Publicidade
Cotidiano
Notícias

Ex-integrante de facção criminosa mostra que é possível dar a volta por cima na vida por amor

O auxiliar de estoque Arnaldo da Cruz Sobreira, 42, saiu do tráfico, superou a perda da esposa e quatro tentativas de homicídio para criar sozinho 8 filhos 23/02/2015 às 12:24
Show 1
Arnaldo perdeu a esposa, mas conseguiu sair da vida bandida para criar oito filhos com muita dedicação
Fábio Oliveira e Mara Magalhães Manaus (AM)

Uma vez no crime é possível sair de lá? Em alguns casos, sim. De ex-integrante de uma gangue à exemplo de superação. O auxiliar de estoque Arnaldo da Cruz Sobreira, 42, é a prova viva de que uma pessoa pode largar a vida de dependente químico e traficante. O almoxarife contou detalhes de sua trajetória no mundo do crime e as dificuldades que sofreu e lutou para sair do fundo poço. Atualmente, ele sustenta sozinho seis filhos, sendo que quatro são menores de idade.

De acordo com ele, a vontade de vencer e sair da condição de usuário e traficante surgiu, após perceber que esse meio daria um fim trágico na vida. Usuário desde os oito anos de idade, quando começou a experimentar cigarro e maconha, Arnaldo ainda integrou uma gangue dos anos 90 chamada “Galera Selvagem”, rival dos “Anjos Malditos”. Na época, ele praticou pequenos furtos em Manaus, vindo a ser preso.

Além de usar cocaína, quando tinha 15 anos, começou a vender para ‘peixes pequenos’. “Eu fazia pequenos furtos. Usava droga pesada e participei de uma gangue em Manaus que hoje já é extinta”, disse, ao informar que sofreu dois princípios de overdose por uso abusivo de pasta base de cocaína. Segundo ele, o esporte também ajudou bastante.

Hoje faixa roxa de jiu-jtsu, o auxiliar de estoque encontrou na luta de quimono uma forma de sustentar a força contra o vício das drogas e atua como instrutor de um projeto social “Construindo Cidadania”, da Associação Barbosa de Lutas Esportivas, academia onde treina. Porém, antes de conseguir a façanha, passou por uma dificuldade tremenda em sua família que lhe levou a tentar se matar quatro vezes.

Sua esposa, Eliana Fogaça da Silva, 37, faleceu em janeiro de 2013, vítima de câncer no útero. A partir daí, ele teve de criar oito filhos sozinho. No ano em que ela morreu, Arnaldo já estava limpo há quatro anos.

Antes, ele teve uma recaída nas festas de fim de ano, em 2008. Na ocasião, ele quase morreu de overdose por usar tanta cocaína, passado que ele esqueceu para virar espelho para os filhos.

Choro e fome em casa

Após a morte da esposa, Arnaldo passou fome e se desdobrou para dar comida a todos os filhos. Ele relatou que não comia nada para dividir o que tinha na geladeira e dar aos filhos. “Quando meu filho, de 9 anos, chegou dizendo que estava fome e não tinha um centavo no bolso, eu chorava. Dava vontade de roubar comida para dar a eles, mas fui forte e não fiz isso”, contou, derramando lágrimas.

Ele disse que chegou a pedir marmita na cadeia pública Raimundo Vidal Pessoa, no Centro da cidade.

Quando chegava em casa, ele dizia aos filhos que comprava, para não contar a verdade. Certa vez, um dos filhos chegou a dar comida para o pai ao vê-lo chorar de fome. “Meu filho disse que pra eu comer e que não queria me ver com fome. Isso doía de mais. Foi muita ralação depois que minha esposa faleceu”, finalizou Arnaldo, hoje orgulhoso por colocar comida na mesa para todos.

Psicopata grave não tem mais recuperação

Para o presidente do Conselho Regional de Psicologia (CRP20), Gibson Alves dos Santos, alguns criminosos se enquadram no perfil de psicopata grave. Nestes casos não há recuperação. Quando eles se referem a arrependido, isso não passa de uma forma de tentar manipular as pessoas. “Pessoas que tem um perfil de psicopata são muito inteligentes, conseguem ter poder de argumentação, conseguem convencer facilmente as pessoas” disse o psicólogo.

O psicopata sempre age de maneira calculista e fria. Arma toda uma situação para chegar ao seu objetivo final, é uma pessoa comum, por isso muitas pessoas não conseguem identificá-los. O cérebro dos psicopatas não esta preparado para sentir afeto, ele não consegue se colocar no lugar do outro.

Gibson ainda relata que podemos perceber alguns sinais se uma pessoa é psicopata. Quando uma criança gosta de maltratar animais isso pode ser um indício. Já na fase adulta, é possível perceber nas rotinas. Geralmente um psicopata tem rotinas pouco convencionais e consegue manipular todos ao seu redor. É uma pessoa que não tem um sentimento de culpa. Ele sempre fala que está arrependido, mas sempre comete os mesmos crimes outras vezes.

Publicidade
Publicidade