Terça-feira, 16 de Julho de 2019
DESAPARECIDOS

Ex-brigadista do ICMBio e dois agricultores desaparecem em área de conflito no AM

Sumiço ocorreu em área pertencente ao programa Terra Legal do governo federal, território disputado por grileiros e próximo à Rondônia



Desaparecidos.JPG Foto: Divulgação
20/12/2017 às 10:15

O desaparecimento do ex-brigadista do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Flávio de Lima de Souza, e de outras duas pessoas, os agricultores Marinalva Silva de Souza e Jairo Feitosa, em área pertencente ao programa Terra Legal do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), no município de Canutama, Sul do Amazonas, a 555 quilômetros de Manaus, pode estar relacionado a conflito de terras na região. A Polícia Militar do Amazonas vai auxiliar nas buscas aos desaparecidos.

De acordo com familiares dos desaparecidos, eles sumiram no último sábado (16) perto da fronteira com o estado de Rondônia, nas proximidades do Km 56 da rodovia federal BR-319 – que liga Manaus a Porto Velho, quando saíam para realizar trabalhos na área, onde mais de 100 famílias estão assentadas. Segundo o programa Terra Legal e a Polícia Militar do Amazonas, o território é disputado por grileiros. Flávio e Marinalva também são, respectivamente, presidente e vice-presidente de associação de moradores rurais.

Nesta terça-feira (19), a PM de Rondônia solicitou à PM amazonense a autorização para entrar no território de Canutama. Onze militares do Exército Brasileiro (EB) em Humaitá também foram destacados para o município. “Eles pediram o apoio para que possam entrar na área do Amazonas com a força-tarefa deles e com o Corpo de Bombeiros e nós vamos apoiar com policiais daqui. Já temos informações que 11 militares do Exército já desembarcaram em Canutama e também vão ajudar nessa operação”, explicou o comandante do Policiamento do Interior, coronel Alcio Sampaio. 

O ex-coordenador do programa Terra Legal Luiz Antônio Nascimento informou que a área onde os três moradores desapareceram possui mais de nove mil hectares e que recentemente pessoas ligadas a madeireiras apareceram com documentos falsificados se intitulando donos das terras. “Essa área é pública e as famílias moram lá há muito tempo. Mas recentemente, pessoas ligadas a madeireiras apareceram e apresentaram documentos fraudados no cartório, como se fossem donos das terras. Um dos meus últimos atos no programa foi apurar essa situação e denunciar aos órgãos de comando e controle do Amazonas”, afirmou ele.

“Se houve desaparecimento de mais três pessoas, isso é resultado de mais um conflito de terras no Sul do Amazonas e eu credito isso às autoridades policiais e públicas do Estado, porque foram alertadas por mim e com documentos densos, mas não tomaram providências”, criticou o ex-coordenador do Terra Legal.

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