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Falsas pesquisas de intenção de voto podem influenciar e enganar ‘indecisos’ durante votação

É comum se ouvir dizer que eleitores escolherão candidato que está na frente nas pesquisas para não desperdiçar voto. Entretanto, tal forma “esperta” de escolher representante político pode ser “furada” 04/10/2014 às 15:55
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Para “pescar” o voto de eleitor “indeciso”, candidatos utilizam pesquisas de intenção de voto
VINICIUS LEAL Manaus (AM)

Panfletagem, propagandas eleitorais na TV ou rádio, bandeiradas nas ruas e até mensagens em redes sociais se tornaram ferramentas comuns para candidatos pedirem voto durante período eleitoral. Os elegíveis fazem de “tudo um pouco” para chamar a atenção do eleitor, inclusive para conquistar o voto daqueles eleitores que ainda não sabem em quem votar.

A poucas horas antes da eleição de domingo (5), dezenas ainda não sabem quais cinco candidatos escolher para os cargos de deputado estadual, deputado federal, governador, senador e presidente da República. Para votar, alguns desses eleitores levam em conta critérios como semelhança  com ideias e opiniões de candidato, propostas de governo, afinidade e também por partido ou coligação.

Para “pescar” o voto desse eleitor “indeciso”, uma estratégia é comumente usada por candidatos: as pesquisas eleitorais. A divulgação das projeções e intenções de voto podem tanto simplesmente informar em que posição cada candidato está na disputa eleitoral por região, como também influenciar na escolha do voto dos “indecisos”.

É comum se ouvir dizer que eleitores escolherão o candidato que está na frente nas pesquisas para não desperdiçar o voto. Entretanto, essa forma “esperta” de escolher um representante político pode se tornar uma “furada”. Diversas falsas pesquisas de intenção de voto foram divulgadas em Manaus e no interior para enganar e “puxar” o eleitor para candidato X ou Y.

Números alterados, porcentagens inventadas e até erros com nomes de candidatos foram espalhados em pesquisas enganosas que circularam no mês de setembro através do aplicativo de mensagens de celular WhatsApp. No interior do Amazonas, panfletos foram distribuídos com falsas pesquisas até para pressionar acordos e coligações políticas com prefeitos locais.

Uma edição da coluna SIM & NÃO do jornal A CRÍTICA foi usada para enganar o eleitor do interior do Amazonas. Números de pesquisa eleitoral para governador divulgados em edição de setembro foram alterados e reimpressos com novos dados em panfletos distribuídos em municípios. A credibilidade do jornal foi utilizada para ludibriar o eleitor.

Entretanto, não “cair” na mentira dessas falsas pesquisas pode ser mais fácil do que se imagina. Cada pesquisa de opinião e intenção de voto, para ter validade, deve ser registrada na Justiça Eleitoral, ou seja, no Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), conforme a Resolução nº 23.400 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de 17 de dezembro de 2013.

Apenas após passar cinco dias do registro dessa pesquisa no TRE-AM que a empresa de opinião pública pode divulgar os resultados de intenção de voto em sites, jornais, televisão e rádio. Cada pesquisa recebe um número de registro do Tribunal, e através dessa sequência de números é possível consultar o conteúdo da pesquisa no site do TRE. Se uma pesquisa não possui tal número de cadastro, ela não foi registrada e não tem validade.

As pesquisas enganosas - a maioria divulgada através de mensagens de celular e em panfletos - podem ser denunciadas no Ministério Público Federal (MPF), responsável por investigar crimes eleitorais. Se algum candidato for pego propagando falsa pesquisa, ele pode responder judicialmente junto à Corte Eleitoral por crime contra democracia.

“A divulgação de pesquisa fraudulenta constitui crime, punível com detenção de seis meses a um ano e multa no valor de R$ 50 a R$ 100 mil”, consta no parágrafo 4º do artigo 33 da Lei nº 9.504/1997. As falsas pesquisas podem ser denunciadas no Ministério Público Eleitoral, pela internet, no atendimento presencial de segunda a sexta, de 8h às 19h, na sede do órgão (av. André Araújo, Aleixo, Zona Centro-Sul) e pelo fax (92) 2129-4689.

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