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Faculdades de Manaus atraem empreendedores informais que vendem alimentos

Bolos, salgadinhos, refrigerantes, ‘churrasquinhos de gato’, cachorro-quente ou  pequenas lojas de roupa: vale tudo na hora de ‘fazer um trocado’, aproveitando a grande quantidade de universitários que frequentam as faculdades particulares 27/06/2015 às 19:57
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Comida de rua faz sucesso nas proximidades das faculdades de Manaus
Náferson Cruz Manaus (AM)

Quando o mercado de trabalho é escasso o jeito é improvisar para manter as contas em dia e procurar outra profissão para sobreviver. Parte desse público encontrou no comércio informal armado em frente às faculdades e escolas, a alternativa como fonte de renda.

Com um público variado, entre professores, universitários e trabalhadores, cada vez mais, este tipo de mercado vem ganhando espaço. A oferta de produtos no início da noite, chama a atenção de quem passa pelas vias onde estão localizadas as unidades educacionais.

O cardápio deste comércio é bem variado. Ele dispõe de  cachorros-quentes (kikão), churrasquinho, salgados, sopa, yakisoba, açaí no copo, tacacá, milk shake, sorvete, sobremesas e sanduíches, além de roupas e bijuterias. 

Formada em sociologia, Jaqueline Mendonça, 33, é mãe de três filhos, e encontrou na venda de salgados uma forma de ganhar dinheiro. “Estudei para ser assistente social, mas faltam vagas no mercado de trabalho e quando há o salário é pouco. O exemplo são os concursos que sempre disponibilizam somente uma vaga. Mas a dificuldade não me impediu de crescer profissionalmente e hoje a família inteira trabalha com a venda de lanche”, contou. 

A atividade exige trabalho e atenção de todos. A família produz 200 salgados, que são fornecidos para uma escola e duas   faculdades particulares da capital, por dia. Um dos  pontos está  localizado na avenida Professor Nilton Lins,  nas proximidades do Centro Universitário Nilton  Lins, no Parque das Laranjeiras, Zona Centro-Sul.

Como Jaqueline, José Carlos, 45, o “Baixinho do Kikão”, trabalha das 17h30 às 19h, de segunda a sexta-feira. Dentro desse período vende, pelo menos, 80 kikões por dia a R$ 3 cada. O crescimento, contudo, não significa que ele vai deixar seu carrinho. “Vou continuar vendendo kikão na rua porque aqui é a minha raiz e raiz a gente não deixa”, defende ele, bastante orgulhoso.

José Carlos, o “Baixinho do Kikão”, desponta com a venda de 80 kikões por dia. Ele também atua na avenida Joaquim Nabuco (Foto: Aguillar Abecassis)

Baixinho do Kikão disse que atua neste mercado há mais de 15 anos. Na avenida Joaquim Nabuco, em frente à Uninorte,  onde ele  costuma estacionar seu carrinho de lanche. Minutos depois, os bancos plásticos ficam tomados pelos estudantes. “Fico em média duas horas neste ponto, tempo suficiente para a venda”, disse o vendedor, que preferiu abandonar a carreira no funcionalismo público para atuar com a venda informal.

Diversidade

Outro ponto bastante assediado pelos estudantes, professores e outros trabalhadores, na avenida Joaquim Nabuco,  é o de Elza Ferreira, 54, conhecida pelos estudantes como “Tia Elza do Tacacá”, atua  há dez anos com a venda de guloseimas. Ela conta que a forma de trabalhar na rua foi alternativa encontrada por ela. “Com a falta de emprego em tempos difíceis, não tive outra saída”, comentou.

A barraca de Tia Elza localizada em ponto estratégico, bem ao lado de uma unidade escolar, está entre as mais procuradas. “Costumo vir aqui quase todos os dias devido ao cardápio diversificado e pelo bom atendimento”, disse Rômulo Almeida, estudante universitário.

Estudantes apoiam o comércio

Na opinião de Elys da Silva Torres, 23, também estudante universitária, atualmente, curso superior abre muitas oportunidades, porém nem todos os profissionais formados têm a sorte de conseguir aquele almejado emprego, muitas vezes devido à falta de experiência e acabam partindo para outras alternativas.

O diversificado  mercado de guloseimas para a maioria dos estudantes,  é indispensável, uma vez que as unidades escolares não dispunham dessa variedade. “Eles sabem agradar o cliente, muitos desses vendedores ganharam a simpatia dos estudantes, além dos diversos produtos eles oferecem um preço acessível”, disse Adriano Lima, 26, universitário.

Ele contou ainda que conheceu uma pessoa que conseguiu comprar carro e sustentar a família com cachorro-quente. “É um trabalho honesto e admirável”, destaca.

Blog: Ana Kimura

Vendedora e proprietária do Nippon Food

"Morei mais de 20  anos no Japão e decidimos  vir morar no Brasil. Devido a falta de emprego e as dificuldades encontradas investimos no ramo de alimentos e, logo depois, decidimos atuar no mercado informal com a venda de yakisoba", diz.

Food Trucks: ramo escolhido por Ana Kimura para atender os estudantes com yakisoba e outros pratos da culinária japonesa (Foto: Aguilar Abecassis)

"Estamos nesse ramo há cinco anos. Para melhorar ainda mais o atendimento adquirimos um veículo que comportasse todos os equipamentos utilizados para a preparação do alimento e passamos a atuar com o Food Trucks, na avenida Joaquim Nabuco. Isso fez com que tivéssemos uma elevação nas vendas. São em média de 150 a 200 pratos por dia, a R$ 8 cada. Tudo isso é prazeroso porque é uma área com a qual me identifico, porém a responsabilidade é grande, pois trabalhar com alimento não é fácil, exige toda uma dedicação e amor, somente assim agradamos os mais variados clientes que atendemos em frente às escolas”, completa Kimura.

Dicas para fluir o negócio

O educador financeiro Reinaldo Domingos, autor do best seller “Terapia Financeira” e de outros livros lançados por sua própria editora, a DSOP, dá as dicas para que  vendedores informais obtenham êxito em seus negócios.

Ele destaca que qualquer pessoa que queira manter uma relação mais inteligente com o dinheiro, pode desenvolvê-la sem muitos problemas. “É preciso que estas pessoas  estejam envolvidas e motivadas a realizarem seus sonhos, assim, elas terão estímulos para reduzirem os gastos mensais”, recomenda.

Outra  dica é que a pessoa interessada em não perder as rédeas de suas finanças precisa fazer um diagnóstico financeiro e descobrir para onde está indo cada centavo do dinheiro.

Ele adverte que não se trata de matemática, planilhas e cálculos, mas sim hábitos e costumes. Por isso, o momento de sentar com toda a família não deve ser encarado como uma reunião de corte de gastos, mas sim de projeções de ganhos e objetivos realizados.

Também é importante, segundo Reinaldo Domingos, que se mostre que na maioria das vezes a economia se dá em pequenos gastos, que na maioria das vezes a pessoa nem percebe que existe excessos neles.

“Há muitas oportunidades no mercado, por isso, se não tiver com objetivos bem traçados, tudo se tornará mais complicado. Sempre defendo a educação financeira como sendo de extrema importância para a formação de uma sociedade, ainda mais quando se trata de uma população com espírito empreendedor, como é o caso da brasileira: se a pessoa aprendeu a lidar com as finanças pessoais, certamente, terá muito mais base para administrar as de sua empresa”.

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