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Extinção de Secretaria de Ciência e Tecnologia causará prejuízos ao Amazonas, afirma pesquisador

De acordo com funcionários do órgão, desde o final de 2014, reuniões internas vêm ocorrendo no sentido de preparar a pasta para a possível extinção 19/02/2015 às 08:24
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A Secti é responsável pela formulação, execução e acompanhamento das ações de fomento à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico no Estado
Janaína Andrade Manaus (AM)

O destino da Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia do Amazonas (Secti) no projeto de reforma administrativa do governador José Melo (Pros) preocupa a comunidade científica do Estado. Nos corredores da Secretaria, de acordo com funcionários do órgão, desde o final de 2014, reuniões internas vêm ocorrendo no sentido de preparar a pasta para a possível extinção. 

Entre as ações adotadas desde o final do ano passado, está a confecção de relatórios de projetos ainda em execução e pendências da Secti. O projeto que trata da reforma administrativa do governo Melo será encaminhado para a Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM) “após o feriado de Carnaval”, de acordo com a Agecom.

Apesar das informações de bastidores, procurada pela reportagem do A CRÍTICA, a titular da Secti, Ana Alcídia de Araújo Moraes, por meio de nota respondeu que “não recebeu nenhuma comunicação oficial sobre a extinção da secretaria. Portanto, não irá se manifestar sobre o assunto”.

A Secti é responsável pela formulação, execução e acompanhamento das ações de fomento à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico, com a promoção da defesa dos interesses voltados à melhoria da qualidade de vida no Estado. Desenvolve ações para integração dos sistemas de Ciência, Tecnologia e Inovação de modo a permitir, de forma estruturada, a busca da inovação, o alcance de novos mercados e a criação de emprego e renda. 

Para o diretor-geral do Museu da Amazônia (Musa), Ennio Candotti, “trabalho não falta para a Secti”. Segundo Candotti, a soma dos recursos aos cuidados políticos da Ciência e Tecnologia somam mais de R$ 1,5 bilhão por ano. Quantia, para ele, respeitável em um Estado que busca pontos de apoio para promover seu desenvolvimento. 

“Talvez falte uma maior sintonia com as Associações Empresariais da área da Suframa e do PAC, para que encontrem juntos na ciência, tecnologia e inovação e na boa formação de quadros qualificados, os pontos de apoio das alavancas do desenvolvimento do Estado. Cabe aos Governos, mas não só a eles, orientar e promover esta sintonia”, avaliou Ennio.

O pesquisador lembra que há “uma regra de ouro que convém lembrar nestes momentos de transição política”. “Os investimentos em CT&I têm períodos de maturação longos, de dez anos em média, maiores do que os ciclos políticos de quatro anos. O bom senso sugere que, na condução da política de C&T, se evitem sobressaltos e descontinuidades. Tudo o que foi semeado ao longo de anos pode ser perdido, em poucos segundos, com uma assinatura. Os danos demorarão 10 anos para serem recuperados. Secti ou não  Secti, eis a questão”, disse.

Prejuízo

“Acho que existe um prejuízo central nisso (na extinção da Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia do Amazonas (SECTI-AM), que é a eliminação de uma prioridade de política pública. Por que quando uma secretaria é criada, ela tem um foco de prioridades de políticas públicas, ou seja, vão tirar um foco da política pública. A ciência e a tecnologia deixariam de ser uma prioridade pública do Estado como política pública. Infelizmente, não há como se interferir nisso, pois é algo relacionado a objetivos políticos do governo atual. Mas acho que as instituições de pesquisa deveriam se pronunciar, como a Universidade Federal do amazonas (Ufam), a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), o Instituto Federal do Amazonas (Ifam),  porque toda a política de ciência e tecnologia do Estado é construída tomando o universo de pesquisadores do Estado como foco. A política de ciência e tecnologia é feita pela Secretaria de Estado, mas por certo o governador José Melo deve ter outras prioridades, mas é surpreendente saber disso”, disse Marilene Corrêa da Silva, socióloga e ex-reitora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) durante quatro anos. Hoje é professora e pesquisadora da Universidade Federal do Amazonas.

Retrocesso

"A extinção da SECTI seria um grande retrocesso. Seria algo lamentável. Estaríamos saindo, assim, na contramão do que o próprio governador José Melo falou sobre a questão do desenvolvimento do interior do estado, porque uma Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia proporciona o apoio necessário para pesquisa, projetos, formação de mão de obra especializada, doutorados, e todos nós precisamos no Amazonas da interiorização do desenvolvimento. Se ele (José Melo) extinguir cortando as atribuições e colocando em outra secretaria com outras prioridades vamos estar caminhando para trás dentro da ideia de explorar a biodiversidade, e outros tantos pontos. Portanto, repito, seria algo lamentável e teríamos aí um governo que estaria desprezando o conhecimento e a possibilidade de um futuro melhor para o nosso Estado", disse o deputado estadual José Ricardo.

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