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Esta terça (4) é o Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo, mal que atinge mais de 4 mi de brasileiros

Mesmo com os números preocupantes na saúde pública, em Manaus nenhuma programação foi programada pela Susam ou pela Semsa 17/02/2016 às 19:07
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O álcool levou 39% dos pacientes do Caps AD a procurar ajuda para se livrar do vício
Marcela Moraes ---

“Comecei a beber quando era jovem. Bebia e não tinha o controle de parar, tinha compulsão por bebida. A minha família começou a se preocupar e até pedia pra eu parar. Eu tinha a consciência de que aquilo não era normal, mas não conseguia, de nenhuma forma, parar de beber. Por causa da compulsão eu perdi tudo: casamento, trabalho, amigos e até a vontade de viver. Para buscar ajuda eu precisei me conscientizar de que o alcoolismo é uma doença”.

Este é o relato de Paulo (nome fictício), 47 anos. Ele participa de um grupo para recuperação do alcoolismo há alguns anos. A história dele é  apenas uma entre tantas outras histórias de pessoas que se envolveram com a bebida e que, por falta de controle e uma série de outros motivos, tornaram-se dependentes do álcool.

De acordo com um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), pelo menos 3% da população brasileira acima de 15 anos de idade é considerada alcoólatra. Parece pouco, mas essa porcentagem equivale a mais de 4 milhões de pessoas.

No Amazonas, o Centro Municipal de Atendimento Psicossocial a Álcool e Drogas (Caps AD) Dr. Afrânio Soares, localizado no Adrianópolis, Zona Centro-Sul, já realizou 2036 atendimentos na unidade desde a sua inauguração, em outubro de 2015.

Perfil

O perfil dos atendimentos realizados na unidade revelam a droga de início - que introduziu ao vício - de 39% dos pacientes é o álcool, sendo a principal “porta de entrada” para outras drogas, o que reforça a questão da prevenção ao uso de álcool, principalmente na infância e adolescência.

Os dados do CapsAD apontam ainda que 70% das pessoas começaram a ingerir bebidas alcoólicas entre os 11 e 17 anos, 20% dos 18 aos 29 anos e 2% dos 30 a 39 anos, revelando que o vício também pode se manifestar de maneira tardia na vida do paciente.

E mais: em 7% dos casos o primeiro contato com o álcool aconteceu antes dos 10 anos de idade. Entre os pacientes, a pesquisa revelou que 2% estavam em tratamento contra os derivados do tabaco, 29% tentavam se livrar do vício em álcool, 53% lutavam contra o vício em cocaína e derivados, 15% em maconha e 1%  em inalantes.

Lourdes Siqueira, gerente de Atenção Psicossocial, da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam), explica que as doenças provocadas pelo consumo de álcool são cirrose hepática, hepatite, fibrose, anemia, aumento de pressão sanguínea, lesões no pâncreas e estômago, entre outras. Por isso é importante a busca de tratamento.

“Além disso, com a questão da abstinência do álcool a pessoa pode ficar agressiva e, com o tempo, perder o convívio com a família. O álcool pode levar à morte de várias formas” alertou.

Mesmo com os números preocupantes na saúde pública, em Manaus nenhuma programação específica foi programada pelas secretarias estadual e municipal de saúde para hoje, considerado o Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo.

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