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Cotidiano
São Luiz

Fundação Alfredo da Matta é premiada no 9º Simpósio Brasileiro de Hansenologia

A Fuam recebeu menção honrosa como um dos 10 melhores trabalhos apresentados na Sessão de Apresentação Oral - Temas Livres 06/12/2016 às 11:24
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Foto: Reprodução/Internet
acritica.com Manaus (AM)

A Fundação Alfredo da Matta (Fuam) foi destaque no 9º Simpósio Brasileiro de Hansenologia, que aconteceu de 28 a 30 de novembro, em São Luiz do Maranhão. O trabalho científico “Teleducação em Saúde Indígena: produzindo vídeos para disseminação de informação sobre Hanseníase em áreas indígenas do Estado do Amazonas, Brasil”, recebeu menção honrosa como um dos 10 melhores trabalhos apresentados na Sessão de Apresentação Oral - Temas Livres, momento que reuniu mais de 180 trabalhos de todo Brasil, divididos em cinco categorias. Dois trabalhos de cada categoria foram premiados.

Segundo o Diretor Presidente da Fuam, Helder Cavalcante, a instituição que é Centro de Referência em Hanseníase, tem dado ênfase ao uso de novas tecnologias como uma alternativa eficaz para vencer barreiras geográficas.

 “A telessaúde e a teleducação vieram pra ficar, atuamos no interior, muitas vezes em localidades de difícil acesso e as novas tecnologias colaboram para que possamos chegar aos municípios com maior frequência e realizar nossos treinamentos à distância”, destaca.

De autoria de Leandro Fortes, Luiz Cláudio Dias, Valderiza Pedrosa, Tatiana José, Israel Dutra e Maria Leide Oliveira, o trabalho apresentou como o projeto de gravar material educativo sobre Hanseníase em língua indígena foi idealizado e executado.

 Dentre os autores, dois indígenas: Tatiana José – enfermeira em São Gabriel da Cachoeira, município do Estado do Amazonas onde o projeto foi realizado; e Israel Dutra, antropólogo e estudante de medicina da etnia Tuyuka, da família dos Tukanos. Tatiana é quem gravou o vídeo sobre Hanseníase em língua Baniwa e Israel, em língua Tukano.

“A ideia de produzir vídeos em língua indígena partiu da observação da inexistência de material educativo com estas características, em linguagem específica e adequada às comunidades indígenas”, afirma o médico Luiz Cláudio Dias, um dos autores do projeto. Luiz Cláudio é também coordenador do Núcleo de Telemedicina e Telessaúde da Fundação de Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta (NUTES/Fuam), que coordena e executa ações relacionadas às Tecnologias de Informação em Saúde e projetos de Telemedicina e Telessaúde na Fuam.

Segundo Leandro Fortes, que também é autor do projeto, quando os Agentes de Saúde vão às comunidades indígenas para explicar sintomas, sinais e tratamento da Hanseníase, nem sempre conseguem traduzir fielmente à comunidade alguns termos específicos sobre a doença, o que não chega a comprometer o trabalho dos profissionais, mas que representa uma barreira a ser vencida.

Com os vídeos, buscou-se facilitar o processo de educação em saúde entre a população indígena e, consequentemente, melhorar ainda mais a busca ativa de casos da Hanseníase.

 “Com todo um conteúdo de saúde apresentado em suas línguas maternas, a comunidade indígena sente-se empoderada, pois compreende melhor seu conteúdo e dispõe de um material educativo voltado às suas necessidades, produzido especificamente para eles, respeitando suas características, facilitando o processo educativo”, destaca Leandro.

Sobre o projeto

Quatro vídeos já foram produzidos – dois em Tukano, um em Nheengatu e um em Baniwa (grupos linguísticos mais falados na região); todos tendo como multiplicadores representantes das próprias etnias, selecionados após capacitação sobre o tema.

