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Cotidiano
Hospitais brasileiros

A cada três minutos, dois brasileiros morrem por erro médico em hospitais do País

Segundo estudo, as principais falhas no atendimento médico são erros de dosagem de medicamentos, uso incorreto de equipamentos e até infecção hospitalar 30/10/2016 às 10:11 - Atualizado em 30/10/2016 às 18:30
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Presidente do CRM no Amazonas diz que faculdades de Medicina deviam ser mais fiscalizadas (Foto: Aguilar Abecassis)
Kelly Melo Manaus (AM)

Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostrou que, a cada três minutos, pelo menos dois brasileiros morrem em alguma unidade hospitalar do País em decorrência de um erro que poderia ter sido evitado. Segundo o levantamento, as principais falhas no atendimento médico são os erros de dosagem de medicamentos, uso incorreto de equipamentos e até infecção hospitalar. 

Embora o Ministério da Saúde (MS) não possua dados dessa natureza, de acordo com a pesquisa, esses erros nos atendimentos foram responsáveis por 434 mil óbitos em 2015. A pesquisa foi realizada pela UFMG em parceria com o Instituto de Estudos em Saúde Suplementar (IESS). 

Na opinião do presidente do Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM), José Bernardes, a avaliação de  “erro médico” é genérica, isso porque nem sempre o erro durante o atendimento é diretamente do médico, mas de um conjunto de falhas no sistema de saúde. “O leigo entende que qualquer paciente que vier a falecer durante um atendimento, ocorre o erro médico. Mas a medicina é uma profissão de meio, não de fim. Então,  você atende um paciente que durante o procedimento pode falecer, sem necessariamente ter a participação  do médico”, explicou o presidente, ao destacar o caos na saúde pública no Estado.  

De acordo com Bernardes, apesar de os dados apresentados pela UFMG serem considerados preocupantes, no Amazonas, das denúncias de supostas negligencias médicas que chegam ao CRM, apenas 15% prosperam, no sentido de apresentar indícios de alguma falha. “As outras 85% não vingam porque não existe nada que evidencie que houve uma falha médica”, disse ele. 
Ainda no entendimento de Bernardes, os números levantados pela pesquisa englobam as falhas que ocorrem em todo o sistema de atendimento médico. “É um numero grande, mas entendo que se trata de falhas no sistema como um todo. Às vezes o paciente chega, mas não tem sala para cirurgia, ou não tem um determinado aparelho para fazer um exame importante. Tem hospitais públicos onde uma biópsia demora dois meses para ficar pronta, em Manaus”, afirmou. 

O secretário de Saúde do Estado, Pedro Elias de Souza, informou que a Susam também não mensura os casos de mortes decorrentes de erros evitáveis, mas acredita que essas ocorrências só podem ser minimizadas com qualificação profissional. “Na Susam temos investido nessa qualificação, tanto no interior quanto na capital. Frequentemente realizando cursos com os profissionais, mas sem dúvidas esse número é preocupante”, comentou. 

Fiscalizar o ensino

O presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM-AM), José Bernardes, afirma que para reduzir os índices de falhas médicas é preciso fiscalizar melhor a formação profissional.  De acordo com ele, em todo País são mais de 300 faculdades de medicina, no entanto, nem todas apresentam boas condições de ensino, com todo o aparato necessário para formar bons médicos.

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