Terça-feira, 22 de Outubro de 2019
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Facebook vai sinalizar propaganda eleitoral em posts pagos de candidatos

Eleitorado brasileiro terá acesso a biblioteca de anúncios na qual poderão ser acessados todos detalhes envolvendo a publicidade do candidato na plataforma. Brasil será o segundo país do mundo a dispor desta funcionalidade



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24/07/2018 às 14:41

A partir de 16 de agosto, os anúncios pagos por candidatos a cargos eletivos no Facebook poderão aparecer com a marcação de propaganda eleitoral. 

A novidade no Brasil foi anunciada na manhã desta segunda-feira, na sede do Facebook Brasil, em São Paulo, pela diretora global de engajamento com políticos e governos do Facebook, Katie Harbath. Na ocasião, ela também anunciou a disponibilidade ao eleitorado brasileiro de uma biblioteca de anúncios, na qual vão poder ser acessados todos os detalhes envolvendo a publicidade do candidato. O Brasil será o segundo país do mundo a dispor desta funcionalidade.



Esta será a primeira vez que candidatos terão direito a impulsionar conteúdos de maneira comercial nas redes sociais. Por isso, a plataforma demonstrou preocupação com a transparência dos conteúdos que serão apresentados no ‘feed’ de notícias dos usuários.



“Nós achamos que isso é muito importante porque há muitas empresas publicando anúncios, sejam eles políticos ou não”, explicou Katie. 

No âmbito da transparência, o principal avanço é a criação da Biblioteca de Anúncios. Lá, o eleitor, com uma simples consulta, poderá saber quem pagou por aquela propaganda, quanto foi gasto e inclusive alguns dados sobre o alcance do anúncio serão revelados, como o número de impressões, por exemplo. “Na biblioteca você poderá consultar todos os dados sobre anúncios referentes a determinado candidato, tanto os produzidos por ele quanto pela oposição”, afirmou Katie, destacando que os dados ficarão disponíveis por sete anos na plataforma. 

Registro

A partir do dia 31 de julho, os candidatos já poderão se registrar na rede social para que seus anúncios sejam marcados como eleitorais, o que exige um processo de segurança mais rigoroso que o normal para confirmar todos os dados, como a exigência de um documento de identidade e dois fatores de autenticação para acessar aquela conta. 

Como a funcionalidade é nova e esta ainda é a primeira eleição no Brasil com publicidade paga nas redes sociais, ainda não há um consenso se todos os anúncios de candidatos no Facebook e Instagram deverão, obrigatoriamente, ser marcados como propaganda eleitoral. “Vamos dar todas as ferramentas a eles e aguardar os feedbacks. Por isso estamos em parceria com a justiça eleitoral e vamos fazer treinamentos com os candidatos. O dever deles é cumprir as leis e nós queremos dar os caminhos para isso”.

Engajamento cívico

Um dos novos caminhos propostos pelo Facebook para colaborar na relação entre político e eleitorado é o lançamento no Brasil de uma funcionalidade chamada Temas, que já está ativa nas páginas de conteúdo político. Ela permite que os candidatos preencham aquilo que pensam sobre determinado tema, para que o eleitor busque a opinião daquele político sobre o assunto.  

Seguindo nesta proposta de engajamento cívico, o Facebook deve lançar ainda antes das eleições o recurso Town Hall, que permitirá aos usuários localizar,  seguir e contatar os representantes de uma determinada cidade ou Estado do País. “Estamos muito animados de lançar estas ferramentas aqui. Há milhares de pessoas trabalhando na companhia em prol da integridade da plataforma e para amplificar bons conteúdos. Estamos levando isso muito a sério”, enfatizou Katie. 

Fake News

A diretora global do Facebook também reforçou o compromisso da empresa em combater a massificação das fake news na plataforma. A intenção, segundo Katie Harbath, é preservar a integridade do processo eleitoral na rede social. “Queremos conectar as pessoas com responsabilidade. Aconteceram coisas em 2016 que não deveriam ter acontecido”, afirmou ela, relembrando as eleições norte-americanas de 2016, onde fake news foram potencializadas, a maior parte favoráveis ao presidente eleito Donald Trump. 

De acordo com ela, o Facebook tem retirado constantemente conteúdos que violam as políticas de uso da rede social e minimizado o alcance de outros que, mesmo não violando diretamente, tratam assuntos com sensacionalismo e sem a apuração técnica necessária. “Estamos tentando buscar um meio-termo entre a liberdade de expressão e uma comunicação responsável”. 

Neste processo de combate às fake news, a empresa tem financiado projetos de checagem de fatos e também o programa colaborativo Comprova, que reúne 24 organizações de mídia comprometidas a verificar notícias durante a campanha eleitoral. “Nos juntamos a outras organizações porque sabemos que não podemos fazer isso sozinhos. Não podemos pensar que somos os únicos que podem resolver esse problema”.

*Jornalista viajou a convite do Facebook Brasil.


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