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Cotidiano
Educador

Familiares, amigos, colegas e ex-alunos se despedem do professor Orígenes Martins

Uma das personalidades mais importantes da educação no Estado, Orígenes Angelitino Martins, 89, faleceu hoje e deixa um legado único para o Amazonas 26/08/2016 às 18:06 - Atualizado em 26/08/2016 às 18:10
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Ele deixa esposa, Berenice Magalhães Martins, sete filhos, 18 netos e seis bisnetos (Aguilar Abecassis)
Vinicius Leal Manaus (AM)

Tomados por emoção e saudade, familiares e amigos, colegas de profissão e ex-alunos se reuniram na tarde desta sexta-feira (26), no Palácio Rio Negro, em Manaus, para velar o corpo do professor Orígenes Angelitino Martins, 89, falecido hoje e que foi uma das personalidades mais importantes da educação no Estado. Há mais de um ano ele enfrentava doenças no sangue e no rim, mas sempre rodeado de pessoas mantinha o carisma e a alegria únicos dele.

Ele deixa esposa, Berenice Magalhães Martins, sete filhos, 18 netos e seis bisnetos. “A família estava toda perto”, explicou Marcus Vinicius Brito Martins, 37, neto. “O meu avô foi um cara espetacular. Ele é uma das poucas pessoas que pode dizer que realizou ‘uma vida inteira’. Desde a infância muito pobre até construir uma grande instituição, ajudou pessoas, promoveu educação de qualidade, deu bolsas de estudo, escreveu livros, viajou o mundo todo, plantou árvores. Fez o bem para muita gente e deixou um legado”, resumiu.

Pedagogo, escritor e teólogo, Orígenes fundou o Centro Integrado de Educação Christus (CIEC) e co-fundou o Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (Ciesa) – tradicionais instituições de ensino da capital. Ele também foi professor universitário, educador no Instituto de Educação do Amazonas (IEA), secretário de Educação do Estado, membro fundador da Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas (Alcear) e membro do Instituto Cultural Brasil Estados Unidos (ICBEU). Orígenes também lançou mais de dez livros, além de ter sido um exímio colecionador de filmes e discos de vinil – mais de 9 mil – e amante da fotografia.

Nascido no interior do Amazonas, no Careiro, em 1927, Orígenes veio para Manaus ainda pequeno para estudar e se tornar padre no Seminário São José, no Centro. Mas no caminho ele conheceu a dona Benerice, cearense. Ele estudou teologia, pedagogia morou um tempo em Fortaleza (CE) com a esposa e, quando voltou à capital amazonense, iniciou uma trajetória única na educação no Estado.

“Ele retornou a Manaus em 1954 e trouxe ideias modernas (de Fortaleza) para a educação. O Christus foi uma revolução. Hoje não, todos já fazem”, contou o também professor e ex-colega de CIEC Carlos Eduardo de Souza Gonçalves, 80. “Trabalhamos juntos mais de 35 anos no Christus. Mas eu o conheço desde os 11 anos de idade, no Seminário. Na época ele tinha uns 19 anos. E o CIEC foi o primeiro colégio a humanizar as fardas, não era um uniforme. Ele trabalhava também muito com o canto e o esporte dentro da escola e a pedagogia mesmo, as maneiras novas de ensino. Foi um marco”, lembra.

Após o velório do professor, familiares e amigos seguiram em cortejo fúnebre para o cemitério São João Batista, na avenida Boulevard Álvaro Maia, na Zona Centro-Sul de Manaus, onde o professor Orígenes Martins foi sepultado.

Nota de pesar

O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado do Estado do Amazonas (Sinepe/AM) manifestou profundo pesar pelo falecimento do professor Orígenes Angelitino Martins. “Orígenes contribuiu para a formação de grandes intelectuais e profissionais da sociedade local. Reconhecendo sua incontestável dedicação à educação amazonense, o Sinepe/AM expressa solidariedade à família do professor”.

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