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Cotidiano
Pássaros

Expedição na Serra da Mocidade descobre 80 novas espécies de pássaros

A área nunca havia sido explorada, o que aumentou a probabilidade de existirem espécies ainda não catalogadas pelos cientistas 03/10/2016 às 12:22
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Expedição pioneira de pesquisadores à Serra da Mocidade, em Roraima, revelou espécies nunca antes vistas (Foto: Antônio Lima)
Kelly Melo

A primeira expedição na Serra Mocidade, localizada em uma das regiões mais isoladas em Roraima, realizada em janeiro por 50 pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), encontrou mais de 80 novas espécies de fauna e flora na Amazônia brasileira. Para os pesquisadores, as descobertas demonstram a diversidade animal e vegetal da região amazônica, que ainda precisa ser explorada e pesquisada. A expedição contou com o apoio de diversas instituições científicas e será transformada em documentário.

Localizada no centro de Roraima, a Serra da Mocidade é um maciço de montanhas de quase dois mil metros de altitude pertencente ao Parque Nacional Serra da Mocidade. A área nunca havia sido explorada, o que aumentou a probabilidade de existirem espécies ainda não catalogadas pelos cientistas.

“O grau de isolamento já é uma receita para ter espécies singulares e endêmicas daquele lugar. E até então, ninguém tinha ido lá. Talvez este seja o único lugar do Brasil ou do mundo que tenha a maior probabilidade de ter espécies novas, desconhecidas para a ciência. Esse fascínio motivou montar a expedição multidisciplinar”, explicou o líder da jornada científica, Mario Con-Haft, que há mais de 30 anos estuda a ocorrência de aves na Amazônia.

Surpresas


O pesquisador Mário Con-Haft, que liderou a expedição pela Serra, mostra exemplar de espécie até então desconhecida (Foto: Antônio Lima)

O pesquisador explicou que durante os 25 dias em que os especialistas permaneceram na serra, mais de 1.500 espécies foram catalogadas por diversos especialistas que compuseram sete grupos de pesquisa - geologia; plantas e fungos; invertebrados terrestres e aquáticos; mamíferos (pequenos e médios, e morcegos); peixes; répteis e anfíbios; e aves. Desse total, mais de 5% dos animais coletados são referentes a espécies novas para a ciência.

“Isso é extraordinário! Não se faz uma expedição em que 5% dos bichos são novos para ciência. Eu já fiz dezenas de expedições pela Amazônia nas ultima décadas e encontramos uma coisa ou outra. Mas, nessa expedição, o esse percentual de descobertas foi muito grande”, afirmou.

A jornada inédita para Con-Haft, que é especialista em aves, trouxe resultados surpreendentes, como a ocorrência de um pássaro ainda desconhecido da ciência na Serra da Mocidade. Trata-se de uma espécie que se assemelha com o tico-tico-do-tepui, ave endêmica das serras venezuelanas, mas que geneticamente possui diferenciações. “Essa pode ser uma espécie nova para a ciência, portanto, ainda não tem nome. O que pudemos verificar até agora é que essa ave se diferenciou devido ao isolamento geográfico há mais de 1 milhão e meio de anos”, destacou. Outra descoberta do pesquisador foi a ocorrência de outras duas espécies de aves que ainda não foram catalogadas no Brasil.

Meta é subir de novo e ir até o pico

De acordo com o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Mario Con-Haft, a expedição partiu de um desejo pessoal e foi dividida em duas etapas. Ele espera poder voltar à Serra da Mocidade para catalogar novas espécies no pico da montanha, onde não foi possível chegar nas primeiras etapas.

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