Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2019
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Executiva do PMDB aprova resolução que pode barrar novas filiações ao partido

Pedidos de filiação deverão ser aprovados por colegiado, o que vai filtrar adesão de políticos. O partido negou que a medida vise barrar a articulação do Palácio do Planalto



1.gif Michel Temer e Valdir Raupp, em reunião passada
16/12/2015 às 12:04

A Executiva Nacional do PMDB aprovou hoje (16) uma resolução que obriga que todas as novas filiações partidárias de deputados federais e senadores sejam aprovadas pelo colegiado.

O vice-presidente da sigla, senador Valdir Raupp (RO), que presidiu a reunião, negou que o objetivo da medida é barrar articulação do Palácio do Planalto e da bancada peemedebista do Rio de Janeiro de trazer deputados de outros partidos para a sigla com a intenção de apoiar a volta do deputado Leonardo Picciani (RJ) para a liderança do partido na Câmara. Picciani é aliado da presidenta Dilma Rousseff e foi substituído por Leonardo Quintão (MG).



“Não vejo que isso seja para proteção de A ou B, é um filtro. A disputa está entre dois líderes. Se um tem condição de trazer [aliados de outros partidos], outro também tem. O que tem que acabar é essa história de lista, isso tem causado um constrangimento muito grande para os parlamentares que tem que ficar entre uma lista e outra. Quando há duas listas em jogo, isso divide a bancada, acabam tomando partido os senadores e os governadores”, afirmou Raupp.

O senador também minimizou a aprovação da resolução. “O vereador com mandato para entrar no partido precisa passar pelo Diretório municipal, um deputado estadual precisa do consenso da bancada do partido nos estados e também a da Executiva estadual, então foi puxada para a Executiva Nacional essa prática”, explicou.

Segundo Raupp, nos casos de deputado federal e senador, a Executiva terá prazo de dez dias para apreciar e aprovar o nome do interessado em ingressar no partido.

Cunha

A ideia da resolução foi articulada pelo presidente do PMDB, Michel Temer, e pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), em reunião na segunda-feira (14), ambos não compareceram ao encontro.

Perguntado sobre a força que o presidente da Câmara ainda tem no partido, Raupp desconversou. “O partido precisa desse tempo para compreender todos esses episódios, inteligência para buscar caminhos e coragem para seguir em frente. Acho que o PMDB tem feito isso ao longo de sua história. O PMDB não vai se abalar de maneira nenhuma. Se alguns membros do PMDB estão com problemas, o PMDB é muito grande e vai sobreviver a todas essas intempéries, todas essas turbulências”, disse.

Reação

O ex-líder da legenda na Câmara Leornado Picciani, que foi vencido na votação, reagiu à medida e afirmou que vai questioná-la judicialmente, com apoio de alguns diretórios estaduais.

“A rigor ela [ a resolução] não poderia ser feita, porque qualquer mudança no estatuto só pode ser feita na convenção [do partido]. A Executiva não tem autoridade e nem poder estatutário para modificar o estatuto do partido, portanto, criou-se esse mecanismo para dar um contorno de legalidade, mas que certamente não configura legalidade”.

Picciani criticou a influência de Eduardo Cunha no partido. “É lamentável que o PMDB, que sempre teve na sua condução a marca do diálogo, tenha permitido que a truculência e os desmandos que hoje marcam a direção da Câmara dos Deputados tenham vindo para dentro do partido”, disse.

O parlamentar também ressaltou que vai trabalhar para a realização de uma nova eleição para líder em fevereiro, quando começa a nova legislatura.


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