Quinta-feira, 27 de Junho de 2019
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Executivos de empresas incentivadas do Polo Industrial de Manaus (PIM) querem prorrogação da ZFM

Durante reunião, empresários ressaltaram suas preocupações sobre a prorrogação da Zona Franca de Manaus por mais 50 anos e a definição da minirreforma fiscal proposta pelo Governo Federal



1.jpg Presidente da Caloi, Eduardo Musa, não descarta a possibilidade de tranferir a produção para a China caso a ZFM perca os incentivos
30/11/2013 às 17:39

A sétima edição da Feira Internacional da Amazônia (FIAM), foi celebrada pela classe empresarial e política como uma demonstração do poderio econômico da Zona Franca de Manaus. Entretanto, o clima de festa e bons negócios durante a Feira encerrada neste sábado (30), foi acompanhado pelas incertezas quanto ao futuro da ZFM.

Durante a FIAM, o Jornal A Crítica conversou com executivos de grandes empresas do Polo Industrial de Manaus e todos demonstraram suas preocupações sobre duas questões: a prorrogação da Zona Franca de Manaus por mais 50 anos e a definição da minirreforma fiscal proposta pelo Governo Federal, que tenta unificar as alíquotas do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e acabar com a “guerra fiscal”.

Na opinião do gerente de relações institucionais da Moto Honda da Amazônia, Mário Okubo, a indefinição quanto à prorrogação da Zona Franca trava novos investimentos no PIM, principalmente de empresas mais tradicionais. “As empresas estão segurando os investimentos. Temos que pensar que 2013 é um ano de corte. A Zona Franca só está garantida até 2023. E se continuar assim, ninguém vai querer investir alto, pois o prazo de retorno é de 10 anos. A situação é preocupante, mas tenho a convicção que a prorrogação vai ser aprovada em breve”, destacou Okubo. “O ICMS interestadual ainda não foi definido, mas a alíquota que o Governo está negociando ainda dá uma boa margem competitiva para a Zona Franca. A Honda, poderia continuar aqui tranquilamente. Vamos aguardar que tudo se resolva. A Honda é o maior empreendimento do PIM”, completou.

De olho

Gerente senior da Samsung, que está presente há 18 anos no Estado e emprega cerca de 6 mil trabalhadores, Rui Procópio contou que a multinacional coreana acompanha e discute todas as movimentações da PEC da prorrogação e da minireforma fiscal. Ele adota um discurso otimista. “O Governo do Estado tem feito um esforço muito grande para manter a competitividade da Zona Franca. A Samsung é líder eletrônica em diversos segmentos. Para que esta parte da empresa se estabeleça de vez em Manaus, precisamos ter certezas sobre a ZFM”, argumentou Rui.

Eduardo Musa, presidente da Caloi (empresa que foi comprada em agosto pelo grupo canadense Dorel) foi taxativo na hora de falar sobre as indefinições que cercam a ZFM. “O grupo Dorel está fazendo investimentos acreditando na manutenção da Zona Franca. Agora, se a competitividade da ZFM for afetada, vamos precisar refazer contas. Se pensarmos que hoje produzimos perto de 1 milhão de bicicletas aqui na nossa fábrica e 5 milhões na China, em indústrias terceirizadas, não seria tão complicado assim, transferir toda a produção para lá, caso a Zona Franca perdesse os incentivos”, alertou.

Investimento

Diretor administrativo da unidade da BIC em Manaus, Antônio Maria Baia destacou que a companhia deve investir R$ 40 milhões na ampliação da estrutura e produção de sua planta no PIM até 2015. Estes investimentos não serão afetados, pois são frutos do planejamento de anos da empresa. “A BIC olha para o futuro e sempre planejamos todos os nossos passos com bastante antecedência. Assim, logicamente, os futuros investimentos da nossa companhia dependem destas definições das garantias da Zona Franca”, frisou o diretor.

Na visão do gerente geral da Harley-Davidson do Brasil, Celso Ganeko, apesar de o mercado de motocicletas de altas cilindradas não ter sido afetado pelas crises recentes do setor de duas rodas, as incertezas da ZFM acabam fazendo com que o setor ligue o sinal de alerta. “A maioria das empresas que possuem capital estrangeiro, ficam preocupadas quando se fala em guerra fiscal. O investidor fica com receio de colocar dinheiro e perder os incentivos. A postura de quase todos está sendo aguardar que tudo se resolva, para retomar os investimentos”, contou.

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