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Ex-secretário da Seinfra aponta irregularidades na pasta

Gilberto Alves de Deus disse que propôs cancelamento de contratos ao governador, o que não teria sido atendido 30/10/2015 às 21:33
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Antes de assumir a Seinfra, Gilberto de Deus passou pela Suhab
acritica.com Manaus (AM)

Exonerado do cargo de titular da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra), o ex-secretário da pasta Gilberto Alves de Deus fez uma série de acusações contra obras realizadas no governo José Melo (Pros). Segundo ele, as irregularidades vão desde  má execução até contratos milionários sem a execução dos trabalhos. Alves afirma que, em viagem ao interior, constatou uma série de irregularidades em obras do Estado. Ele teria levado os problemas ao governador e sugeriu o cancelamento dos contratos, mas não foi atendido, o que o levou a deixar o cargo.

O engenheiro civil lançou essas informações, hoje (30), em coletiva de imprensa no escritório dele. Gilberto Alves teve sua exoneração publicada no dia 28 de outubro no Diário Oficial do Estado (DOE). No seu lugar assumiu Américo Gorayeb, que atualmente também atua como secretário da Região Metropolitana de Manaus (SRMM).

Gilberto Alves concedeu entrevista coletiva em seu escritório (Foto: Valmir Lima/Amazonas Atual)

De acordo com Alves, as irregularidades foram localizadas logo quando ele assumiu a Seinfra. Entre os problemas apontados estão pagamentos suspeitos da Ponte do Pera, em Coari. “Infelizmente Coari vai estar nas páginas. A ponte do Pera que foi paga, num valor do contrato de R$ 11 milhões, já foi pago R$ 9 milhões, R$ 9 milhões já estão pagos e não foi feito nem R$ 1,5 milhão”, disse Gilberto Alves.

Além disso, Alves denunciou o trabalho de duas empresas que realizam obras para o Governo: A Laghi Engenharia e a Egus (Consult Engenharia). Ele afirma que 80% projetos dessas empresas “são montados”, onde não são realizados levantamentos de sondagem e topografia. “Então, 50% das obras do Estado, hoje, foram feitas por essas duas empresas que precisam ser revistos, porque os projetos são errados, os orçamentos também são errados”, declarou.

Monotrilho

Outra grande obra do governador José Melo que pode estar no leque de “suspeitas” apontadas por Gilberto é o monotrilho. O sistema de transporte coletivo foi uma das promessas para a Copa do Mundo 2014, mas acabou não saindo do papel.

De acordo com o ex-secretário, foram pagos R$ 26 milhões para que a empresa CR Almeida executasse a obra. “É interessante é a gente, que é engenheiro, essa empresa ela ganhou para construir o monotrilho e a elaboração do projeto executivo. [...] Ora, como é que eu vou orçar uma obra sem antes ter o projeto executivo?”, questiona. Segundo Alves, todas as irregularidades foram reunidas num relatório feito por ele que deve ser repassado aos órgãos de fiscalização.

Troca intensa de cargos  em três meses

Três trocas de titulares marcaram os últimos meses da Seinfra e Suhab. Em agosto, Melo indicou Gilberto Alves para a Suhab no lugar de Sidney Oliveira de Paula. Em seguida, a ex-secretária Waldívia Alencar foi exonerada da Seinfra, saída que deixou Gilberto Alves à frente das duas pastas devido à fundição das secretarias. 

Na ocasião, a saída de Waldívia causou debate por suspeitas de ligação com o suposto superfaturamento de R$ 20 milhões em contratos de obras no ano de 2013. Após 27 dias no cargo de titular da Seinfra, Gilberto Alves pediu para sair. Na Suhab, assumiu a servidora da Casa Civil Indra Mara Bessa.

Governo rebate declarações

O Governo do Estado respondeu a Gilberto Alves: “Durante os 27 dias que esteve no comando da Seinfra o sr. Gilberto de Deus não notificou nenhuma empresa, não instaurou nenhuma auditoria interna para fiscalização das obras citadas e nem se reportou ao órgão governamental de controle interno. Nas suas declarações, o ex-secretário não apresentou nenhum documento, ou fato novo”.

“Todos os dados apresentados por ele são de domínio público e estão disponíveis para a consulta de qualquer cidadão no Sistem Sicop. A empresa Egus teve contrato cancelado desde o dia 17 de julho deste ano por determinação do governador e está sendo auditada pelo Ministério Público de Contas do Tribunal de Contas do Estado. Os pagamentos para a obra do monotrilho foram referentes a elaboração de projetos, mobilização e sondagens. O contrato está suspenso, por solicitação do Ministério Público Federal, desde 2013”.

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