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‘Farei um governo técnico’, afirma José Melo em entrevista

Governador anuncia projetos para 2015, reforça atuação em conjunto com o prefeito de Manaus e diz que priorizará, na composição de sua equipe a formação técnica para melhorar a prestação de serviços 28/12/2014 às 04:01 - Atualizado em 01/05/2016 às 15:11
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José Melo
luciano falbo ---

Ao iniciar o novo mandato a partir de 2015, o governador José Melo (Pros)  afirma que a reforma administrativa que pretende fazer no governo tem como principal objetivo reduzir custos para aumentar o nível de investimentos.

Melo revela que sua preocupação é em cumprir todas as promessa de campanha em apenas quatro anos. Ao mesmo tempo em que afirma que fará um governo técnico, José Melo também ressalta que não mexerá na “espinha dorsal” da sua equipe. A seguir, confira trechos da entrevista.   

Que medidas o senhor vai tomar para desenvolver social e economicamente o interior?

Quase 80% da economia do Amazonas gira em torno de Manaus. As potencialidades do interior são muitas. Só que grande parte delas só podem ser desenvolvidas de médio a longo prazo, como a mineração e a produção de fármacos. Mas, algumas atividades podem ser implantadas em curto prazo, como a criação de peixes de cativeiro. Pretendo incentivar de maneira muito forte. Essa será a minha política número um para o interior porque sei que os resultados em um ano serão colhidos. Paralelamente, vou investir na fruticultura, sobretudo o açaí, que hoje tem mercado mundial. De médio para longo prazo, para o interior, vamos focar na mineração. Isso vai demorar, mas o nosso governo vai dar o incentivo para iniciar esse processo. Teremos ainda um polo de cosméticos, em Itacoatiara ou em Manacapuru. Vamos continuar com os investimentos de melhoria das ruas e vicinais, implantar as escolas de tempo integral, reequipar os hospitais e implantar os 14 polos da saúde. Vamos trabalhar para equilibrar a economia.

Governos anteriores tiveram grandes programas para interior. Qual a sua avaliação desses programas?

Eu não quero criar nenhuma mística através de um nome. Cada um desses programas foi importante ao seu tempo. Na época em que o Amazonino criou o Terceiro Ciclo, distribuir machado, terçado, enxada era importante porque o interior não tinha nada. O Zona Franca Verde também cumpriu o seu papel. Agora, o Omar foi mais específico com o Amazonas Rural porque ele juntou assistência técnica com financiamento, com escoamento. Foi mais consistente. Foram lançados os primeiros embriões do desenvolvimento para que a gente possa aumentar esse horizonte.

O senhor tem valores de investimentos para o setor rural em 2015?

Tenho uma proposta sendo avaliada na Corporação Andina de Fomento de cerca U$$ 300 milhões para asfaltamento de vicinais. Com isto, a gente abre os caminhos da produção. Tem outro financiamento da ordem U$$ 200 milhões que é para colocar as culturas dentro dessas vicinais. Quero também mecanizar as áreas degradadas e trazer para o Amazonas a mandioca melhorada.

E como será o trabalho do governo em relação à capital?

Ao tempo que eu tenho esse olhar preocupado com o interior, até porque lá as dificuldades são maiores, também tenho compromissos e um olhar firme com Manaus. Para os investimentos em infraestrutura, tenho que sentar com o prefeito Artur Neto e nós vamos fazer uma ação compartilhada. Isso foi iniciado com o Omar e eu dei continuidade. O melhor resultado dessa parceria foi o sucesso que teve a realização da Copa do Mundo em Manaus. Vamos continuar com os investimentos e com a parceria.

Vamos inaugurar o Hospital da Zona Norte em julho, com 300 leitos. Vamos ampliar outras cinco unidades de saúde na capital para mais 600 leitos. Serão 900 novos leitos em 2015. Vamos construir dois novos centros de convivência, um na Zona Norte, outra na Leste. Também vamos construir duas novas grandes unidades do Cetam para ancorar os cursos que são demandas da Zona Franca, abrindo um leque de novas atividades.

Olhando do ponto de vista da eleição, Manaus respondeu muito mais positivamente para mim do que o próprio interior. Então, isso impõe a mim muitos compromissos com a cidade. Mas, por coerência, vou olhar com carinho o interior, buscando aquele equilíbrio econômico.

