Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
POLITICAGEM

Formação de chapas para eleição ao governo do AM quebra alianças políticas

As estratégias dos caciques políticos do Estado para compor chapas com aliados que agreguem valor à disputa eleitoral acabou colocando em rota de colisão políticos que frequentavam os mesmos palanques



arthur-wilker-1534085167.JPG Foto: Reprodução/Internet
12/08/2018 às 10:47

A disputa eleitoral já provocou rachas em diversas partidos com políticos jogados para escanteio nas negociações para as eleições 2018. O encerramento das convenções partidárias foi marcado por  desdobramentos nas articulações políticas, entre eles a quebra da aliança Rotta e Artur Neto e a esquerda dividida no Amazonas com indefinições e mal-estar nas siglas.

A primeira parceria perdida pelo prefeito Artur Neto (PSDB)  foi o Partido Humanista da Solidariedade (PHS) liderado pelo presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM) Wilker Barreto, que retirou o apoio à coligação composta pelo PSDB, no último dia de convenções partidárias, e embarcou na campanha do governador Amazonino Mendes (PDT), que tenta a reeleição.

"Para onde o Artur for, o PHS estará ao lado dele", disse Wilker ao discursar na festa de comemoração dos 40 anos de vida pública de Artur em julho. De acordo com Barreto, a decisão de caminhar em lados opostos foi tomada por determinação da direção nacional da legenda e a escolha por Amazonino deve-se a interesses em comum com as políticas que o PHS defende.

Wilker já sente na pele as consequências do desenlace com Artur. Dezenas de comissionados indicados por ele estão sendo demitidos dos quadros da prefeitura.

De secretário à oposição

O deputado estadual Sidney Leite (PSD) ocupou na gestão Amazonino o cargo de chefe da Casa Civil durante três meses. O posto é responsável por prestar assistência e assessoramento direto aos atos do governador. 

A parceria de Sidney e Amazonino ficou evidente no pleito suplementar, quando o deputado assumiu a dianteira da campanha e depois foi um dos primeiros secretários confirmados para o primeiro escalão do governo. Após forte pressão política, Sidney foi exonerado, retomou o mandato de deputado e vem disparando duras críticas à gestão estadual.

Na semana passada, Sidney adotou o discurso da segurança pública, principal bandeira da coligação encabeçada pelo senador Omar Aziz (PSD), a qual Sidney integra como candidato a deputado federal.

Esquerda dividida

Historicamente, PT e PCdoB são aliados, porém, neste pleito no Amazonas há um entrave na escolha do candidato ao Senado, que deve compor a chapa encabeçada pelo candidato ao governo David Almeida (PSB). Na coligação, David já tem como candidato a senador Chico Preto (PMN) e diz não haver espaço para Vanessa Grazziotin (PCdoB) que concorre à reeleição pelo PT, conforme acordo nacional.

A escolha de Grazziotin em detrimento do ex-deputado Francisco Praciano (PT) acabou ocasionando um racha interno no Partido dos Trabalhadores. Em entrevista publicada em sua página oficial no Facebook, Praciano afima que ser vice de David é a única forma de acomodar a senadora na coligação. Para o PSB, não há mais chance de Vanessa concorrer à reeleição no mesmo palanque de David Almeida.

Mudança de partido

À frente do governo interino, David Almeida tentou se consolidar como candidato do PSD na eleição suplementar para governador do Estado, mas Omar preferiu apoiar a candidatura de Amazonino, negando legenda a David Almeida.

O ato provocou um racha entre David e Omar, e mesmo filiado desde 2011 no PSD, ano que a sigla foi criada, o parlamentar deixou o partido no dia 8 de março deste ano. Em seguida anunciou que tinha encontrado no PSB o apoio para concorrer ao governo na eleição de outubro.

Rotta fica de fora e culpa Arthur

Marcos Rotta, até então filiado ao PMDB, com sua densidade eleitoral, foi um dos fatores que levou a reeleição do prefeito Arthur Neto (PSDB) em 2016. Pouco mais de um ano depois, ele migrou para o PSDB. Titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), Rotta se afastou do cargo após receber a indicação de que seria o candidato tucano ao governo. 


Rotta afirmou que faltou sensibilidade do PSDB com sua posição política nas tratativas da sigla com relação às eleições. Foto: Arquivo/AC

O PSDB fechou parceria com o senador Omar Aziz (PSD). A aliança foi costurada pelo prefeito Arthur, que escolheu o filho, deputado federal Arthur Bisneto, como candidato a vice na chapa de Omar. Arthur deu a Rotta a possibilidade de ser candidato ao Senado, tudo o que ele não queria.

Rotta se desfiliou do PSDB na terça justificando a  “desincompatibilidade de interesses” e no dia seguinte recebeu o convite público do governador Amazonino Mendes (PDT) para comandar a Secretaria da Região Metropolitana de Manaus (SRMM). A proposta também inclui a coordenação do projeto de recuperação do sistema viário de Manaus lançado pelo governador com orçamento de R$ 148 milhões. 

Rotta afirmou que não cogita renunciar ao mandato de vice-prefeito e neste final de semana irá analisar o convite feito pelo governador.

'Volta ao mundo'

A crítica lançada pelo prefeito Artur Neto sobre seu vice, Marcos Rotta, de que ele estaria dando a “volta ao mundo” ao deixar o ninho tucano para se aliar ao governador do Estado é um reflexo da conduta do próprio tucano. Em 2016, quando precisava ser reeleito, Artur fez aliança com Eduardo Braga. Em 2017, na eleição suplementar, brigou com Braga e se juntou a Amazonino Mendes. Em 2018, não quis nenhum dos dois e se uniu a Omar Aziz.

Silas não cita mais Alfredo

Até o início de julho, os deputados federais Silas Câmara (PRB) e Alfredo Nascimento (PR) andavam circulando juntos no interior do Amazonas e enalteciam a parceria nas redes sociais. 

Em fotos e vídeos, Alfredo Nascimento rodeado de outros deputados, entre eles Silas, mostra a entrega de fábricas de gelo. A publicação foi alvo de decisão liminar da Justiça Eleitoral que determinou a exclusão dos vídeos postados por Alfredo a pedido do Ministério Público Eleitoral. 

PRB e PR quase estiveram juntos em 2017. Os partidos chegaram a firmar a chapa Marcelo Ramos-Silas Câmara para o governo tampão. A coligação foi desfeita em menos de 24 horas pelo senador Omar Aziz (PSD), que conseguiu atrair Silas para o palanque de Amazonino Mendes (PDT) e assim vencer o pleito. No pleito suplementar, Alfredo foi aliado de Eduardo Braga (MDB) e hoje caminha com Amazonino Mendes, candidato à reeleição.

Nesta eleição, o PRB contrariou a orientação do comando nacional e fechou com o PSD. Em postagens no Facebook, Silas não poupa elogios a Omar que tem como candidato ao Senado na coligação o vereador Plínio Valério (PSDB). Nas redes sociais, a união com Alfredo foi colocada para escanteio.

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