Domingo, 15 de Setembro de 2019
SAÚDE

Vice-diretor da Fiocruz diz que Febre Oropouche precisa ser monitorada no AM

Doença, que teve 128 registros no Estado nos últimos 10 anos, é transmitida por um vírus através do 'Maruim'



20160115090931405503i.jpg Doença transmitida pelo Maruim tem sintomas parecidos com Dengue, Zika e Chikungunya (Foto: Wikimedia / Reprodução)
21/07/2017 às 05:00

O Amazonas registrou nos últimos dez anos 128 casos de Febre Oropouche, causada por um vírus transmitido pelo mosquito Maruim, comum na região Amazônica, mas o número pode ser superior em virtude dos sintomas serem semelhantes aos de Dengue, Zika e Chikungunya e não terem resultado conclusivo. A afirmação é do doutor em microbiologia e vice-diretor de Pesquisas do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Felipe Naveca. 

O vírus é transmitido pelo mosquito “Culicoides Paraensis”, conhecido popularmente como Maruim, e provoca febre aguda, inflamação do encéfalo e até miningite. Segundo Naveca, o vírus circula há décadas pela Amazônia e é preciso ficar em alerta para evitar um eventual surto em nossa região. 

Em virtude dos sintomas serem parecidos com os de outros vírus comuns na Amazônia, segundo Naveca, muitos diagnósticos não são conclusivos e casos de oropouche acabam não sendo registrados pelas autoridades de saúde pública. “Ele causa um quadro parecido com o de dengue, zika e chikungunya. Só na clínica fica difícil de diagnosticar se aquilo é um desses três vírus. Então, é preciso estudar mais a fundo para saber se aqueles casos que deram negativo para esses três são oropouche”, disse. 

Pesquisa

Diante da problemática, Naveca desenvolve uma pesquisa em parceria com a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS) para identificar e atualizar o número de casos. O trabalho iniciou em janeiro, com prazo de três anos, e em dezembro será divulgado um número mais atualizado. Segundo ele, é preciso ficar em alerta para que não haja surtos como ocorreu com outras doenças. 

“Antes de Zika e Chikungunya, o Oropouche era considerado o segundo arbovírus mais importante, só perdia para dengue, mas eles superaram. Por isso é preciso ampliar a vigilância porque a gente continua tendo um número importante de casos que não tem  certeza do diagnóstico. O exame laboratorial nem sempre comprova a suspeita por conta dos sintomas serem bastante parecidos”, disse.

SBPC

O alerta para possíveis  de surtos de febre oropouche no Brasil foi feito pelo  professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da (Universidade de São Paulo), Luiz Tadeu Moraes Figueiredo, durante palestra na reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que está acontecendo em Belo Horizonte (MG).  "O oropouche é um vírus que potencialmente pode emergir a qualquer momento e causar um sério problema de saúde pública no Brasil", disse Figueiredo.

"O oropouche é um vírus que tem um grande potencial de emergência, porque o Culicoides paraensis está distribuído por todo o continente americano. O vírus pode sair da região amazônica e do planalto central e chegar às regiões mais povoadas do Brasil", acrescentou o professor.

FVS: 'Monitoramento é constante'

O diretor-presidente da Fundação de Vigilância e Saúde (FVS), Bernardino Cláudio de Albuquerque, disse que faz o monitoramento da ocorrência de casos de Febre Oropouche. Segundo ele, há ocorrência é esporádica e os casos que dão negativo para dengue passam por testes para saber se são desta nova febre.

“O que a gente faz é o monitoramento da ocorrência de casos aqui. Esse número de 128 casos são dados acumulados de vários anos. Existe sim uma ocorrência esporádica. A questão de termos um surto é possível, principalmente em áreas periféricas, mas hoje não há qualquer evidência que aponte para esse caminho e fazemos o monitoramento continuo”, disse o diretor-presidente. 

Conforme Bernardino, um dos fatores que colaboram para transmissão do vírus é o desmatamento e as invasões, que destróem o ambiente natural da vida do mosquito. “O que acontece é que as pessoas vão morar no habitat natural do mosquito e ficam passiveis de pegar a doença”.


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