Domingo, 15 de Setembro de 2019
Emocionada

Esposa de delegado desaparecido em Coari diz não saber o que dizer ao filho

Viviane Garcez, 29, pede que o Exército seja acionado para ajudar nas buscas pelo delegado Thyago Garcez, 30, que desapareceu no último dia 5 de dezembro, após uma troca de tiros com traficantes no rio Solimões



08/12/2016 às 06:30

Mesmo estando muito abalada com o desaparecimento de seu marido, Viviane Garcez, 29, encontrou forças para receber em seu apartamento a reportagem do portal A Crítica. Para ela, apesar do empenho da equipe de buscas, o Exército deve ser acionado pelos órgãos competentes para ajudar na procura pelo delegado Thyago Garcez, 30, que desapareceu no último dia 5 de dezembro, após uma troca de tiros com traficantes no rio Solimões, no município de Coari (a 363 quilômetros de Manaus). Sua preocupação também é com o filho Arthur, de 4 anos, que é muito apegado ao pai e que ainda não consegue compreender a gravidade da situação.

"Uma hora vou precisar falar alguma coisa e eu não sei o que dizer. Estou esperando para ver o que vai acontecer, para saber o que falar para o meu filho. Estou me sentindo desamparada porque tenho que correr atrás das informações. Ninguém me liga para falar nada. Eu que fui atrás do secretário de segurança [Sérgio Fontes]. Sou esposa do Thyago e, independente da situação que for, de estar morto ou vivo, sou merecedora de saber primeiro. Estou recebendo ajuda dos amigos dele da polícia, mas das autoridades tenho que correr atrás para obter algum tipo de informação. Isso é muito injusto", declarou a jovem.

"O que acontece é que não acharam o corpo dele na água, então se supõe que esteja na terra. Precisamos de gente especializada e o Exército é especializado nisso. Eles fazem curso de guerra na selva. Quero que as autoridades levem pessoas que possam achá-lo. Sei que há delegados capacitados lá e que estão fazendo de tudo para ajudar, mas têm pessoas mais capacitadas para isso", acrescentou, informando ainda que a Companhia de Policiamento com Cães (CPCães) da Polícia Militar foi acionada pelo secretário de segurança pública do Estado do Amazonas, Sérgio Fontes, após ter feito um pedido.


Uma equipe com 30 homens está em Coari ajudando nas buscas. Foto: Divulgação

"Pedi para ele enviar o canil da PM. Todo mundo está empenhado em achá-lo porque gostam do Thyago e porque ele já foi policial militar. Ficamos sabendo que o secretário entrou em contato com o canil e na manhã desta quinta-feira (8) estão indo para Coari. Estou separando roupas e coisas com o cheiro do Thyago para [os cachorros] conseguirem identificá-lo. Isso já é um avanço, mas ainda acho que é preciso mobilizar o Exército", opinou.

Troca de tiros

Sobre as circunstâncias do incidente, ela disse que foi informada que o delegado não foi baleado durante a troca de tiros com os traficantes. "Disseram que ele se jogou na água para se proteger, porque ele e esse capitão [PM Harison Queiroz] estavam mais perto [do tiroteio]. Nisso, quando foram em direção da outra lancha, ele não conseguiu subir e o pessoal foi embora. Eles poderiam ter voltado. Por que não o pegaram? O Thyago seria o primeiro a pegar quem estivesse na água. O Thyago tem um coração enorme. Por que não o pegaram?", indagou novamente, ainda muito emocionada.

Recompensa

Na noite desta quarta-feira (7), a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) informou que está oferecendo recompensa, em dinheiro, para o cidadão que fornecer informações precisas,  que levem as equipes de busca a encontrar o delegado  Thiago Garcez. As informações devem ser fornecidas por meio do Disque-Denúncia da SSP-AM, 181. O valor da recompensa não será divulgado.

Equipe reforçada

No dia 6 foi enviado ao município o reforço de 15 homens, totalizando um grupo de 30, entre bombeiros, policiais militares e civis, os quais estão sob o comando do delegado Mariolino Brito. No segundo dia de buscas foi encontrada no rio a metralhadora utilizada pelo delegado durante o confronto com os traficantes, assim como o fuzil do capitão PM Harison Queiroz, que também participou da operação fluvial no rio Solimões.

Em coletiva de imprensa realizada também no dia 6 de dezembro, o secretário de segurança pública do Estado do Amazonas, Sérgio Fontes, disse que o delegado será dado como morto somente após o seu corpo ser localizado.


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