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Cotidiano
Política

Exceto políticos do PT, maioria dos membros da ALE e da CMM apóia o impeachment

Parlamentares filiados ao mesmo partido da presidente da República se colocaram contra o impedimento de Dilma, já os vereadores e deputados estaduais de demais partidos concordaram com o impeachment 18/04/2016 às 20:43 - Atualizado em 18/04/2016 às 20:52
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O vereador Plínio Valério (PSDB) acredita que o prosseguimento do impeachment foi correto, já o deputado estadual José Ricardo (PT) discordou da decisão e disse que o que ocorreu foi um golpe
Oswaldo Neto

A continuidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), aprovado domingo na Câmara dos Deputados, em Brasília, foi o assunto mais comentado entre os políticos da capital amazonense nesta segunda-feira (18). Em meio a parlamentares apoiadores e contrários ao impedimento, não sobraram argumentos condenando ou apoiando a decisão, que segue agora para o Senado.

Vereadores

Durante sessão atrasada em quase uma hora, a maioria dos vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM) se mostrou a favor da continuação do impeachment da petista e isso se refletiu nos discursos na tribuna. É o caso da vereadora Socorro Sampaio (PP), irmã da deputada federal Conceição Sampaio (PP), que votou a favor do impeachment.

“A partir do momento que o Partido Progressista decidiu, de fato, a apoiar a população, essa foi uma demonstração de respeito. O Brasil está cansado de sofrer, de ser penalizado, e o povo do Amazonas penalizado pelo desemprego que está tão grande”, disse a vereadora.

Já o vereador Plínio Valério (PSDB) acredita que o prosseguimento do impeachment foi a decisão mais acertada. “A Constituição não prevê uma nova eleição. Eu sou a favor de eleições sempre, mas acho que nesse momento não caberia. Costumo dizer que o político é acima de tudo, sobrevivente. O político que não fizesse o que o povo quer está fadado ao fracasso”.

O presidente da Câmara Municipal, Wilker Barreto (PHS), parabenizou os parlamentares do Amazonas por terem votado de forma unânime pela sequência do impeachment. “Aqui temos tranquilamente 38 vereadores a favor do impeachment, o restante é do PT. Esperamos viver novos ares porque infelizmente é triste dizer, mas não temos confiança e não enxergamos perspectivas no Governo que aí está”, declarou.

Deputados estaduais

Nas redes sociais, canais onde muitos políticos têm intensificado a divulgação de seus projetos, alguns deputados estaduais também apresentaram apoio ao processo de impeachment.

O deputado estadual Bosco Saraiva (PSDB) classificou o momento como o “ressurgimento do País da esperança”. “Parabéns aos deputados federais que votaram a favor do impeachment. Um novo Brasil, de paz e esperança, ressurge hoje na Câmara dos Deputados e nas ruas brasileiras”.

Enquanto isso, o deputado Dermilson Chagas (PEN) citou a Constituição para apoiar a medida. “A Constituição Federal foi cumprida, devemos pensar como fica e o que tem para solucionar o problema existente no Brasil: a volta da credibilidade, a geração de emprego, reforma tributária, controle do câmbio, reforma política, e torcer para que outros Sérgios Moros existam no Brasil”.

Petistas dizem não

Na Câmara Municipal, dois dos três parlamentares integrantes do PT apresentaram em seus pronunciamentos profunda insatisfação com o prosseguimento do impeachment. Os vereadores Waldemir José e Professor Bibiano caracterizaram o processo como um “golpe”.

“Penso que o golpe foi dado. O golpe na democraria, o golpe em valores que foram construídos historicamente, inclusive com a morte do nosso povo lutador”, disse o vereador Waldemir José.

Na avaliação de Bibiano, é o momento do PT avaliar as estratégias para ter representantes regionais com vozes eficazes no Congresso Nacional. “O pior não é nem isso. O pior é ter um congresso que foi presidido por um criminoso. Um criminoso comprovadamente posto”.

Pela Assembleia, o deputado José Ricardo (PT) criticou a falta de argumentação dos deputados. “Todo mundo fez pela sua família, esposa, filhos, por Deus, e não pelo povo. A nossa bancada (do Amazonas) vai ser lembrada pra sempre como uma bancada de golpistas”, declarou.

Tramitação

No Senado, três votações estão previstas. Nessa fase, os senadores terão que eleger uma comissão para analisar o caso. O parecer será votado e depois irá ao plenário, que precisa aprovar por maioria. Se tiver aprovação, será instaurado o processo.

Dilma será afastada por 180 dias até o julgamento, mas poderá se defender, e um novo parecer da comissão deverá analisar a procedência da acusação. De novo, esse parecer terá que ser aprovado. Caso seja, o julgamento inicia comandado pelo presidente do STF. Dilma perde o cargo se o impeachment for aprovado por 54 senadores.

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