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Cotidiano
SAÚDE AUDITIVA

Exposição a barulhos excessivos na gravidez pode trazer prejuízos ao bebê

De acordo com a médica otorrinolaringologista, Jeanne Oiticica, o bebê que a mãe na gestação se expôs a ambientes sonoros acima de 85 dB tem pré-disposição para perdas auditivas 08/07/2018 às 08:35
Show barulho gravidez
De acordo com o Ministério da Saúde, a cada 10 mil recém nascidos, 30 têm deficiência auditiva (Foto: Reprodução Internet)
Mayrlla Motta Manaus (AM)

“Quando meu bebê vai começar a ouvir minha voz?”. Essa é só uma das milhares de perguntas que as mulheres fazem quando engravidam. A partir das 20 semanas de gestação (5º mês) o ouvido do bebê já está formado e ele já pode ouvir os ruídos externos. Justamente por isso as futuras mamães devem ficar atentas quanto ao que ouvem e, principalmente, o ambiente sonoro à qual estão expostas.

De acordo com a médica otorrinolaringologista, Jeanne Oiticica, o bebê que a mãe na gestação se expôs a ambientes sonoros acima de 85 dB tem pré-disposição para perdas auditivas. “Existe uma tabela em decibel que estabelece quando o barulho é prejudicial. Acima de 85 decibéis esse barulho é prejudicial. Se, por exemplo, for de oito horas de exposição por dia, durante sete dias da semana. Ou seja, é prejudicial acumulativo”, explica a Chefe do Grupo de Pesquisa em Zumbido do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Atividades insalubres

Essa exposição refere-se em sua maioria à ambientes trabalhistas. A Norma Regulamentadora N15 de Atividades e Operações Insalubres estabelece que o tempo máximo de exposição a 85 decibéis (dB) é de oito horas diárias; 90 dB quatro horas; 95 dB duas horas; 100 dB uma hora; 105 dB 30 minutos; 110 dB 15 minutos; 115 dB 7,5 minutos e 120 dB 3,75 minutos. 

A médica recomenda que as mães que trabalham em ambientes com altos ruídos sonoros não abram mão de usar os Equipamentos Individuais de Proteção (EPI). Eles são protetores auriculares ou abafadores. “Se você mora num ambiente muito barulhento, perto de estádios e etc, é recomendado usar janelas anti-ruídos, abafadores e outros”, recomenda.

Cuidados na copa

Segundo a otorrinolaringologista, a surdez é uma progressão geométrica e acumulativa. “Depende do volume do som e número de horas de exposição”, explica. 
Apesar disso, não é preciso oito horas de exposição para um possível prejuízo auditivo para a criança. A também responsável pelo Ambulatório de Surdez Súbita do Hospital das Clínicas faz um alerta para os barulhos causados pelas transmissões dos jogos da Copa do Mundo. “O barulho de um estádio de futebol com vuvuzelas e tudo mais pode chegar a 100 ou 115 decibéis, então o tempo de exposição não precisa ser grande. O pouco tempo já pode ser prejudicial para o bebê ou à gestante”, complementa.

Contraponto de estudos 

O “Estudo da audição de crianças de gestantes expostas ao ruído ocupacional: avaliação por emissões otoacústicas” realizado em 80 crianças avaliou os possíveis danos a essas crianças cujo a mãe esteve exposta a ambientes com ruídos excessivos. 

O estudo concluiu que “não tinha efeito nocivo do ruído na audição das crianças de mulheres que trabalharam expostas ao ruído ocupacional durante a gestação, avaliadas através das emissões otoacústicas - produto de distorção -, quando comparadas a crianças de mulheres não-expostas ao ruído ocupacional durante a gestação.”

Por outro lado, um estudo feito pelo Conselho Nacional de Saúde e Bem-Estar da Suécia com mais de 1,4 milhões de crianças avaliou que os filhos de gestantes expostos à ruídos acima de 85 dB tinham chance de 80% de risco de disfunção auditiva. 

Como reconhecer a surdez?

De acordo com o Ministério da Saúde, a cada 10 mil recém nascidos, 30 têm deficiência auditiva. No Brasil, assim que o bebê nasce ele é logo submetido ao teste da orelhinha. A triagem neonatal auditiva é feita geralmente três dias após o nascimento. 

A Lei nº 12.303, de 2 de agosto de 2010, obriga as maternidades, inclusive as do Sistema Único de Saúde (SUS), a realizarem o exame nos bebês de forma gratuita. Esse é apenas um dos exemplos de condutas que os pais podem seguir para reconhecer logo se o bebê tem pré-disposição para perdas auditivas ou não. 

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