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Estado do Amazonas tem 30 pessoas ameaçadas de morte por conta de conflitos de terras

Avanço das ações violentas e venda ilegal de terras preocupam comunitários que querem criar comitê. Último caso foi assassinato da líder comunitária Dora Priante 26/08/2015 às 11:22
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Manifestação em protesto pelo assassinato de Maria das Dores Priante, lider da comunidade “Portelinha”, no Iranduba
Kelly Melo Manaus (AM)

Um comitê vai ser criado por familiares e amigos da líder comunitária, Dora Priante, assassinada no início do mês de agosto, para acompanhar as denúncias de grilagens e conflitos por terras na área urbana de Iranduba. A informação foi confirmada pelo esposo da vítima, o professor Gerson Priante, 64. Para ele, além de ajudar pessoas que estão sendo alvos de ameaças, o “Comitê Dora” é um instrumento importante para não deixar o assunto cair no esquecimento e continuar cobrando o poder público por respostas. 

De acordo com Gerson Priante, aproximadamente 30 pessoas ligadas a movimentos sociais já sinalizaram a adesão ao movimento, que começa a tomar corpo, mas ainda não foi constituído oficialmente. A Comissão da Pastoral da Terra (CPTP) estima que só na Região Metropolitana de Manaus (RMM), em 2015, ao menos 30 moradores de comunidades tradicionais relatam estarem sendo ameaçados por empresários ou latifundiários.

Priante destaca a importância do comitê para que violências como a que a esposa dele sofreu, sejam apuradas com seriedade. “Desde o que aconteceu com a Dora, várias pessoas nos procuraram para falar que estavam passando pela mesma situação. Essas pessoas estão pedindo socorro, pois muitas delas tiveram seu lares queimados e se livraram da morte”, afirmou o professor. Segundo ele, o Comitê deve ser reunir nos próximos dias para definir as pautas de lutas. Mas há a previsão de realizarem uma manifestação e uma assembleia na comunidade Portelinha, no Iranduba.

Alerta para conflitos 

A coordenadora da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Clara Motta, afirma que os conflitos de terras estão presentes em todos os municípios do Amazonas, mas ela alerta para o crescimento das ocorrências na Região Metropolitana. Um dos fatores para isso é a expansão imobiliária e a facilidade de acesso os municípios após a inauguração da ponte Rio Negro.

Conforme a coordenadora, até o início do mês de agosto, eles tiveram conhecimento de 30 casos de agricultores que foram foram ameaçados de morte, após brigas por territórios. “Edtamos falando de pessoas que registraram boletim de ocorrência, logo, são situações que estão documentadas. Mas muitas dessas pessoas não fazem registro algum porque estão em área isoladas ou têm medo de denunciar”, disse. Ainda de acordo com a coordenadora, outros 19 Termos de Ocorrências foram registrados em delegacias, também por causas de ameaças e conflitos de terras.

Executada  em ramal

A líder comunitária Maria das Dores Salvador Priantes, 40, foi sequestrada e encontrada morta no dia 13 de agosto em um ramal localizado quilômetro 52 da rodovia Manoel Urbano (AM 070), em Manacapuru. A vítima foi executada com vários tiros. O principal suspeito do crime é Adson Dias da Silva, 30, o “Pinguelão”, que foi preso quatro dias depois, após o caseiro da vítima confessar que tinha envolvimento com o desaparecimento da líder. 

Adson foi um dos fundadores da comunidade da Portelinha, em 2008, e não concordava com a liderança de Dora. De acordo com amigos da vítima, Adson costumava negociar terrenos da comunidade sem autorização da associação comunitária da Portelinha.

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