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Cotidiano
ALEITAMENTO MATERNO

Estudo diverge de recomendação da OMS e levanta debate sobre amamentação

Segundo o estudo, bebês que começaram a Introdução Alimentar (IA) precocemente, aos três meses, dormiram cerca de 16 minutos a mais por noite do que os com amamentação exclusiva 21/07/2018 às 16:54 - Atualizado em 22/07/2018 às 17:50
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Foto: Pixabay
Mayrlla Motta Manaus (AM)

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que até o sexto mês de vida do bebê a alimentação dele seja feita exclusivamente do leite materno. No entanto, um artigo publicado recentemente por cientistas britânicos no JAMA Pediatrics contraria o preconizado pela OMS e traz uma nova observação sobre a recomendação, pois mexe diretamente com um item essencial na rotina das famílias: o sono. Segundo o estudo, bebês que começaram a Introdução Alimentar (IA) precocemente, aos três meses, dormiram cerca de 16 minutos a mais por noite do que os com amamentação exclusiva.

Na avaliação do médico pediatra Clay Brites, as mães certamente sabem o que é melhor para seus filhos. Para ele, o estudo marca o início de uma hipótese do que seria melhor ou não para o sono da criança.

“Se estudos posteriores continuarem mostrando que o aleitamento materno é superior, no sentido de dar à criança mais saúde, as mães vão colocar isso de forma muito clara em sua balança e continuarão dando como principal opção o aleitamento materno”, opina o membro titular da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). 

O estudo realizado no Reio Unido avaliou 1303 crianças divididas em dois grupos: o primeiro com aleitamento materno exclusivo até os seis meses e o segundo com introdução alimentar de sólidos aos três meses, além do leite materno. Diante disso, foi concluído que os bebês do segundo grupo obtiveram maior duração de sono e despertares menos frequentes à noite. 

Para o médico, apesar dos resultados, o estudo não sustenta a hipótese de ser melhor para o bebê a ingestão de alimentos sólidos precocemente. De acordo com o também neuropediatra e fundador do Instituto NeuroSaber, quando a OMS lança uma recomendação ela pensa em todas as classes sociais e econômicas, e que o estudo por si só dificilmente fará a OMS mudar de ideia quanto à preferência ao leite materno. 

Ele lista alguns benefícios do aleitamento materno exclusivo. “Isso nenhum alimento supera que são a quantidade adequada de carboidratos e proteínas, protegendo os rins e evitando que a criança desenvolva obesidade. O aleitamento materno é barato, não tem custo. Para as pessoas mais pobres, o aleitamento sempre será o alimento mais acessível, mais barato, e por isso vai ser muito melhor para elas, mesmo que elas durmam duas horas a menos por semana”, disse, acrescentando que o leite materno  é também uma forma de imunização passiva e natural, isso sem contar o laço fortalecido entre mãe e bebê.

Introdução saudável

Segundo a nutricionista infantil Ariane Bomgosto, a fase de introdução alimentar requer um olhar e um cuidado especiais, por ser um período de apresentação da criança aos alimentos.

“Não existem "vilões" ou "mocinhos" quando falamos de nutrição infantil. O que podemos falar é que existem diferentes alimentos para os diversos momentos da vida. Assim, alguns alimentos são mais adequados à rotina do dia a dia, enquanto outros devem ser deixados para ocasiões como festinhas, finais de semana ou viagens”, disse. Acima, a nutricionista lista alguns dos exemplos de alimentos não recomendados para a fase. 

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