Domingo, 22 de Setembro de 2019
Problemas com médicos estrangeiros

Estrangeiros do Programa 'Mais Médicos' com problemas para atuarem no Amazonas

Conselho Regional de Medicina diz que profissionais estrangeiros não podem trabalhar sem tutores e sem darem informações



1.jpg Jefferson Jezini disse que situação dos estrangeiros está à margem dos critérios estabelecidos na medida provisória
28/09/2013 às 09:51

Os 68 médicos estrangeiros que entraram com o pedido de registro no Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) não poderão começar a atuar a partir de segunda-feira(30) como estava previsto pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).

Segundo o presidente do CRM-AM, Jefferson Jezini, os integrantes  do programa não apresentaram a documentação exigida na medida provisória que criou o Mais Médicos. Entre os documentos que não foram entregues está o nome dos tutores que irão acompanhá-los, uma tradução dos diplomas e a apresentação do endereço comercial, ou seja, da unidade de onde vão atuar. Além disso, o CRM diz que os médicos não compareceram ao conselho para recolher a anuidade e as taxas a que estão sujeitos.

De acordo com o presidente do centro acadêmico de Medicina da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Sebastião Campos,  tanto a UEA quanto a Universidade Federal do Amazonas decidiram não participar do programa com os seus professores exercendo a função de  tutores dos estrangeiros.

Jezini  disse ainda que há uma forte suspeita que os médicos que já trabalhavam nas unidades de saúde estão sendo substituídos pelos profissionais do programa. “Isso é um crime, pois existem quatro concursos vigentes em que cerca de 400 profissionais não foram chamados”, acrescentou o presidente.

Segundo Sebastião Campos, um médico residente recebe uma bolsa de R$ 2.160 para trabalhar enquanto o médico do programa irá receber R$ 10 mil para  cumprir 40 h semanais e uma ajuda de custo de R$ 30 mil para a mudança.

Os médicos terminaram nessa sexta-feira(27) o curso na Fundação de Medicina Tropical e conheceram os secretários municipais de saúde dos locais onde vão atuar.

De acordo com o Diretor do Departamento de Atenção Primária da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Nilson Ando, os médicos não poderão atuar por que estão sem o registro do conselho, porém, irão para os municípios para conhecer a área e a comunidade na qual vão trabalhar.

Nilson Ando, informou que a secretaria está discutindo com o Ministério da Saúde para conseguir uma outra alternativa para o impasse com as universidades. “Uma alternativa seria que os próprios municípios e o estado assumissem a tutoria dos médicos do programa.

Para Sebastião Campos, a população precisa questionar a veracidade do programa, pois cerca de 13 mil médicos são formados por ano, portanto, não faltam profissionais. O problema é que esses médicos formados no Brasil não querem trabalhar nos rincões ou nas periferias das grandes cidades.


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