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Cotidiano
mutilados

Ex-operários que sofreram mutilações dão exemplo de superação

Para eles, a força de vontade e o apoio familiar foi fundamental no processo de recuperação 02/05/2016 às 05:00
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Na imagem de qualidade prejudicada pelo tempo, Edney, primeiro da esquerda para a direita, coordenava o grupo (Foto: Márcio Silva)
Náferson Cruz

Edney Eleotério Magalhães, de 44 anos, tinha tudo para deixar de acreditar no seu potencial após sofrer um acidente, no dia 7 de julho de 2007, onde fraturou a perna esquerda e um dos braços e perdeu a perna direita, mas não a fé na vida.

Natural do Município de Parintins (a 325 quilômetros de Manaus), ele chegou a Itacoatiara aos 18 anos. Era acostumado a se divertir com os amigos, namorar e conta que sonhava ter um futuro brilhante, mas viu sua vida mudar tragicamente após o acidente de trabalho. “Atuava na indústria Mil Madeireira, coordenando um grupo dentro da floresta. A atividade tinha sido encerrada e, minutos depois, por volta das 16h45, fui atingido pelo maquinário. Tudo ocorreu de forma tão rápida, fiquei preso entre duas máquinas e, ao olhar para, baixo vi minha perna mutilada no chão”, lembrou.

Edney ainda teve que suportar mais de quatro horas de dor, trajeto da floresta até o hospital na cidade. O sofrimento não parou por aí. Como o caso era de extrema gravidade, ele ainda teve que seguir por mais 3 horas de viagem até Manaus, onde recebeu o suporte médico adequado. E o pior: ele conta, durante toda essa agonia, estava consciente, já que não havia perdido os sentidos após o acidente. “Lembro de cada segundo daquele momento, foi muito triste”.

Enfim, vitória

Hoje, recuperado, Edney é proprietário de uma pizzaria e, de vez em quando, costuma ministrar palestras sobre o fato que marcou sua vida. “Quase entrei em depressão, achei que não iria vencer, mas agradeço muito à minha esposa por tudo que ela fez por mim naquela situação”, diz, com um misto de orgulho e gratidão.

Assim como Edney, José Lázaro Soares, 48, também conseguiu superar o trauma do acidente de trabalho. Mas, também como o colega de profissão, é uma exceção: muitos ex-operários mutilados se entregaram à depressão diante da falta de auxílio para recuperar os movimentos perdidos.

Após o acidente, ocorrido em março de 2006, na Mil Madeireira, quando uma tora de badeira “entrou” no abdômen de José, ele encontrou no trabalho de mototaxista a motivação para retomar sua vida. “Ainda hoje sinto dores, desde que quando passei pela cirurgia após ser atingido por um tronco de madeira no estômago”, comentou Lázaro, que antes de ingressas no setor madeireiro trabalhava como ajudante de pedreiro.

Blog: Fernando Júnior, Psicólogo

Para essas pessoas que sofreram com estes danos, o importante é superar os desafios com eficiência harmonia e gratidão aquelas pessoas que o ajudaram a enfrentar o sofrimento, por uma nova oportunidade, por um novo recomeço, pois estamos falando de pessoas que achavam que tudo estava perdido. Vale ressalta que estas pessoas precisam ser flexíveis para enfrentar mudanças, em se adaptar a novas atividades, não se assustar com o novo e manter a confiança diante da nova realidade. Apesar dos danos irreversíveis, estas pessoas tem que colocar em mente que boas coisas acontecerão e igualmente, certo que, se a dificuldade aparecer, o quão relevante é manter uma atitude mental positiva diante da vida, com o compromisso pessoal de estar fazendo o seu melhor hoje.

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