A capacitação em Hanseníase foi realizada através de aulas expositivas presenciais e por videoconferência para profissionais de saúde indígena do Distrito de Saúde Indígena (DSEI) do Alto Rio Negro, entre os anos de 2013 e 2015, no município de São Gabriel da Cachoeira. Os Agentes Comunitários de Saúde Indígena (ACSi) foram estimulados a fazer apresentações sobre o conteúdo aprendido em suas línguas maternas e os que tiveram melhor desenvoltura foram convidados para gravar os vídeos.

Os vídeos foram produzidos com equipamentos acessíveis – smartphones – e levados para as comunidades para validação, momento em que o conteúdo foi avaliado para se verificar se o estava adequado ou se ainda era necessário algum ajuste.

“Após a validação foram feitas as correções sugeridas e finalmente a edição do material, quando colocamos também legendas em português nos momentos em que se fala uma língua indígena e vice-versa”, relata Leandro Fortes. Depois de editados, os vídeos foram apresentados aos Agentes de Saúde (ACSi) para um novo treinamento em Hanseníase, este  já utilizando o material como ferramenta educativa.

Os vídeos também foram publicados no Youtube – site de compartilhamento de vídeos – e nos perfis da rede social Facebook da Fundação Alfredo da Matta e do município de São Gabriel da Cachoeira.

Segundo Luiz Cláudio Dias, a ideia é continuar produzindo. “Existem 65 grupos indígenas, a maior parte na região do Alto Rio Negro, em São Gabriel da Cachoeira, onde estão 43 etnias, só no lado brasileiro”, revela o médico. Aruak, Maku, Tukano e Baniwa são as quatro “famílias” linguísticas mais faladas, por isso, Luiz Cláudio acredita que ainda há um bom trabalho a ser realizado.

Mais da participação da Fuam

Além do trabalho premiado, outros dois trabalhos também foram apresentados no 9º Simpósio Brasileiro de Hansenologia: “Desempenho dos Testes Sorológicos PGL1 e NDO LID1 no diagnóstico da Hanseníase em um Centro de Referência do Norte do Brasil”, por André Leturiondo; e “Considerações sobre avaliação pré e pós das capacitações técnicas em Hanseníase”, apresentado pela Pesquisadora Maria Leide Oliveira.

A participação da Fuam no Simpósio contou ainda com palestras e com seus profissionais e pesquisadores atuando como coordenadores de Mesas Redondas e avaliadores de trabalhos.

Com o tema “Hanseníase no Brasil: o que fizemos, fazemos e faremos”, o Simpósio foi realizado pela Sociedade Brasileira de Hansenologia e reuniu profissionais de todo Brasil para discutir e avaliar as ações voltadas para o combate à Hanseníase em todo país.

A Mesa Redonda “Epidemiologia e Controle, pesquisa operacional (ECPO)” teve como avaliadora de trabalhos, a chefe do Departamento de Controle de Doenças e Epidemiologia (DCDE), Valderiza Pedrosa.

Já a médica Maria de Fátima Maroja foi coordenadora da Mesa Redonda “Hanseníase em populações específicas: como abordar?”, além de apresentar a palestra “Hanseníase em mulheres”. Ainda na programação desta Mesa Redonda, que discutiu como abordar a doença em populações específicas, a médica da Fuam Rossilene Cruz apresentou o tema “Hanseníase nos pacientes em uso de agentes biológicos”.

Além de palestrantes, a Fuam também teve profissionais como coordenadores de Mesas e avaliadores de trabalhos. “Biologia molecular, microbiologia, imunidade e genética (BMMIG)” foi o tema da sessão de apresentação oral de trabalhos avaliados pela médica da Fuam, Monica de Souza Santos. Já Valderiza Pedrosa avaliou trabalhos da sessão que teve “Epidemiologia e controle, pesquisa operacional (EPCO)” como tema.

O médico Luiz Cláudio Dias foi coordenador da Mesa Redonda “Telessaúde e Telemedicina: relatos de experiências em Hanseníase e seus impactos”, além de apresentar a palestra “Avanços e dificuldades da Telessaúde/Telemedicina no Amazonas”, na mesma sessão.

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