Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019
TRADIÇÃO

Festa do Carmo guarda histórias de fé e devoção à padroeira de Parintins

Todos os anos, milhares de pessoas acompanham a tradicional procissão, no dia 16 de julho



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Caminhar pelas ruas da Ilha Tupinambarana, acompanhando um andor, não representa simplesmente a participação na procissão de uma santa, mas a doação, entrega e o encontro de histórias de amor de fiéis à padroeira da Diocese de Parintins. É o caso de Romice Figueiredo, 57, que há 12 anos é voluntária na festa da padroeira. Ela enfrentou um câncer agressivo e chegou a ser desenganada pelos médicos. “Quando lembro, fico sem palavras, porque fui curada de um câncer agressivo e o médico disse que tinha 99% de chances de não estar mais aqui hoje, e eu estou, e foi Nossa Senhora”, conta. A Festa de Nossa Senhora do Carmo, no município de Parintins, começou no dia 06 de julho e tem encerramento nesta terça-feira, 16 de julho. 

Na procissão com a Virgem do Carmelo, cerca de 25 mil pessoas estiverem presentes, segundo estimativa da Polícia Militar. Daniel da Silva, 20, veio de Manaus para participar da manifestação de fé em Parintins. “É uma coisa extraordinária. Nunca vi isso na minha vida. Nossa Senhora sempre abençoou a minha vida, família, meu emprego. Eu me emociono, porque ela sempre está abençoando a todos nós”, ressalta. 



Durante o percurso, crianças vestidas de anjos, pessoas descalças, carregando tijolos, entre as várias formas inusitadas de agradecer pelas bençãos alcançadas. Na rua Rio Branco, o grafismo foi como os artistas dos bois Caprichoso e Garantido escolheram para declarar devoção à maria. “É a forma de retribuir e agradecer pelas graças alcançadas, nosso dia-a-dia, nossa saúde, nossa carreira artística. Ela nos protege sempre com seu manto sagrado”, destaca o artista plástico Glemberg Castro.  

O andor que conduziu a imagem de Nossa Senhora do Carmo, pelo 20º ano consecutivo, foi confeccionado pela equipe do artista Juarez Lima. O andor segue o tema da festa “Maria, Mãe dos Povos da Amazônia”. “O próprio andor é essa mensagem de sustentabilidade. A face de Deus é a face da natureza”, destaca. O Bispo da Diocese de Parintins, Dom Giuliano Frigeni, presidiu a celebração na Catedral de Nossa Senhora do Carmo, a partir da chegada da procissão. 

O professor do Centro de Estudos Superiores de Parintins (Cesp) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Elizeu Souza, avaliou as manifestações de fé. Para ele, as populações da Amazônia têm um forma própria de demonstrar a religiosidade, ao entender que é a expressão de gratidão do povo. “Maria reúne todas as pessoas e, quando nos encontramos na igreja, não existe aquele que é rico ou aquele que é pobre, o que pode mais ou o que pode menos. É nesse momento de unidade que nos tornamos uma grande igreja, uma grande família”, conclui.


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