Sábado, 07 de Dezembro de 2019
SAÚDE

Ferramenta de trabalho e socialização, voz faz pacientes buscarem tratamento

Preocupação com a voz fez pacientes procurarem a Fundação Hospital Adriano Jorge em busca de exames; A CRÍTICA entrevistou pessoas que fazem da cordas vocais o seu principal instrumento de trabalho diário



voz1.JPG Fundação Hospital Adriano Jorge recebeu pessoas em busca de solução para problemas da voz / Fotos: Euzivaldo Queiroz
13/04/2017 às 05:00

No próximo domingo de Páscoa, dia 16, se comemora o Dia Mundial da Voz, que é o som ou conjunto dos sons produzidos pelas vibrações das pregas vocais sob pressão do ar que percorre a laringe. Fundamental na vida de qualquer ser humano, a voz tanto é ferramenta importante tanto na socialização entre os indivíduos quanto em seus vínculos de trabalho ou educação.

“Um total de 70% da população ativa no Brasil utiliza a voz como instrumento de trabalho”, destaca a otorrinolaringologista Súnia Ribeiro.



“A voz é a nossa ferramenta de trabalho. O ser humano é um conjunto de coisas, e precisa do bem estar físico e psíquico. Se isso não ocorre, algo está errado. Em algumas profissões, como a minha, é fundamental que se tenha o corpo equilibrado, e a voz nesse aspecto é fundamental”, explica o professor Sérgio Freire, ao exemplificar o que a voz representa para a humanidade.

Na última quarta-feira, dia 12, essa importância com um instrumentos mais destacados do corpo levou pessoas preocupadas a Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ, na avenida Carvalho Leal, 1778), vinculada à Secretaria de Estado da Saúde (Susam), e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA): no total de 100, elas passararam por uma triagem para realização de exames de 17 a 20 deste mês naquela própria unidade de referência da saúde, dentro da 19ª Campanha Nacional da Voz e da 6ª Semana da Voz da FHAJ.

Os casos que tiveram indicação foram encaminhados para posterior realização de consultas e exames, no ambulatório de Otorrinolaringologia, da Residência Médica da FHAJ, em dias pré-estabelecidos.

Profissionais especializados foram responsáveis pelo um serviço de triagem para pacientes que apresentem sintomas e comprometimento da voz, a exemplo de pólipos, nódulos (também chamados de calos vocais), câncer e outras doenças de laringe. Nesse serviço, informa a FHAJ, a queixa mais comum é a rouquidão persistente, seguida de dor de garganta e pigarro. Após exames de videolaringoscopia, o diagnóstico prevalente é o refluxo faringolaringeo, seguido de laringite e de cistos e nódulos das pregas vocais.

A triagem foi feita pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), preceptores e residentes do Programa de Residência Médica em Otorrinolaringologia do Hospital Adriano Jorge e contam, ainda, com o apoio da Liga Amazonense de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ORL-CCF), além de internos da UEA. 

De acordo com dados da assessoria de comunicação da Fundação Hospital Adriano Jorge, de 2013 a 2015 a Semana da Voz teve 907 atendimentos de triagem, sendo que 69% foram pacientes do sexo feminino, na faixa etária de 41 a 50 anos. Do total de atendidos, 745 pacientes foram encaminhados para exame complementar de videolaringoscopia, ou seja, 82,1%.

Exames

De acordo com o preceptor da residência médica de otorrino da FHAJ, Álvaro Siqueira, “após a triagem os pacientes vão ser submetidos ao exame de videolaringoscopia, e em caso de identificada alguma doença eles serão direcionados para o ambulatório da instituição para tratamento. Pode-se encontrar desde uma simples inflamação até uma lesão benígna ou até de diagnóstico de paciente com câncer de laringe, como ano passado”, disse o especialista, que também é professor da UEA.

Pacientes

Uma das pessoas que procurou o Hospital Adriano Jorge foi a cuidadora de idosos Iracema Éden, 67. Mesmo tendo plano de saúde particular, e com histórico de ex-fumante por 37 anos, ela aproveitou a oportunidade da Semana da Voz para fazer seu exame.

“Tive uma virose e pela terceira vez fiquei sem voz. Tenho meu otorrino, mas sempre que surge essa chance eu venho verificar como estou”, diz ela, que parou de fumar há 15 anos.

A estudante de Assistência Social, Claudineide Alves Vieira, 45, esteve ontem no Adriano Jorge porque estava insatisfeita com a sua voz. “E devido a eu fazer muitos seminários, palestras, eu acho a minha voz muito fina. Então, vim procurar ajuda para melhorar”, informa a universitária.

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Súnia Ribeiro, Otorrinolaringologista

“Não podemos esquecer que a voz é uma ferramenta importante à vida e deve ser tratada com cuidado especial. O Brasil é um dos países com maior número de casos de câncer de laringe”, destacou. Ela reforça os cuidados e dicas para cuidar da voz e ressalta que quando os sintomas são persistentes, o ideal é procurar o otorrinolaringologista, profissional mais indicado para o tratamento, pois é o especialista em nariz, ouvido, garganta, voz e doenças relacionadas a ela. “Nosso foco é promover o diagnóstico precoce das doenças de garganta, especialmente das pregas vocais”.

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Nunes Filho, cantor, 69 anos

"A voz é tudo na minha vida e, sem a voz, somos paralíticos. Ela é primordial para falar, cantar, chamar a pessoa. A voz é primordial na vida de qualquer pessoa. Mas, também, o que se fala pode ser ruim quando sai da nossa boca. No meu caso, se eu perder a voz acaba a minha carreira. O meu macete pra não perder a voz são Jesus e Deus. É com eles. Não faço tratamento nenhum, pois assim como a rouquidão vem, ela vai embora. Antes, fazia gargarejo com água morna, vinagre, sal e iodo. Faço de tudo: bebo gelado, e estou parando de fumar após 39 anos. ‘Só’ fumo 1 cigarro por dia”.

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Sérgio Freire, professor

"A voz é a nossa ferramenta de trabalho. O ser humano é um conjunto de coisas, e precisa do bem estar físico e psíquico. Se isso não ocorre, algo está errado. Em algumas profissões, como a minha, é fundamental que se tenha o corpo equilibrado, e a voz nesse aspecto é fundamental. Sem ela, não se faz o que se pretende fazer. Há o estresse da profissão e isso se reflete na voz. O estresse causa o cansaço da voz. Antes de usar a voz eu aprendi com uma fonoaudióloga a tomar água meia hora antes do trabalho, para lubrificar as cordas vocais. E realmente, quando faço isso, ela sai bem melhor. É preciso fazer manutenção".

Dicas para cuidar da sua voz:

Não fumar;

Não forçar a voz;

Não gritar e cochichar;

Manter o volume normal da voz e articular bem as palavras;

Evitar falar excessivamente durante exercícios físicos, quando gripado ou com alguma crise alérgica;

Não pigarrear excessivamente;

Ingerir muito líquido fresco ou em temperatura ambiente;

Evitar bebidas alcoólicas;

Evitar alimentos que causem má digestão ou azia;

Evitar ambientes com poeira, mofo ou cheiros fortes


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