Domingo, 13 de Outubro de 2019
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Exame de mamografia fica entre o dilema da necessidade e dificuldade para as mulheres

Mulheres enfrentam burocracia e muita espera para se submeterem ao exame que identifica males como o câncer de mama



1.gif Na Carreta da Mulher que está estacionada no bairro Alvorada, quem procura atendimento sem complicações se depara com a burocracia e a falta de vagas: são 40 vagas diárias e uma demanda crescente
05/02/2015 às 13:16

Há dois anos instituído no calendário nacional, o Dia da Mamografia passou a ser comemorado no dia 5 de fevereiro em todo o País. Mas nem essa “projeção” transformou a mamografia, procedimento que identifica mazelas como o câncer de mama e que pode ajudar a salvar vidas, em um serviço acessível. A reportagem percorreu ontem, na véspera da data comemorativa, algumas das “Carretas da Mulher” que realizam exames de mamografia e ultrassonografia na capital e o “saldo final” foi um mamógrafo em manutenção e várias reclamações sobre a burocracia para conseguir se submeter ao exame.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), três carretas realizam os exames de mamografia na capital. Mas, por volta das 10h de ontem, A CRÍTICA visitou a unidade móvel localizada no Aleixo, na Praça Tiradentes, Zona Centro-Sul. Conforme informações do órgão, a carreta ficará no local até sábado, mas ontem ninguém conseguiu fazer a mamografia. O motivo é que o equipamento apresentou problemas. “Dispensamos as mulheres porque o técnico veio aqui fazer a manutenção do mamógrafo”, informou uma das funcionárias que estavam no local. mas que preferiu não se identificar.

Filas

Na Zona Centro-Oeste, no bairro Alvorada 1, a situação encontrada em outra carreta da mulher foi diferente, mas não menos preocupante. De acordo com a técnica em radiologia que trabalha no local, 40 mulheres podem ser atendidas por dia nas unidades, mas a procura é bem maior que isso, provocando uma longa espera. “São 20 pela manhã e 20 pela parte da tarde. Não pode passar disso porque só fica uma pessoa responsável por preencher ficha, conversar com a paciente e fazer o exame, que muitas vezes é demorado”, contou.

Ainda segundo ela, há ocasiões em que não é possível atender a demanda que surge. “Teve vários dias que passou dessa quantidade e tivemos que dispensar. Não há como passar disso, é um exame demorado”.

Burocracia

A burocracia para realizar o exame é apontada pela dona de casa Maria Delair Pimentel, 48, como a maior dificuldade para fazer a mamografia. Ela conta que chegou à Carreta da Mulher que está no Alvorada 1 por volta das 3h de ontem para fazer uma ultrassonografia, porém somente às 8h foi orientada sobre um cadastro preliminar. “É falta de informação. Antes eles aceitavam uma requisição aqui como agendamento, mas agora temos que ir ao posto pra cadastrar. Esse sistema é uma lástima e vive lotado de gente”, disse.

A comerciante Elzita Menezes, 54, também foi informada de que não poderia fazer o exame de mamografia na carreta do Alvorada. Ela não havia agendado o procedimento no Sistema de Regulação da Secretaria de Saúde (SISREG 3), o qual é feito em postos de saúde e ambulatórios. Ela acredita que processo “complica” por ser burocrático. “Esse cadastro faz é complicar mais e fazer a gente perder tempo. Estou aqui desde 11h30 e ninguém me deu uma informação sobre esse sistema. Tem pessoas que vêm de longe. A propaganda na televisão diz que é só vir aqui e fazer, mas quando chega é toda essa burocracia”.

Números

Segundo dados da Gerência de Apoio Diagnóstico da Semsa, no período de janeiro a novembro de 2014 foram realizados 24.963 exames de mamografia na rede municipal de saúde.

A Semsa informou que providenciou, com regime de urgência, o conserto do mamógrado da unidade móvel do Aleixo. Sobre o cadastro, a secretaria explica que a norma de encaminhamento é estipulada pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Sem oferta em 19 municípios

Em novembro do ano passado, A CRÍTICA noticiou que 29 municípios do Amazonas não estavam com mamógrafos em funcionamento. Dois meses depois, 19 cidades continuam enfrentando o mesmo problema. A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) divulgou ontem que 42 municípios concluíram a fase de instalação dos aparelhos.

O secretário estadual de Saúde, Wilson Alecrim, informou que a implantação de mamógrafos no interior do Estado é um processo “complexo”. “Implantar mamógrafos no interior do Estado é um processo complexo, que exigiu ousadia do Governo do Estado. É necessário dotar os hospitais de salas especiais, e também de pessoal treinado. É necessário, além disso, instalar e fazer funcionar o sistema de digitalização”, disse Alecrim.

Segundo a Susam, foram realizados, na rede pública e serviços conveniados ao SUS da capital, mais de 49 mil exames de mamografia. Na rede estadual, o exame está disponível no Instituto da Mulher Dona Lindu, Fundação Cecon e Fundação Francisca Mendes e em seis serviços da rede particular conveniados ao SUS.

Mais de 57 mil casos em 1 ano

Segundo dados recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA) a estimativa é de que 57,1 mil novos casos de câncer surgiram no País entre 2014 e 2015. Desse número, só no Nordeste, a estimativa é de mais de 10 mil. Ainda de acordo com o Inca, o câncer de mama é a quinta causa de morte de câncer em geral (522 mil óbitos) e a causa mais frequente de morte por câncer em mulheres.

Em 2014, a previsão do Inca era para 390 novos casos de câncer de mama no Amazonas naquele ano.

Ginecologista do Hapvida Saúde, a médica Adriana Maciel lembra que o exame de mamografia é indicado a partir dos 40 anos. Segundo ela, o procedimento identifica lesões benignas e cânceres, mesmo no estágio inicial da doença. “O surgimento de nódulo duro e irregular, geralmente sem dor, é o sintoma mais comum. Existem tumores que são de consistência branda, globosos e bem definidos”, lembra Maciel.

Alguns sintomas da doença apontados pela médica são edema cutâneo semelhante à casca de laranja; retração da pele; dor, inversão do mamilo, vermelhidão, descamação do mamilo; além de secreção. “Tudo isso pode ser observado pela própria mulher”, diz.


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