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Cotidiano
CULTURA DA 'ROÇA'

Festejos devem aumentar com a chegada do Festival Folclórico do Amazonas

Eventos tradicionais do período que estiveram ‘invisíveis’ no mês passado devem movimentar a cidade a partir de agora 02/07/2017 às 05:00
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Foto: David Batista/divulgação
Mayrlla Motta Manaus (AM)

Os festejos tradicionais do mês de junho em Manaus estiveram em baixa, com pouca expressão ou visibilidade neste ano. Nesse período, reinou entre a população os bumbás de Parintins. Em julho, o movimento tende a subir com a realização do 61º Festival Folclórico do Amazonas, que este ano ocorrerá de 21 de julho a 2 de agosto, no anfiteatro da Ponta Negra, na Zona Oeste.
Especialistas apresentam para a reportagem de A CRÍTICA  visões críticas acerca dessa opção imposta pelo poder público para alavancar os festejos.  

De acordo com o doutor em Antropologia, Alvatir Carolino, essa pouca expressão no mês de junho se dá por causa da escolha preferencial dos agentes de políticas públicas culturais da Prefeitura de Manaus e do Estado em fomentar a forma monocultural, que são os bois de Parintins, nos festejos dos Santos Juninos em Manaus.

“Essa visibilidade maior ao modelo do bumbá de Parintins é um mérito pela forma na qual há trinta anos os bois de Parintins se organizaram e ocuparam espaços em Manaus”, aponta. 
Para o historiador e escritor, Hélio Dantas, esse fenômeno se dá pelo “fruto de políticas públicas de marketing cultural que buscaram construir o referido festival como uma manifestação tipicamente amazonense ao longo dos anos”.
  
Falta de engajamento

De outro lado, Alvatir Carolino não tira a responsabilidade dos agentes sociais dos grupos folclóricos de Manaus nesse processo de visibilidade cultural. “Tendo em vista que eles perderam a capacidade de se mobilizar enquanto movimento para reivindicar políticas públicas específicas para os mesmos. Eles não se posicionam fazendo frente organizada e com uma mobilização que produza pressão, ocupe espaços reivindicatórios para que não fiquem na agonia”, disse o professor do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam). 

Diante disso, o antropólogo avalia que o resultado dessas questões é a invisibilidade dos grupos folclóricos de Manaus. “Apesar de que não são poucos. Temos as cirandas, quadrilhas e variantes, boi-bumbá de Manaus e o cacetinho. Manaus tem uma diversidade enorme de grupos que se apresentam nesse momento, mas vive uma invisibilidade. Na minha análise tem como culpa a ausência de políticas públicas e a falta de mobilização dos folcloristas”, opina. 

O historiador Hélio Dantas, por outro lado, diz que apesar do cenário de invisibilidade, as festas de rua persistem independentemente da alta repercussão ou não.  Para ele, as festas de iniciativa privada têm trazido outras características à tradição junina. O exemplo do enunciado, Hélio relembra os arraiais nos shoppings da cidade e o Festival Gastronômico Delícias da Roça, além de outros festejos promovidos pelo poder público como o Arraiá dos Bilhares e o Arraial do Parque Cidade da Criança.

Mudança opulariza ou elitiza a festa?

De acordo com a Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), responsável desde 2014 pela apresentação das categorias Bronze e Prata, a realização do Festival Folclórico do Amazonas na Ponta Negra é para fortalecer o evento como um produto turístico local.  Até o ano passado, o evento era realizado no Centro Cultural dos Povos da Amazônia, na Bola da Suframa. 

No entanto, na visão de Alvatir Carolino essa iniciativa não pode ser chamada de “Festival Folclórico” feito pelos grupos populares, apesar de concordar que os espaços públicos da cidade devem ser ocupados por manifestações artísticas. “Porque ali é um lugar distante de onde eles são produzidos em massa; nas zonas Norte e Leste. Os grupos podem até ir se apresentar lá, mas os pais, vizinhos, ex-brincantes, costureiras e torcidas, que não tem carro ou o dinheiro para a gasolina não irão. É questão de distancia mesmo”, opina.

Apoios e realização

Apoiado pela Manauscult, o Festival Folclórico do Amazonas recebe da pasta palco, som, iluminação e estrutura física em geral para que os grupos possam se apresentar e disputar o título de campeão nas respectivas categorias, além de apoio financeiro.  Para a categoria Ouro – Master A, que é a disputa entre os bumbás Corre Campo e Garanhão Brilhante, o órgão fornece apenas apoio financeiro. A estrutura para apresentação dois bois é de competência da Secretaria de Estado de Cultura (SEC).

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