Domingo, 21 de Julho de 2019
Obra polêmica

Expoagro é extinta para dar lugar a novo hospital

Construção do hospital da Zona Norte é criticada por feirantes e criadores, que ainda não têm um novo 'endereço'



1.png Na última semana, pixações com protestos toaram conta dos tapumes instalados no entorno do terreno em obras
30/06/2013 às 10:07

A escolha do terreno onde será erguido o hospital Muhammad Amin Ismail Abdel Aziz, na Zona Norte, tem sido alvo de contestação interna no Governo do Estado, segundo fontes de A CRÍTICA.  A unidade hospitalar será construída no terreno da Feira de Exposição Agropecuária (Expoagro). Uma frente que defende a permanência da estrutura atual sustenta que a área onde funciona a feira foi titulada para a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) sem que a Secretaria de Produção Rural (Sepror), que está no terreno há 50 anos, fosse comunicada.

A manobra surpreendeu a Sepror e a obrigou a eliminar, a contragosto, a feira onde 500 produtores movimentam R$ 1,5 milhão por mês e R$ 13 milhões por ano, sem que haja definição de outro local onde possa ser construída uma nova Expoagro. O fluxo de pessoas na feira chega a 50 mil por semana.

O parque tem uma área total de 600 hectares, sendo que a maior parte do terreno está vazia. A Expoagro ocupa apenas 46 hectares do parque. Fontes de A CRÍTICA afirmam que o parque foi dividido em sete lotes e que o local onde estão as instalações da Expoagro foi escolhido para aproveitar a infraestrutura da feira. O que significa que a construtora terá uma economia inicial de R$ 13 milhões na obra, porque não precisará perfurar poços para obter água, construir vias de acessos ou instalar energia elétrica ou galpões para guardar material.

O Governo do Estado ainda terá um prejuízo de R$ 50 milhões com a demolição de todas as estruturas do terreno onde funciona a feira, reformada recentemente.

A escolha do local levou a Sepror a retirar os produtores e criadores de animais do parque para que a obra comece. Mesmo sem ter para onde ir, os criadores de caprinos e ovinos retiraram os animais na última semana. Os criadores de cavalos têm até amanhã para sair. Os feirantes ficarão, provisoriamente, nos galpões que abrigavam os animais, enquanto a obra é iniciada, mas não poderão ficar quando a obra for concluída.

O hospital será construído por meio de Parceria Público-Privada ao custo de R$ 391 milhões provenientes do consórcio composto pelas empresas SH Engenharia, responsável pela obra física, Magi Clean Serviços e a Abengoa Holding Brasil. A obra estava prevista para ser iniciada em maio.

Prova que, segundo as fontes, houve equívoco na escolha do terreno que fica no mesmo complexo onde funciona a Expoagro. Foram instalados o Complexo de Treinamento de Direção Veicular do Detran-AM, sedes de 12 órgãos estaduais e federais, além de unidades habitacionais que estão sendo construídas pela Superintendência de Habitação do Amazonas (Suhab).

Medida deve refletir no consumidor

Para o presidente da Associação dos Produtores Rurais da Sepror, Antonivaldo de Souza, a extinção da feira terá consequências negativas tanto para feirantes quanto para os consumidores de Manaus.

Segundo ele, os feirantes foram informados que, mesmo sem um novo lugar para eles definido, terão que sair definitivamente da Expoagro após conclusão do hospital. A única alternativa, segundo ele, será a categoria voltar para “as mãos” dos atravessadores, o que reduzirá o lucro do produtor a quase zero e fará com a população pague mais caro pelos produtos.

Segundo Antonivaldo, os feirantes têm um projeto, orçado em R$ 5,5 milhões, para um novo espaço dentro do parque da Expoagro, que poderia solucionar a transferência da feira. “Temos o projeto, plano de trabalho e orçamento para construir novos galpões dentro da mesma área, mas o Estado não aprovou”, disse.

Ele informou que, embora estejam sendo pressionados a sair, a associação dos feirantes ainda não recebeu nenhum comunicado formal de despejo. “O terreno vazio é muito grande e tem uma área com estrutura calculada em R$ 13 milhões que vai ser ‘detonada’. O Estado tem terra sobrando para construir qualquer tipo de coisa, hospital, feira, delegacia. São muitos hectares”, disse.

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