Terça-feira, 16 de Julho de 2019
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Festival de Cirandas agita o município de Manacapuru no próximo final de semana

Mais de 30 mil pessoas são esperadas na cidade, cujos hotéis estão lotados para a 17º edição do Festival



1.jpg Cidade aguarda a visita de 30 mil turistas: mototaxistas, hoteis e restaurantes esperam aumentar lucratividade durante os três dias do Festival de Cirandas
24/08/2013 às 16:00

MANACAPURU (AM) –Não é difícil apaixonar-se pelo ritmo acelerado dos acordes que no mês de agosto invadem Manacapuru (a 84 quilômetros de Manaus). Eles fazem parte dos preparativos para o 17º Festival de Ciranda e que este ano terá cobertura ampliada da Rede Calderaro de Comunicação (RCC) nos três dias de apresentação: 30 e 31 de agosto e 1º de setembro.

O clima pode ser sentido nas bandeirolas, na pintura das calçadas e até mesmo das casas, cujas cores acompanham a torcida por uma das três cirandas da cidade: Flor Matizada (lilás e branco), Guerreiros Mura (azul, vermelho e branco) e Tradicional (dourado, vermelho e branco).

A expectativa é que o festival deste ano atraia pouco mais de 30 mil turistas, segundo estimativas da Polícia Militar. Essa foi a média de público visitante do ano passado, no primeiro festival “pós-ponte” Rio Negro. As reservas para os hotéis estão completas. Em função disso, municípios vizinhos, como Iranduba e Novo Airão, têm expectativa de receber os turistas restantes para o pernoite.

Este deve ser o último ano em que o Cirandódromo, localizado no Parque do Ingá, servirá de palco das apresentações da forma como é realizado desde 1998, quando foi inaugurado. Representantes das três cirandas confirmaram que o Governo do Estado têm projeto de ampliação dos 20 mil lugares e construção dos galpões de apoio para cada uma.

Além disso, a partir deste ano, a cirandas foram habilitadas a receber recursos pela Lei Rouanet, de incentivo à cultura. O trabalho foi feito com a ajuda da empresa Tucunaré Turismo, que também atua no Festival de Parintins.

Inovação junto às raízes em ‘lilás e branco’


A mais antiga ciranda de Manacapuru é também a que sempre procura apostar em temas que não se limitam à “lendas e mitos”. A afirmação é do diretor de alegoria da Flor Matizada, Ozéias de Souza Cardoso. “Procuramos inovar, mas sem esquecer das raízes locais”, disse. Este ano, o tema abordará a trajetória dos negros africanos no Amazonas.

“É claro que não se pode ignorar o sofrimento do povo negro no contexto histórico do Brasil, mas queremos retratar o legado desta cultura que está tão enraizada em nós, que nem percebemos”, explicou Ozéias.

O tema “Um canto da África no coração da Amazônia” será desenvolvido em dois cenários. Inicialmente, a evolução dos cirandeiros acontecerá sob a representação de uma savana africana que irá se transformar em outra ambientação. O mistério faz parte da estratégia para a conquista do bicampeonato. “O nosso trabalho, desde a escolha do tema, envolve todos os participantes. Por isso, a vitória é de todos”, completou o diretor de alegoria.

A Flor Matizada será a primeira a se apresentar, na sexta-feira. A responsabilidade de abrir o Festival de Ciranda não assusta o presidente da família lilás e branca, Alexandre Queiroz. “Não importa o dia de apresentação. Respeitamos o nosso torcedor e o público que vem nos assistir. O show é sempre o melhor”, disse.

HistóricoEm meados de 1980, a Ciranda foi apresentada pela primeira vez em Manacapuru por um grupo de crianças do Colégio Nossa Senhora de Nazaré, sob a orientação do professor José Silvestre do Nascimento e Souza. A ideia logo conquistou adeptos na cidade e a professora Perpétuo Socorro de Oliveira decidiu fundar a Flor Matizada.

‘Guerreiros Mura’ buscam mais um título


Entrar no mundo de fantasias materializado no galpão da ciranda Guerreiros Mura da Liberdade é como passear por contos fantásticos. Seres que habitam o imaginário popular serão responsáveis por contar a história de amor criada pela diretoria entre dois personagens folclóricos retratados nas cirandas, “seo” Manelinho e “dona” Constância.

Na luta pelo amor proibido pela família de Constância, Manelinho se aventura por mundos paralelos, contando com a ajuda de todos os outros personagens como o Carão, o Cupido, Mãe Benta e Honorato, para ficar junto da amada, no tema “A fantástica jornada de um guerreiro apaixonado”. “Seres extra-terrestres, rainhas encantadas, monstros, entre outros que habitam o imaginário popular, estarão presentes na encenação”, conta a cirandista Meiriane Vieira. Como Manelinho é um tradicional contador de histórias, os espectadores não saberão se a narrativa é verdadeira ou somente imaginação do personagem.

Para dar vida a esse mundo encantado, foi necessária toda a experiência do artista de Parintins Carlos Pizano, que tem no currículo trabalhos nos carnavais de São Paulo, Rio de Janeiro e no boi bumbá Garantido, tendo sido, inclusive, “aluno” de Joãozinho Trinta. Este é o 15º ano de Pizano à frente de uma grande festa popular. “Estamos há um mês trabalhando dia e noite para impressionar”, disse.

A criatividade de Pizano foi posta à prova ao ter que criar uma alegoria com pelúcia. “Fizemos de juta e a finalização com tinta especial vai causar o mesmo feito”, disse.

‘Tradição’ em cores quentes


O símbolo traduz bem o que a ciranda de cores vermelho, dourado e branco defende: a tradição. Não por acaso tem o nome de Tradicional. “Buscamos sempre falar dos temas regionais, das coisas que o caboclo sabe e entende bem. Embora seja um festival que atrai muitos turistas de fora, queremos contar e registrar a história do que acontece aqui”, explica a coordenadora de indumentária, Núbia Mendonça.

E é a própria história da fundação de Manacapuru, contada em lendas indígenas, que será o tema deste ano. “Nos mistérios e encantos das águas de barranco do rio Manacapuru” é o retrato da paixão de um índio gavião e uma índia onça, proibida por Tupã. Sem poder vivenciar o sentimento, os dois choram e as lágrimas, em forma de chuva, molham os barrancos, formando assim a nascente do rio Manacapuru.

O artista responsável pelo cenário, Helton Campos, conta que a ciranda vai contar a transição da lenda Apurinã até os dias de hoje, mostrando o legado dessa cultura na tradição do caboclo hoje em dia. “Vamos falar das raízes, de assuntos regionais, mas agregando muito luxo ao cenário”, explicou.

A turma de costureiras comandas por Núbia, vem ampliando o horário de trabalho até a meia noite, todos os dias, para dar conta do recado. “Na reta final, um mês tem que se transformar em dois”, explicou. Este ano, a filha dela, Alessana Mendonça, vai se apresentar como princesa cirandeira. A partir do ano que vem, o item será oficial e valerá ponto.

Histórico

A Ciranda Tradicional surgiu em 1985, por meio da iniciativa de alguns professores da Escola José Sefair e de moradores do bairro Terra Preta. Em 1996, a ciranda passou a integrar a Associação Folclórica Unidos do Bairro (Afub) e recebeu uma nova denominação, Ciranda Tradicional vermelho, dourado e branco. A primeira apresentação oficial foi em agosto de 1997, durante o 1ª Festival de Cirandas de Manacapuru.

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