Sábado, 20 de Julho de 2019
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Fundo Brasil de Direitos Humanos investe R$ 40 mil em público LGBT com HIV

A iniciativa tem como objetivo melhorar o atendimento jurídico, psicológico e assistencial entre lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transgêneros



1.jpg A falta de orientação aos portadores de HIV está entre os problemas apontados
10/07/2013 às 11:25

A falta de atendimento jurídico, psicológico e assistencial voltado à população LGBT vivendo com HIV/Aids em Manaus é um dos maiores desafios à inclusão dessas pessoas na sociedade, segundo a Associação da Parada do Orgulho de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais de Manaus (APOLGBT). Para minimizar esse problema, a associação vai receber um investimento de R$ 40 mil do Fundo Brasil de Direitos Humanos para desenvolver o projeto “Dignidade é um direito sem preconceito”.

Para reverter o quadro atual, de um número crescente de denúncias relacionadas ao preconceito contra portadores de HIV, especialmente o público LGBT, o grupo pretende realizar um curso com foco em direitos humanos, cidadania, saúde e educação, para formar uma equipe de agentes multiplicadores e voluntários que devem atuar junto ao público LGBT que vive com HIV/Aids na capital.

Maíra Junqueira, Coordenadora de Projetos do Fundo Brasil de Direitos Humanos, afirmou que a ideia do projeto é viabilizar a formação em parceria com órgãos municipais e estaduais. Serão também produzidos materiais de comunicação, como panfletos e cartilhas, para serem distribuídos ao público LGBT e seus familiares.

Além disso, a APOLGBT se propõe a oferecer apoio e aconselhamento jurídico, psicológico e assistencial a esse público. Seminários temáticos e a mobilização de integrantes de outros movimentos de direitos humanos são outras ações previstas no projeto, que será desenvolvido no decorrer de um ano, a partir da assinatura do contrato, que deve ocorrer em agosto.

De acordo com a APOLGBT, 85% das pessoas homossexuais portadoras de HIV/Aids em Manaus relataram não terem  recursos ou orientação para buscar mecanismos de solução para seus problemas. Esse cenário se agrava no público de travestis e transexuais.

A APOLGBT pretende beneficiar diretamente cerca de 150 pessoas, entre lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transgêneros. Indiretamente, serão atingidos aproximadamente 350 familiares desse público, por meio de atendimentos de advogados, psicólogos, assistentes sociais e voluntários. As atividades serão realizadas inicialmente em Manaus, podendo chegar a municípios vizinhos.

Repasses devem ser monitorados

Os recursos serão monitorados pela equipe do Fundo Brasil que deve oferecer apoio técnico à organização no decorrer da realização do projeto. Os projetos apoiados pelo Fundo Brasil são escolhidos por meio de editais.

Maíra Junqueira, Coordenadora de Projetos do Fundo Brasil de Direitos Humanos, afirmou que o foco dessa chamada foi o combate à discriminação e à violência institucional (aquela praticada por ação ou omissão das instituições oficiais). Durante a seleção, são também priorizadas as organizações que dispõem de poucos recursos e têm dificuldade de acessar outras fontes de financiamento.

Para participar, o indivíduo ou grupo que atua em defesa dos direitos humanos deve remeter projeto de acordo com as especificações do edital vigente. O próximo edital anual deve ser aberto em dezembro.

Recursos de empresas a entidades

O Fundo Brasil de Direitos Humanos é uma fundação de direito privado que capta recursos junto a pessoas físicas e empresas para doar a indivíduos e grupos que atuam em defesa dos direitos humanos em todo o País.

Neste ano, foram contempladas 20 propostas distribuídas em 13 estados das cinco regiões do País, alcançando a marca de 196 iniciativas apoiadas, destinando R$ 5 milhões em doações.

Além da defesa do direito da população LGBT vivendo com HIV/AIDS, outras iniciativas selecionadas têm como objetivo promover os direitos humanos de povos indígenas e comunidades tradicionais, das mulheres negras, trabalhadoras domésticas, populações atingidas por grandes empreendimentos em área urbana ou rural, crianças, adolescentes e jovens moradores das periferias e religiosos de matriz africana.

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