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Exploração sexual: CPI faz pedido de proteção a vítimas que denunciaram prefeito de Coari

Relatora da CPI da Pedofilia pediu à Polícia Federal que proteja mãe e filha menor de idade que denunciaram prefeito de Coari 13/07/2013 às 11:53
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Prefeito Adail Pinheiro viajou para São Paulo e deixou de prestar depoimento em Coari
Lúcio Pinheiro ---

A relatora da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a exploração sexual de crianças e adolescentes em todo o Brasil, Liliam Sá (PSD-RJ), informou, nesta sexta-feira (12), que a CPI pediu proteção da Polícia Federal (PF) para mãe e filha que denunciaram o prefeito de Coari, Adail Pinheiro (PRP-AM).

 Segundo Liliam Sá, a mãe da menina de 13 anos entrou em contato com ela para dizer que ela e a filha estavam sob ameaça de morte em Coari. “A CPI encaminhou hoje (ontem) o pedido de proteção à direção da Polícia Federal em Brasília. Recebi uma série de denúncias de pessoas que estavam sendo coagidas na cidade”, disse a relatora.

A relatora informou que, na próxima terça-feira, a CPI vai se reunir, em Brasília, para dar seguimento aos trabalhos relacionados ao caso de Coari. “Vamos fazer uma série de requerimentos para aprovar na reunião. Hoje (sexta-feira), pedimos para a Polícia Federal proteger a mãe e a filha”, disse Liliam Sá.

Entre os requerimentos que serão votados pela CPI, a relatora disse que está a convocação novamente para depoimento das pessoas que a PF não conseguiu localizar no município, na semana passada.

A relatora disse que Anselmo do Nascimento, ex-funcionário de Adail, e uma adolescente, prima da menina de 13 anos, serão intimados para prestar depoimento. Os dois negam a versão dos denunciantes. Eles não foram ouvidos pela CPI, na passagem pelo município, nos dia 8 e 9 deste mês.

Liliam Sá informou que a CPI também vai pedir para que a mãe da menina que fez a denúncia contra Adail seja incluída no programa de proteção a testemunhas.

Adail foi denunciado à polícia, em maio do ano passado, quando ele estava em campanha para retornar à Prefeitura de Coari. Uma moradora do bairro Santa Efigênia disse que a filha dela, então com 12 anos, vinha sendo aliciada pela prima, também menor, que queria levar a garota para ficar com o prefeito.

O prefeito foi intimado para ser ouvido pela CPI, no dia 9, o que não ocorreu. No mesmo dia, por meio de nota, Adail comunicou aos membros da comissão que tinha passado por uma cirurgia de hérnia e encontrava-se internado no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

A presidente da CPI, deputada federal Érica Kokay (PT-DF) disse que o prefeito vai ser convocado novamente. “O prefeito tenha certeza que ele vai responder pelos seus atos e punido se se constatar sua culpa”, declarou a parlamentar.

A secretaria de Comunicação de Coari informou que o prefeito teve alta no dia 11. A assessoria de comunicação do Sírio-Libanês não quis dar informações sobre a doença de Adail.

“Respeitando o sigilo médico exigido pelo código de ética, o Hospital Sírio-Libanês só pode fornecer tais informações diretamente aos seus pacientes”, informou o hospital.

Advogado nega clima de ameaça

Um dos advogados do prefeito Adail Pinheiro, Rodrigo Porto, disse não acreditar que as pessoas ouvidas pela CPI estejam sendo ameaçadas. “Porque isso não reflete o comportamento de nenhum dos investigados. Eu acredito que seja mais uma tentativa de tumultuar o trabalho da CPI e da defesa do prefeito”, disse o advogado.

A assessoria de comunicação de Adail Pinheiro também defendeu que ameaças de violência não fazem parte “dessa e nem da administração anterior” do prefeito. “A assessoria desconhece esse tipo de atitude”, informou a Secretaria de Comunicação.

A secretaria disse que o prefeito reúne provas para responder às acusações contra ele. E apontou indícios de que a CPI é conduzida por interesses políticos. 

“Todos os demais citados na denúncia, que negaram envolvimento na história, sequer foram chamados para depor. Foram ouvidas somente supostas vítimas e testemunhas ligadas ao grupo da oposição”, defende a assessoria, em nota.

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