Sábado, 25 de Maio de 2019
PESQUISA

Federação lança pesquisa para saber a opinião dos brasileiros sobre a morte

Qualquer cidadão pode participar e preencher os dados da pesquisa, que pretende saber o que a população brasileira pensa sobre o tema da morte e do testamento vital



agenciabrasil_povo.jpg
(Foto: Arquivo/ Agência Brasil)
31/08/2017 às 15:37

Ouvir a opinião de toda sociedade sobre o polêmico tema da morte digna é o objetivo da pesquisa pública que a FEHOESP- Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo está lançando em seu portal fehoesp 360 a partir de hoje. 

Qualquer cidadão pode participar e preencher os dados da pesquisa, que pretende saber o que a população brasileira pensa sobre o tema da morte e do testamento vital . Em 16 questões de múltipla escolha, a entidade quer saber, por exemplo, se a vontade do paciente na hora da morte deve prevalecer sobre a vontade do médico e/ou sobre a vontade dos familiares. 

Testamento vital é um documento redigido por uma pessoa no pleno gozo de suas faculdades mentais, com o objetivo de dispor acerca dos cuidados, tratamentos e procedimentos que deseja ou não se submeter quando estiver com uma doença ameaçadora da vida, fora de possibilidades terapêuticas e impossibilitado de manifestar livremente sua vontade.

Objetivo da FEHOESP é abrir um amplo debate sobre esse tema tabu na sociedade brasileira e levar a questão a ser regulamentada por projeto de lei para garantir o direito do paciente de escolher antecipadamente os procedimentos que quer ou não receber em seu momento final . E , ao mesmo tempo, oferecer segurança jurídica para médicos, hospitais e profissionais de saúde. 

Segundo o médico Yussif Ali Mere Jr, presidente da Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo, existe atualmente  grande temor dos médicos e hospitais  de cumprir o pedido de um paciente terminal,  caso ele não queira, por exemplo, receber tratamentos invasivos. " Há receio de processos judiciais , pois não há garantia jurídica para que serviços e profissionais de saúde cumpram diretivas antecipadas da vontade do paciente sem correr riscos", constata. 

No entanto, ressalta  Ali Mere Jr, respeitar o direito do paciente de ter uma morte digna ou " boa" morte é muito diferente da eutanásia, procedimento de antecipação da morte. 

A morte digna refere-se a uma morte natural , sem a interferencia de procedimentos invasivos e dolorosos. Esse novo conceito está associado aos cuidados paliativos , uma nova especialidade médica, que pretende oferecer tratamentos multidisciplinares ao doente para minimizar sua dor física e emocional  e oferecer a possibilidade de uma morte digna. 

A pesquisa segue com perguntas claras e diretas como quais cuidados ou tratamentos o paciente não poderia recusar mesmo diante de uma doença fora de possibilidades terapêuticas. E cita, entre outras, internação em UITI, respiração artificial, nutrição artificial, hidratação artificial etc.

Questiona se adolescentes entre 16 e 18 anos poderiam ter o direito de fazer o testamento vital .E levanta a questão sobre a criação de um banco de dados que centralize todos os testamentos vitais no Brasil e esteja à disposição dos hospitais e das equipes de saúde mediante acesso restrito. 

Em 30 dias , a FEHOESP vai apurar o resultado da pesquisa e, a partir de seus resultados, deverá sugerir um projeto de lei ao Congresso Nacional , que será encaminhado à Comissão de Seguridade Social , propondo que o testamento vital vire lei , garantindo direitos dos pacientes e resguardando médicos, trabalhadores e serviços de saúde . 

Para participar da pesquisa clique aqui.

*Com informações da assessoria de comunicação.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.