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Falta de apoio de partidos emperra participação de mulheres nas eleições de 2014

Pesquisa realizada pelo DataSenado mostra que muitas mulheres não se candidatam porque não têm apoio dos partidos políticos para um cargo eletivo 03/10/2014 às 11:02
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Das 26.170 candidaturas aos cargos de deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente da República, em disputa, no próximo domingo, 31,07% são compostas de mulheres
ANTÔNIO PAULO BRASÍLIA (SUCURSAL)

Os partidos políticos cumpriram a cota mínima de 30% estabelecida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o número de mulheres nas eleições de 2014. Das 26.170 candidaturas a todos os cargos em disputa, no próximo domingo, 31,07% são de mulheres. O número é quase 50% maior que no pleito de 2010. Apesar disso, sete de cada dez postulantes a uma vaga nas eleições deste ano são homens. Dentre todos os cargos em disputa nessas eleições, 18.039 são do sexo masculino contra 8.131 do sexo feminino. No Estado do Amazonas, concorrem 759 candidatos, dos quais 235 são mulheres e 524 homens.

A participação das mulheres na política foi alvo de uma pesquisa do DataSenado, com apoio da Procuradoria Especial da Mulher, divulgada nesta quinta-feira (2). O levantamento revela que a falta de apoio dos partidos políticos é o principal motivo que leva uma mulher a não se candidatar para um cargo eletivo. As mulheres que apontaram esse motivo somam 41% dos entrevistados. As entrevistas com 1.091 pessoas, entre homens e mulheres de todo Brasil, de 16 anos ou mais, foram feitas por telefone entre os dias 12 de agosto e 3 de setembro deste ano.

A falta de interesse por política aparece em segundo lugar (23%) e a dificuldade de concorrer com homens, em terceiro (19%), entre os motivos que restringem a participação da mulher na política. A falta de apoio da família e as tarefas domésticas são pouco citadas, ficando apenas com 6% e 5% das respostas, respectivamente.

A pesquisa DataSenado leva a crer que há uma demanda reprimida de mulheres possíveis candidatas: 12% das entrevistadas afirmam que já pensaram seriamente em se candidatar, mas nunca levaram esse projeto adiante. Os dados do DataSenado revelam também que não são os afazeres domésticos e as responsabilidades com a família que têm afastado as mulheres da carreira política. Ao que tudo indica, as mulheres estariam se distanciando de uma candidatura porque mantevem as dificuldades enfrentadas dentro dos partidos políticos, com a falta de apoio, e consequentemente pela falta de competitividade em relação aos seus concorrentes do sexo masculino.

A própria falta de interesse por política, apontada como a segunda principal causa, pode ser decorrente desses outros dois fatores. A porcentagem de mulheres que manifestam alto interesse por política (13%) está 15 pontos percentuais abaixo dos homens (28%).

Segundo a consultora legislativa, Maria Alves, a pesquisa do DataSenado reforça a tese da Procuradoria da Mulher do Senado de que a legislação em vigor tem sido insuficiente para garantir uma participação mais igualitária da mulher na política.

Gênero não determina o voto

A pesquisa, intitulada “A Representação da Mulher na Política Brasileira” revelou que os brasileiros não decidem o voto baseado em gênero. Para 83% dos entrevistados, na hora de escolher alguém para votar, o sexo do candidato não faz diferença. Para reforçar que não levam em conta o gênero, 79% alegam já ter votado em alguma mulher para ocupar um cargo político.

A eleição, em 2010, da presidente Dilma Rousseff contribuiu para influenciar os eleitores a votarem em mais mulheres, conforme a pesquisa. Foi o que afirmaram 65% dos entrevistados. Entre aqueles que consideram que o gênero é determinante nessa escolha (um total de 12% dos entrevistados) 49% disseram que preferem votar em mulheres; 38% em homens.

Entre os 12 candidatos a presidente, este ano, há três mulheres; e quatro candidatas nas chapas de vice-presidente. “Da parte do eleitorado não há qualquer impedimento ou restrição à participação das mulheres na política. O eleitorado não apenas está disposto a votar em mais mulheres como ele não considera o sexo na hora de optar. Muitos indícios, aliás, dizem que quando há predileção, ela é inclusive por mulheres”, observou Cortez.

Quase 50% ignora legislação

O DataSenado constatou haver considerável desconhecimento da legislação que busca dar mais direitos à mulher na política: 46% dos entrevistados afirmou desconhecê-la. Apesar disso, projetos de lei com o objetivo de conferir maior igualdade entre os sexos foram bem recebidos.

A proposta de paridade entre os sexos nas listas de candidatos dos partidos (ou seja, metade das vagas nas listas para os homens e metade para as mulheres), por exemplo, recebeu apoio de 71% dos entrevistados. Já a punição aos partidos que descumprirem as cotas mínimas por sexo teve apoio de 66%. Por fim, a reserva de um terço dos cargos políticos do Senado para mulheres teve 69% de pessoas a favor.

O Brasil ocupa atualmente a 131ª posição num ranking de 189 países, classificados pela União Inter-Parlamentar (IPU) de acordo com o percentual de mulheres nos parlamentos nacionais. Além disso, os partidos brasileiros apresentam dificuldade, eleição após eleição, para preencher a cota mínima de 30% de candidaturas por sexo – o que na prática significa não registrar o mínimo de candidatas mulheres previsto por lei.


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