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Famílias mudam hábitos para controlar o orçamento familiar durante a crise

Levantamento comprova que 56% das famílias brasileiras estão mudando hábitos “supérfluos”, como lazer e alimentação, para “vencer” o resultado da inflação 08/02/2016 às 16:59
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Amazonenses estão indo menos a restaurantes na tentativa de economizar dinheiro
Saadya Jezine Manaus (AM)

Mais da metade dos brasileiros reduziram o consumo de produtos e serviços. É o que comprovou a pesquisa realizada pela Mintel, em janeiro deste ano. O levantamento comprovou que 56% cortaram custos principalmente referentes a gastos com alimentação fora de casa (33%), saídas para entretenimento (29%), e práticas esportivas, como mensalidade em academias (23%).  

A comerciária Célia de Oliveira Soares faz parte dessa porcentagem que mudou hábitos a fim de otimizar o orçamento familiar. “Coisas básicas que colocando na ponta do lápis, faz a diferença. Antes passávamos roupas sempre que terminávamos de lavar. Hoje, com o aumento na conta de energia elétrica, só passamos as peças quando vamos sair com elas”, destaca.

Faixa Etária

A pesquisa indica que os mais jovens – pertencentes à classe média –, com idades entre 16 e 34 anos estão comprando mais quando comparado as outras faixas etárias. O gasto está voltado para produtos não essenciais, de marcas conhecidas (27%), e gastos com restaurantes e fast foods (24%). Segundo Mintel, houve uma queda nos padrões de consumo em todos os grupos pesquisados.

Na contramão dessa porcentagem de jovens tem a Flávia Rocha, que poupa os gastos com “supérfluos”, como ela mesma caracteriza, para investir na carreira profissional. “Comecei a economizar na gasolina, depois em gastos com restaurante. Estava estagnada no emprego e decidi que precisava fazer algo para mudar esse cenário”, destaca a estudante de economia que pretende investir a sua economia em um intercâmbio de idiomas de 8 meses na África do Sul. “É um retorno em médio prazo”, complementa.

A empresária, Samantha Oliveira do Carmo, destaca atitudes que mudou não somente o seu hábito, mas o de toda a sua família. A principal é colocar as contas na “ponta do lápis”. Segundo ela, o controle é fundamental para saber onde o dinheiro está sendo gasto de maneira descontrolada e como reduzir essa despesa, aplicando em coisas de “necessidades fundamentais”. “Hoje, consigo pagar o plano de saúde dos meus filhos, que antes, não era possível”, destaca.

Além disso, a empresária  modificou o passei dos filhos semanais em shoppings, cinemas, para balneários que têm uma taxa, ou espaços públicos. “Desse modo, eu consigo comprar roupas para eles, que é algo necessário”, afirma Samantha.

Empresas

Com o cenário atual, que consiste em consumidores comprando a mesma quantidade ou menos, as empresas devem se adaptar a realidade. Segundo Andre Euphrasio, analista de pesquisa da Mintel, a recessão é o motivo para o controle consumista. Dessa maneira, as empresas – para se manterem no mercado – precisam montar novas estratégias para atrair e manter a atenção dos consumidores. “Eu não tenho medo da crise, é como se ela filtrasse os que levam a sério seus negócios. Estamos preparados para superar e mais que isso, se destacar entre as empresas que concorrem com a gente”, destaca Ricardo Borba, empresário do setor de calçados.

 Variações

Outro fator que também foi incorporado aos hábitos econômicos dos brasileiros, segundo destaca o economista Igor Gonçalves, foi a pesquisa de preço, principalmente em produtos que fazem parte do orçamento mensal da casa, mas que apresentam variações de preços muito rápidas. “A organização é primordial nesse momento considerado como crise. Além das famílias estarem reduzindo gastos com produtos considerados não essenciais, elas já passam a utilizar o processo de estocagem. Vão ao supermercado, verificam na lista que o valor está mais acessível que na semana anterior, e compram em maior quantidade, e deixam de lado os que apresentaram alta significativa. A maturidade econômica nos brasileiros está chegando como fruto da necessidade de segurar gastos. É assim que as sociedades superaram os momentos de crise”, destaca Igor Gonçalves, economista. 


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