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Finanças pessoais: amazonenses estão no vermelho

Para o especialista Luiz Krempel, uma das razões para o número 58% de endividados no Amazonas é a inflação. Ele conta que, quando o problema foi domado, o brasileiro passou a consumir mais, já que conquistou maior poder de compra 17/11/2013 às 11:00
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Número de amazonenses endividados cresce
Náferson Cruz Manaus (AM)

Pesquisa feita em outubro pelo GuiaBolso.com, empresa especializada na identificação de entraves financeiros, traça o perfil econômico do amazonense no que tange aos gastos, orçamentos e controle das dívidas. A informação identificou que mais da metade dos amazonenses estão em apuros, ou seja, no “vermelho” com débitos vencidos ainda por quitar.  

Segundo o especialista e planejador financeiro da empresa, Luiz Krempel, os número mostram uma realidade preocupante, visto que o endividamento entre os amazonenses  chega a 58%. Dessa margem, 61% são de mulheres e 48% homens. Os que têm dívidas no limite atingem 30%. Os poupadores com 8% e investidores representam 4%.

Em relação à parcela da renda comprometida com dívidas, 69% dos amazonenses devem – e não negam –, porém não dispõem do dinheiro para quitar o débito. Outros 20% relatam que sobra bastante da renda e o restante, 11% deles, dizem que sobra pouco da renda para os vencimentos.

Dicas

Para Luiz Krempel, descobrir o quanto se deve e, a partir daí priorizar o que se deve pagar primeiro é de suma importância para que o saldo devedor não se transforme numa “bola de neve”. “Definir o que se vai pagar por primeiro também conta muito. As contas que apresentam os juros mais altos são prioridades, junto com elas a conta de água e luz”, observou.

Buscar renegociação das dívidas é uma das alternativas. “Recorrer a crédito consignado com juros baixos e penhora de bens, ou até mesmo a troca de dívidas por outros sistemas pode resolver o problema financeiro”, sugere Krempel.

Outro passo fundamental para quitação das dívidas, conforme Luiz Krempel, é saber por que está se gastando mais do que se ganha  e os motivos que levam a pessoa a não pagar os vencimentos. “Gastar mais do que se deve só aumenta até um ponto em que a mesma pode sair do controle”, comentou.   

Organização

Ter o controle da vida financeira é a indicação mais importante para garantir o domínio do próprio dinheiro. “O ponto de partida deve ser o diagnóstico da atual situação financeira. Isso significa mapear as receitas e os gastos, parcelas de empréstimos e investimentos”, pontuou. “Assim é possível saber o quanto sobra ou falta no fim do mês. Se estiver faltando, é hora de rever para onde o dinheiro está indo. Se estiver com as contas em dia, é hora de se planejar e ir atrás dos objetivos”, observa.

Querer economizar e não conseguir controlar os gastos, para o especialista, é  uma situação que vem se tornando mais comum a cada dia.  “Muitas vezes, gastamos em coisas que nem percebemos. São cinco reais aqui, dez reais ali, e nos esquecemos de totalizar o que saiu da carteira”, exemplifica. “No final, não sabemos porque está faltando dinheiro. São os chamados gastos ocultos, um dos maiores perigos do orçamento doméstico”, explica. Para ele, quase sempre é possível encontrar alternativas para continuar aproveitando as mesmas coisas, gastando menos.

Setores em débito

O cartão de crédito continua sendo o principal agente do endividamento da  maioria das dívidas familiares, com a marca de 57,7% dos gastos em todo o País. Em segundo, terceiro e quarto lugares aparecem, respectivamente, os carnês (11,9%), os financiamentos de carros (11,7%) e de casas (10%), conforme pesquisa nacional do GuiaBolso.

A pesquisa mostra ainda que 54% dos brasileiros estão em apuros com suas contas e 34% deles estão no limite co seus vencimentos. Outro fator que chama atenção é que apenas 12% dos brasileiro têm reserva para quitação dos débitos. O Amazonas, nesse contexto, apresentou o mesmo percentual.

Crescimento

 Mais de 60% das famílias começaram se envolver com altos níveis de dívida em 2013, de acordo com uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). As famílias relataram ter dívidas em cartões de crédito, no chamado cheque especial, cartões de supermercados, empréstimos pessoais, pagamentos por compras de carros e seguro de saúde.

Dessas famílias, 21% não pagam suas dívidas, enquanto a porcentagem de famílias que acreditam que não serão capazes de pagar as suas dívidas subiu para 7,2%.

Segundo Krempel, as razões para este aumento do endividamento das famílias são muitas, mas a principal causa é o acesso fácil ao crédito, que foi impulsionado principalmente pelo governo brasileiro

Para Luiz Krempel, uma das razões para o alto número de endividados no Amazonas que atinge 58% dos entrevistados é a inflação. Ele conta que, quando o problema foi domado, o brasileiro passou a consumir mais, já que conquistou maior poder de compra. “As pessoas passam a se comprometer demais e ficam atreladas a uma linha de dívidas com parcelamentos que aliados aos juros altos”, explicou.

Para ele, o brasileiro, bem como o amazonense, segue consumindo porque se acostumou a viver melhor. “A busca por manter o mesmo padrão de vida, em tempos de preços altos, é o que faz com que as pessoas gastem mais. Para agravar a situação, há ainda a falta de planejamento, já que muita gente não organiza as despesas de acordo com a renda e acaba ultrapassando o limite de gastos”, destacou.

Criação do GuiaBolso

O site foi desenvolvido há cerca de um ano, visa facilitar a vida financeira de seus usuários e oferecer suporte para que tomem as melhores decisões com o seu dinheiro. De acordo com Luiz, a página funciona como um consultor financeiro totalmente online, capaz de entender as necessidades e objetivos das pessoas e recomendar soluções personalizadas.


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