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Cotidiano
Ciência e Tecnologia

Estudantes desenvolvem projeto para recuperação de solo de áreas degradadas

Técnica utilizada na superfície do solo ajuda a enriquecê-lo nutricionalmente com nitrogênio e outros nutrientes 19/10/2016 às 05:00
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João Melga, 17, Bruno Muniz, 17, e Ivan Miller, 17, (da esquerda para a direita) são estudantes da Fundação Matias Machline (Foto: Márcio Silva)
Silane Souza Manaus (AM)

A recuperação de áreas degradadas por meio de reflorestamento pode levar até 100 anos, além de ser cara. Mas um projeto desenvolvido por estudantes da Fundação Matias Machline mostra que esse tempo pode ser reduzido para 15 anos e com um custo três vezes menor. O trabalho foi apresentado ontem durante a Feira de Ciência da Amazônia (FCA), evento que faz parte da 13ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia no Amazonas (SNCT), que começou ontem em todo o País.

Conforme um dos alunos envolvidos no processo de desenvolvimento do projeto, Bruno Muniz, 17, o trabalho visa à recuperação do solo e não o reflorestamento. As técnicas utilizadas nesse caso são adubação verde (plantio de leguminosas como mucuna preta, feião guandu, feijão de porco, entre outras) e bomba de sementes (bola de argila). “Juntos eles nutrem a terra com ciclo de nitrogênio e outros nutrientes fazendo com que a mata secundária nasça mais rápida do que se fosse naturalmente”.

O projeto prevê que as bombas de sementes sejam jogadas nas áreas degradadas por drones, logo não haverá nenhuma interferência do homem. Isso pode manter 100% da biodiversidade do local. “Com o reflorestamento há muita interferência antrópica e um estudo feito no Pará por um grupo americano constatou que onde houve a interferência do homem na recuperação da floresta 50% da biodiversidade foi perdida e onde não houve a biodiversidade foi mantida quase 100%”, relatou Bruno.

Além disso, o estudante evidenciou que a recuperação por reflorestamento custa de R$ 10 a 16 mil por hectare, enquanto que por adubação verde e bomba de sementes o custo gira de R$ 4 a 5 mil. “É três vezes mais barato do que o processo manual. Dependendo do quão esteja degradada a floresta secundária natural o processo de florescimento dessa mata pode levar até 100 anos e com a ajuda de bomba de sementes esse tempo pode diminuir de 15 a 20 anos”, salientou Bruno Muniz.

Além de Bruno, João Melga, 17, e Ivan Miller, 17, completam a equipe que desenvolveu o projeto que foi apresentado ontem na FCA. Eles são estudantes do 3º do ensino médio. O trabalho ainda não está pronto. Falta eles desenvolverem a segunda parte da pesquisa que é fazer o drone, que carregará as bombas de sementes, voar sozinho. “Esse é o próximo passo do projeto. O drone funciona, mas não é autônomo”, disse João. 

Outros projetos      

A Feira de Ciência da Amazônia reúne 44 projetos de alunos com idade até 17 anos, oriundos de 30 escolas da rede estadual de ensino e particulares, inclusive do interior do Estado. Os estudantes que se destacarem deverão ser premiados para participar de feiras nacionais e internacionais. A FCA será realizada no Bosque da Ciência, no Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), bairro Petrópolis, Zona Centro-Sul, até o próximo dia 20, sempre das 9h às 12h e das 14h às 17h.

Campeonato de Robótica
Paralelamente à Feira de Ciência da Amazônia, acontece o 2º Campeonato de Robótica, que reúne construtores de robôs em torno de uma competição para determinar qual deles é capaz de cumprir da melhor forma um objetivo específico. Ao todo serão 12 equipes, envolvendo aproximadamente 60 alunos de cinco instituições de ensino, nos níveis fundamental, médio e superior. O evento, que também ocorre no Bosque da Ciência, no período da tarde, também vai premiar os alunos que se destacarem.

Conservação de alimento
Outro projeto exposto na Feira de Ciência da Amazônia (FCA) foi o das estudantes Fernanda Rocha, 16, Karyne Carvalho, 17, e Maria Luísa Mota, 16, que trata da utilização de métodos de conservação e usos de aditivos com alternativas para o ensino da Ciência. O objetivo foi compreender a contribuição da Ciência nas aplicações de conservação de alimento.

Na execução, o grupo utilizou atividades experimentais voltadas a conservação alimentícia tais como conservar a carne recorrendo ao processo de salga, o qual figura entre as mais antigas técnicas de conservação de alimento, e aplicação de aditivos químicos para retardar o escurecimento de frutas, recurso amplamente utilizado na indústria de alimentos.

As estudantes, que cursam o 2º ano do ensino médio na Escola Estadual Farias Brito, situada no bairro Praça 14 de Janeiro, Zona Sul, mostraram que não precisa de conservantes artificiais para conversar os alimentos. “No caso da carne você pode salgar que ela se mantém conservada por vários meses. Frutas como banana e maçã, por exemplo, você pode usar o suco de limão para evitar o escurecimento e assim mantê-las conservadas por mais tempo”, afirmou Maria Luísa.

Karyne Carvalho, 17, Fernanda Rocha, 16, e Maria Luísa Mota, 16, (da esquerda para a direita) 

Evento segue até novembro
A 13ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia no Amazonas (SNCT), que este ano tem como tema "Ciência alimentando o Brasil", teve início ontem em todo o País. Em Manaus, a solenidade de abertura do evento aconteceu no período da manhã no Bosque da Ciência, localizado no Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), no bairro Petrópolis, Zona Centro-Sul.

Na ocasião, o secretário de estado de Planejamento, Thomaz Nogueira, enfatizou que uma das propostas fundamentais da SNCT é a disseminação do conhecimento do que está sendo produzido em termo de ciência, tecnologia e inovação no ambiente amazônico. “É uma satisfação nós fazermos a abertura no Inpa que é uma referência na produção do conhecimento científico”, enalteceu.

Conforme o secretário, o Governo do Estado vem buscando fazer com que esse conhecimento produzido na região possa ter um resultado social efetivo de mudança seja no aspecto da produção quanto no desenvolvimento de soluções de todas as áreas.

Organizada pela Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Seplan-CTI) e Inpa, a SNCT tem como princípio aproximar a população em geral do universo dos pesquisadores e da produção científica e tecnológica. As atividades começaram ontem e seguem até o dia 25 de novembro. Toda a programação pode ser consultada no site da Seplan-CTI: http://www.seplancti.am.gov.br/.

 

    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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