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Cotidiano
ORTOPEDIA

Filas para cirurgias no AM decorrem da falta de investimento em hospitais, diz médico

Segundo o diretor de instituto que presta serviço à Susam, o governo não investe em novas unidades hospitalares a pelo menos dez anos 01/10/2017 às 05:00
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Foto: Reprodução/internet
acritica.com

O diretor-presidente do Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Amazonas (Itoam), Rafael Benoliel, afirmou em entrevista para A CRÍTICA que, a pelo menos dez anos, o governo estadual não investe em novas unidades hospitalares que possuam leitos cirúrgicos ortopédicos. Para ele, hoje a Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ) está “estrangulada” e uma solução a curto prazo seria um mutirão de cirurgias de ortopedia para desafogar as filas.

“Os reais motivos causadores das filas de espera são a falta de investimento ao longo dos anos e a falta da atenção necessária por parte dos gestores públicos. A ortopedia no Amazonas ao invés de receber um acréscimo na oferta, foi vítima de uma redução de 10% (saída dos SPAs), que sobrecarregou ainda mais o sistema”, disse o presidente do Instituto.

Reportagem de A CRÍTICA publicada na edição de 24 de setembro mostrou que após inspeção do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE/AM) na Fundação e Hospital Adriano Jorge (FHAJ) foi constatado que 2.372 pacientes estão na lista de espera por cirurgias ortopédicas e que outros 6.707 ainda não conseguiram sequer a consulta médica. Segundo a promotora de Justiça Silvana Nobre, o hospital Adriano Jorge foi entregue ao Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Amazonas (Itoam), a gestão é omissa e não planeja os procedimentos cirúrgicos.

Médico Rafael Benoliel

Segundo Rafael, durante a reforma administrativa realizada na gestão do governado cassado José Melo (Pros) com o fechamento de SPAs, nos quais o Itoam atuava em seis unidades, resultou na migração imediata de pacientes para o Hospital Adriano Jorge que “já trabalhava em meio a adversidades”. Entre elas, a falta constante de material hospitalar.

“Fazemos 12 cirurgias na FHAJ por dia, e temos suspendido em torno de cinco ou seis cirurgias. Não há suspensões sistemáticas e quando isso ocorre é por falta de material. A reposição de materiais para cirurgias tem demorado muito. E esse não é um problema de agora. Eu trabalhei por oito anos na FHAJ e já existia esse problema. Já tivemos momentos em que não havia reposição de seringas, luvas, gases”, lembrou Rafael Benoliel.

A demora na reposição de materiais necessários para a realização de cirurgias ortopédicas foi denunciado, segundo o presidente do Itoam, ao Ministério Público Federal e ao MP-AM. “Quando denunciamos em 2013 sugerimos, inclusive, a realização de mutirões. A realidade é que nos “viramos nos 30” para fazer as cirurgias. Não há predileção de um caso pelo outro. O Adriano Jorge tem sete salas para cirurgias e somente duas são destinadas à ortopedia. Trabalhamos há 20 anos no Estado, não somos gestores, somos médicos. Todas as decisões são tomadas pelas direções dos hospitais onde atuamos. Se existem falhas é da direção”, assegurou o médico.

Salários atrasados

De acordo com o presidente do Itoam, Rafael Benoliel, o atraso no pagamento do instituto é uma constante. “Hoje estamos com o pagamento atrasado há três meses. Não há como dizer que trabalhamos só pelo dinheiro”, observou.

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