Terça-feira, 09 de Março de 2021
Funcionamento das feiras

Feirantes de Manaus defendem horário de funcionamento estendido

A maioria fechou seus estabelecimentos cerca de uma hora depois do que determina o decreto municipal



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25/01/2021 às 12:31

Sem resistência, os permissionários da Feira da Manaus Moderna, Feira da Banana e Mercado Adolpho Lisboa fecharam as portas após quase 1h do horário previsto pelo decreto governamental. Segundo a determinação, as feiras e mercados do Estado podem funcionar apenas de 4h às 10h. Já os supermercados e mercadinhos podem permanecer abertos de 6h às 19h. Para os feirantes, o decreto não leva em consideração o fornecimento que as próprias feiras fazem aos supermercados.

Segundo a feirante de 41 anos, Vanusa Mendonça, que há cinco anos fornece limão, laranja e mangas, a sobrevivência é o que motiva a manter seu negócio aberto.



"Eu tenho esse empreendimento na Manaus Moderna há 5 anos. Antigamente nós conseguíamos faturar até 2 mil reais por mês. Hoje em dia, após essa pandemia, tem sido difícil lucrar. Nós entendemos que não está fácil para ninguém. Porém, nós feirantes gostaríamos que tivessem mantido o horário anterior que era de 4h às 13h. A única coisa que me mantém a vir para cá vender minhas frutas é a sobrevivência. A gente tem trabalhado apenas para não passar fome", comentou Mendonça.

O retorno do horário anterior é defendido também pela Deidiane da Silva Soares, funcionária da JRC Sortidão - empreendimento que seu pai possui na Manaus Moderna há mais de 30 anos.

"Eu trabalho com meu pai só há cinco anos, mas ele já tá aqui antes mesmo da Feira da Manaus Moderna. Nós já chegamos a ter R$ 2 a 3 mil por dia. Muita gente vem comprar aqui com a gente. Desde pessoas a supermercados em grande quantidade. Agora se a gente conseguir fazer R$ 200 por dia é muito. Só para você ter uma ideia, a gente tá fechando agora às 10h. Amanhã quando abrirmos de novo, vamos ter que jogar muitos produtos fora porque apodreceram. Confesso que tá bem difícil manter nosso ponto aqui. Imagine para as pessoas que possuem empreendimentos menores", descreveu Soares.

Isonomia

Segundo o agricultor familiar André Barros, frequentador assíduo da feira, o governo deve estabelecer um "princípio de isonomia" no horário. Ou seja, para Barros os supermercados devem fechar no mesmo horário que as feiras.

"É horrível 4h até as 10h. Muitas pessoas vem fazer as compras cedo, mas não é o suficiente. Algumas vem mais tarde. Para alguns feirantes não vale a pena nem abrir. O princípio da isonomia o governo não sabe o que é isso. A maior feira de Manaus que abastece toda a cidade quanto o interior fechando às 10h não tem uma mínima lógica. Muitos supermercados, pequenos mercados de toda cidade vem comprar aqui nessa feira. E isso se estende todo o dia. O pessoal da agricultura familiar chega com os produtos 7h ou 8h. Os mercados abrem 6h e vão até 19h. Por que a feira da Manaus Moderna não pode manter esse horário? Se é pra fechar 10h, que todos os estabelecimentos fechem nesse horário", defendeu Barros.

Fiscalização

Mesmo com o horário ultrapassando o limite determinado pelo decreto, o capitão Thiago Abreu da 24ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) informou ao A CRÍTICA que os feirantes entenderam que o fechamento dos pontos é necessário para conter a propagação do coronavírus.

"O importante frisar é que chegamos cedo, às 6h. Conversamos com os gestores da feira. Orientamos do fechamento no seu primeiro dia do decreto que proíbe a circulação das pessoas e o fechamento das feiras às 10h. E agora, por volta de 9h50 viemos para fazer o fechamento com o apoio do empenho máximo do efetivo da 24ª Cicom, junto com os fiscais da secretaria municipal e o gestor da feira que foi bem solícito ao fechamento. Naturalmente, os feirantes fizeram reclamação do fechamento. Haja vista a necessidade do trabalho de ganhar o honorário para subsistência da família. Mas ao mesmo tempo, entenderam o momento de solidariedade às pessoas que estão internadas. Foram atendendo ao nosso pedido e foram fechando as portas e saindo", comentou Abreu.

O capitão Abreu ressaltou ainda que a fiscalização vai até o dia 31 de janeiro e que o fechamento do pontos comerciais cobrem inclusive os vendedores ambulantes no entorno das feiras.

"A fiscalização continua nos próximos dias e principalmente a orientação ao cidadão que ele se mantenha em sua residência e que seja cumprido o decreto que está estabelecido, principalmente para a preservação da vida.

A gente espera que toda a população entenda que o centro da cidade está fechado. Tudo aquilo que era comércio que no decreto anterior era considerado não-essencial, está fechado. E agente pede que a população não venha para o centro. Todo o entorno da feira, do Mercado Adolfo Lisboa, Feira da Banana e todas as áreas adjacentes estão fechadas. Só estão abertos aqueles previstos no decreto, como padarias, bancos e farmácias”, orientou o capitão.


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