/01/2019 às 15:24

Em um de seus primeiros atos de governo, o presidente Jair Bolsonaro publicou um decreto que vincula a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), e outros 22 órgãos da administração federal indireta, ao novo ministério da Economia, sob o comando do superministro Paulo Guedes. Antes, a autarquia federal era subordinada ao extinto ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), absorvido agora pela pasta de Guedes.

A medida adotada por Bolsonaro é vista com cautela por especialistas. A ex-superintendente da Suframa, Rebecca Garcia, avalia com otimismo a troca do ministério que vai comandar os rumos da Zona Franca de Manaus. “Somos o único modelo de exceção no País que está assegurado pela Constituição. E por ser um constitucionalista, Paulo Guedes vai pesar esse fato na balança”, opinou Rebecca, que conheceu de perto o economista no tempo em que trabalhou no banco do ministro, o Pactual, e se diz convicta de que a mudança “trará vantagens para a ZFM”.

Essa convicção da ex-superintendente se vale do fato de que, quando esteve à frente da autarquia, e sob a subordinação do Mdic, conviveu com um ministério sem poder de decisão. “Tudo indica, então, que o ministro Paulo Guedes terá esse poder e será muito mais fácil para a Suframa dialogar já direto com quem vai decidir do que estando inserido em um ministério fraco. Em minha opinião, isso pode fortalecer”, declarou Rebecca.

Para o deputado estadual, Serafim Corrêa (PSB), o ministro da Economia, por formação e convicção, é contra a manutenção de incentivos fiscais. “Ficando a Suframa subordinada a ele (Guedes) é provável que tenhamos dificuldades. Vamos aguardar os primeiros gestos”, ponderou o parlamentar que aposta nos generais, Hamilton Mourão (vice-presidente) e Augusto Heleno (ministro da Segurança Institucional) como aliados na defesa da Zona Franca.

Pauderney Avelino (DEM) também observa com cautela as medidas do superministro da Economia. Ele explica que, com base nos posicionamentos de Paulo Guedes, em relação a liberação de incentivos, é preciso ficar estar atento. “Pois o homem quer ‘passar a faca’ (reduzir vantagens) onde puder. A nosso favor temos as declarações do presidente Bolsonaro que está comprometido com a defesa e manutenção da Zona Franca”, adiantou o deputado federal.

Pontos favoráveis

O economista Pedro Monteiro afirma que o ministro Paulo Guedes e boa parte da sua equipe são formados pela Universidade de Chicago (EUA), cuja maior característica, o liberalismo, defende uma economia regida pelo mercado com a mínima intervenção do governo.

“A princípio esse liberalismo proposto pela equipe econômica pode assustar os amazonenses, mas tem diversos pontos que estão a nosso favor, como o fato do modelo ter ajudado na preservação de 98% da floresta assim como o fato de que boa parte dos conselheiros do presidente  são militares que já serviram na Amazônia e sabem da importância do nosso  modelo de desenvolvimento econômico”, detalha. Pedro diz que o preocupante  é que os incentivos da ZF são “uma forma de intervenção para promover o desenvolvimento da região”.

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