Domingo, 18 de Agosto de 2019
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Flores nativas e belas

Elas ganham cada vez mais espaço no mercado e estão sendo cultivadas em maior volume no Amazonas, em rastro aberto pela engenheira agrônoma Arlena Gato



1.jpg Helicônia Dimitri sucre também integra o rol das flores exóticas com grande demanda no mercado brasileiro
04/05/2013 às 19:58

A beleza exótica de alpínias, helicônias, bromélias, já decoram ambientes e encantam olhares. Poucos sabem, mas a região amazônica tem um clima propício para o cultivo de flores tropicais em larga escala comercial. Há seis anos, a agrônoma Arlena Gato é pioneira na produção dessas espécies no Amazonas. Na fazenda Tucandeira, quilômetro 63 da BR-174, Zona Rural de Manaus, ela planta flores e folhagens que já são vendidas para floriculturas, igrejas e grandes eventos, além de comercializadas para outros Estados, como Roraima.

A empresária entende do assunto. Ela é mestre em Biologia pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e Doutora em Biotecnologia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), onde estudou a genética de flores tropicais com a tese “Micropropagação, resgate de embriões e efeito de microrganismos endofíticos em Helicônias”. A ideia de cultivar flores nasceu do trabalho que ela desenvolve há oito anos como pesquisadora do Centro de Biotecnologia do Amazonas (CBA), onde trabalha com mudas através do sistema de micropropagação, que permite clonar várias espécies para o cultivo em larga escala.

Metade das 60 espécies cultivadas por Arlena é nativa da Amazônia e outras são encontradas na Mata Atlântica. Apesar disso, as mudas foram compradas e adaptadas ao solo manejado. Para por o negócio em prática, Arlena viajou para o Ceará, Alagoas e Pernambuco, Estados que estão na vanguarda da produção de flores tropicais e temperadas. Ela também esteve no Peru, Colômbia, Costa Rica e Panamá para conhecer as técnicas de produção e adaptação das plantas.

Na fazenda, as mudas são plantadas e recebem adubo nas áreas preparadas para o cultivo. As folhagens são instaladas em lugar telado e as flores são expostas ao sol. "Essa é uma fonte de mercado muito boa. O grande problema é a burocracia dos órgãos de controle", disse Arlena.

Apoio

O projeto de floricultura tropical recebe apoio do setor de Agronegócios do Sebrae que fornece suporte a 12 produtores que decidiram investir na atividade comercial. A atividade já está presente em Manaus, Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva, segundo o superintendente em exercício do Sebrae, Maurício Seffair. O Sebrae fornece ações de consultoria, capacitação e expansão de mercado, com a participação dos produtores em eventos locais e nacionais.

“O apoio do SEBRAE é identificar potenciais produtores e trabalharmos questões como preparação e adubação do solo, como melhorar o plantio daquela cultura, a forma adequada de plantar, a distribuição de mudas, e desenvolver a cultura do empreendedorismo para que eles possam ter como uma atividade de resultado”, explicou.

Os potenciais produtores podem entrar em contato com a central do Sebrae através do telefone 0800-570-0800. “Será feita uma visita técnica e vamos identificar o potencial do local e emitir o diagnóstico”, afirmou.

A floricultura tropical é considerada uma nova alternativa de geração de emprego e renda no agronegócio brasileiro. Segundo Arlena, a atividade é de três a cinco vezes mais lucrativa do que a fruticultura e 10 vezes maior do que o lucro da produção de grãos. Algumas especiais te rápido retorno financeiro com resultados a partir de seis meses.

No Brasil, o negócio movimenta US$ 2,5 bilhões anuais, sendo que São Paulo detém 70% do mercado nacional. Os Estados do Nordeste ficam com o 20% da fatia e o Norte é considerada a Região que tem maior potencial de expansão da floricultura.

As opções de negócios incluem cultivo de gramas e forrações, plantas de ambiente externo e plantas de interiores e arborização.

 

Porém, nem tudo são flores

Mas nem tudo são flores. A principal dificuldade enfrentada pelos produtores é a falta de estrutura para que o projeto avance em escala comercial e outras pessoas decidam investir na atividade. A Associação dos Floricultores e Produtores de Plantas do Amazonas (AFPAM), hoje presidia por Arlena Gato, tenta viabilizar a atividade há 14 anos junto aos órgãos como Secretaria de Estado Produção Rural (Sepror) e Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam) o suporte técnico para expandir a floricultura.

Entre os problemas enfrentados está a burocracia para permitir o desmate de áreas para plantio, a estrutura da vicinal no km-33 da BR-174 – onde já existem fazendas de cultivo de flores – e ausência de energia elétrica na Zona Rural.

A AFPAM deu entrada, em 1999, no projeto Flora Amazônia junto à Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), que aprovou uma área de 900 hectares para o cultivo através da Resolução 162/1999, com o apoio da Federação da Agricultura e Pecuário do Amazonas (FAEA).

Em 2001, foi firmado um compromisso perante a FAEA, da Suframa com a AFPAM para abertura da vicinal, de forma a viabilizar o projeto Flora Amazônica. A vicinal com aproximadamente 3 km de extensão foi aberta em outubro de 2002 e nunca foi finalizada, ficando restrita apenas ao desmatamento numa faixa de 30 metros ao longo do eixo da pista, segundo a AFPAM.

Apesar do convênio no valor de R$ 145 mil assinado em 2012 entre a associação e a Sepror, a execução dos serviços de melhoria da vicinal até agora não foram liberados pelo Governo do Estado.

Arlena já apresentou o projeto do cultivo de flores como oportunidade de negócio pela Câmara de Agroindústria do Amazonas, em um evento da FAEA.

“O mercado de plantas ornamentais, flores e folhagens tropicais no Estado do Amazonas ainda precisam expandir muito para atender a demanda local e os estados vizinhos”, disse ela.

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