Quando o ex-governador Omar Aziz assumiu o governo junto com o senhor, ele reclamou de dívidas deixadas pelo antecessor. No seu novo governo, o que o senhor recebe de herança?

O Omar e eu recebemos muitas dívidas mesmo. Encaramos aquilo com muita seriedade. Pagamos tudo e perdemos um ano de governo. No primeiro ano, tivemos que pagar a ponte, o Proama, a contrapartida em relação ao Prosamim. Diferentemente do Omar, eu recebo um governo equilibrado, muito bem avaliado e que está deixando muitas obras em andamento, mas com recursos em caixa para concluí-las.

O senhor fala em enxugamento da máquina. O senhor pode dar algumas indicações dessa reforma na estrutura administrativa do governo?

Do ponto de vista conceitual, posso. Um exemplo: hoje tenho um número X de secretarias. Vai ser x – 20%. Vamos ficar com 80% do número de secretarias que temos hoje. Outra coisa é que pretendo transformar secretarias em departamento de outras pastas e fundir secretarias com órgãos da administração indiretas. Isso tudo para reduzir custos. O cenário econômico que vem por aí não comporta um Estado do tamanho que temos hoje. Sob pena de eu chegar ao fim do próximo ano com dificuldades de pagamento da folha.

Então, haverá corte de pessoal?

Tem que ter.

Em que medida?

Na medida em que se extingue cargos, há cortes nesse sentido.

O senhor vai enviar um projeto de lei delegada para a Assembleia para fazer as alterações na estrutura do governo?

Não. Para fazer isso, eu precisaria convocar extraordinariamente a Assembleia. Isso é ruim porque os deputados já se programaram para as férias. Como é um governo de continuidade, eu vou fazer isso ao longo do mês de janeiro. Nas unidades que serão fundidas, eu tomo as medidas administrativas, como não nomear mais ninguém.

Preparando caminho...?

Isso. Aí, em fevereiro, encaminho para a Assembleia uma lei comum para fazer as mudanças. Mas a economia que quero fazer não é só com os cortes e fusões. Quero ter economia nas compras, aumentando a receita pela via da redução da sonegação. Vou buscar formas de aumentar o bolo disponível para investimento.

Para conseguir cumprir as promessas de campanha...?

É. Aumentar a capacidade dos hospitais. Sair dos 25% para 30% de investimentos em educação. Prometi ao povo transformar a Afeam no Banco do Povo, para conceder crédito simplificado. Para dar cumprimento a tudo isso, eu preciso enxugar a máquina.

E quanto ao corpo técnico do primeiro escalão da máquina, o que o senhor pode dizer? Já tem nomes?

Eu quero fazer um governo técnico. Política faço eu. Eu quero um governo voltado para os serviços públicos e não para pessoas específicas. Os gestores têm que ter perfil para as áreas, como saúde e educação. Política dentro do meu governo faço sozinho. Não vou pegar o meu governo e fatiar em feudos como na Idade Média. Evidentemente, que todos os amigos que me ajudaram serão contemplados, mas o meu secretariado terá características técnicas. Vai ser um governo técnico voltado para os serviços. Para isso, o povo me escolheu pelas minhas propostas. Para realizar, eu terei que fazer um governo técnico. Tenho apenas quatro anos de mandato e isso passa muito rápido.

Comparativamente com o secretariado atual, haverá muitas trocas?

Algumas necessárias. Mas não muitas. Eu venho de um governo bem avaliado. O que significa que o povo está gostando. Agora, ele tem que se adequar ao novo momento e aos meus compromissos de campanha. Alguns vão se adequar e outros vão sair. Aqui, faço uma ressalva ao Paulo Roberto Vital, que na campanha disse para mim que só ficaria comigo até o fim deste ano. Então, comecei a procurar e conversei o delegado Sérgio Fontes que está vindo para a Secretaria de Segurança. E eu disse para o Vital tirar as férias, mas que quero reaproveitá-lo no meu governo.

Perfil
Nome: José Melo de Oliveira
Idade: 68 anos
Estudos: Economista formado pela Ufam
Experiência: Foi secretário estadual de Educação na gestão Amazonino Mendes. Foi deputado federal duas vezes e uma vez deputado estadual. Presidiu a SNPH. Foi Secretário de Governo de Eduardo  Braga. Se elegeu vice-governador em 2010. Em 2014, assumiu o governo.

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