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Falta de médicos especialistas não está na lista de prioridades de Susam e Semsa para 2015

Para os populares e profissionais que atuam na área da Saúde, a falta de médicos especialistas está entre os mais graves obstáculos enfretados no Amazonas. 31/12/2014 às 10:51
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Médicos especialistas estão em falta no Amazonas
Cynthia Blink Manaus (Am)

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A falta de médicos especialistas é apontada por populares e profissionais da área da saúde como o maior problema de Manaus e do Amazonas na área da Saúde. Problema que, em 2015, pode permanecer sem solução, segundo os responsáveis, tendo em vista que não há nenhum concurso previsto para começar no próximo ano e o programa do Governo Federal “Mais Médicos” não será ampliado no Estado. Concurso em fase final, porém, prevê 850 vagas para profissionais de saúde.

"É uma adversidade nacional e por aqui não é diferente. Hoje nós temos poucos médicos especialistas e todos trabalhando com a carga horária máxima”, afirma o secretário Municipal de Saúde, Homero de Miranda Leão. Ele também adianta que, se houver concurso da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa) em 2015, não será com vagas para médicos.

O secretário de Saúde do Estado (Susam), Wilson Alecrim, também reconhece a falha. “É verdade que faltam médicos especialistas. Até para preencher a escala do plantão é difícil”. Mas ele também adianta que não está previsto nenhum concurso para 2015, informa que o programa Mais Médicos não será ampliado e culpa os municípios por agravar o problema. “Se a saúde básica, que é responsabilidade da prefeitura, funcionasse como deveria, não sofreríamos tanto com a falta de médicos especialistas porque haveria prevenção”, afirmou.

Alecrim anuncia que o programa Pronto Especialista, previsto para 2015, deve assegurar a permanência de uma equipe ampliada de médicos especialistas durante todo mês através de sistema de rodízio quinzenal, nos municípios polo do estado do Amazonas.

Concurso em fase final, porém, prevê 850 vagas para especialistas em diversas áreas de saúde - o certame teve início ainda em 2014 e deve ser concluído no começo do ano, com a convocação dos aprovados. “Existe a possibilidade de fazermos um concurso para os técnicos, mas ainda não é possível confirmar”, avisou Leão, secretário da Semsa.

Filas

Secretários de Saúde do Estado e Município, Wilson Alecrim e Homero de Miranda Leão reconhecem as falhas dos sistemas, mas garantem que, mesmo assim, são usuários do Sistema  Único de Saúde (SUS). “Claro que  uso o SUS!”, afirmou Alecrim. Já Homero garante que não apenas ele como a família toda é usuária do SUS. “Sou sim. É o melhor que serviço que existe”, justifica. 

Mas quem reclama das filas nas unidades públicas de saúde não concorda com os secretários. A demora para a realização de atendimento, exame ou mesmo para se obter o resultado de um exame também afeta muitos  usuários do serviço público, mas para Alecrim isso acontece porque aquele atendimento não é, de fato, uma urgência.

“Manaus tem um serviço de urgência privilegiado. Não falta médico no pronto socorro e o agendamento só acontece quando não existe urgência. Se for uma urgência, a pessoa é atendida e faz todos os exames no mesmo dia”, garante o secretário da Susam.

Desinformação

Para ele, as pessoas não sabem que existe o serviço básico de Saúde e, como observam o pronto socorro funcionando bem, optam por esse serviço. “É por isso que hospital 28 de Agosto tem apenas 55% de emergência. o resto não é caso para o pronto socorro”, diz Alecrim, que enfatiza: “Não é culpa das pessoas, o serviço do município tem que atuar com mais intensidade. É preciso que a população consiga identificar quando deve ir a um pronto socorro e quando deve se dirigir para uma UBS”.

Outro fator que aumenta a demanda de exames é o fato da expectativa de vida ter aumentando nos últimos anos. “É inevitável que as pessoas sofram com mais doenças típicas dos idosos”, determina o secretário da Susam.Uma das metas da Semsa para 2015 é ampliar a cobertura de atendimento em Manaus, de 49,02% para 58%, com a inauguração de nove Unidades Básicas de Saúde (UBS) e medidas que ampliarão a atuação da prefeitura no campo da Saúde.

Remuneração vergonhosa

Segundo afirmam os médicos especialistas, a dificuldade do Sistema Único de Saúde (SUS) em contratar esses profissionais está na remuneração, classificada pela categoria como vergonhosa.

Procedimentos

Em 2013, foi publicado no site do Conselho Federal de Medicina (CFM) um texto assinado pelo Dr. Abdon Murad, em que o cirurgião critica as condições em que os pacientes do SUS se encontram e a tabela de remuneração dos procedimentos médicos e hospitalares pelo SUS.

Durante o texto, é citado o valor recebido pelos especialistas em procedimentos como: Herniorrafia Umbilical: valor pago para os três médicos responsáveis pela realização da cirurgia: R$ 136; Histerectomia Total (retirada do útero): os três médicos o SUS, por meio de sua tabela, paga R$ 221,71; Postectomia: (cura de fimose): os médicos receberão R$ 121,40, já para realizar uma Perineoplastia: valor pago aos três médicos: R$ 174,31; 

Reajuste

Ainda segundo o cirurgião, esta realidade tem vários culpados e, desses, o maior é o Governo Federal que  não dá o urgente e necessário reajuste.

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