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Game desenvolvido no Amazonas ‘ganha’ o mundo

Jogo para celular desenvolvido por programadores amazonenses teve mais de 1,5 milhão de downloads, do Brasil à Rússia 09/09/2014 às 11:25
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O jogo foi desenvolvido por quatro programadores, quatro designers e dois técnicos em Informática da Gerência de Projetos do Instituto Nokia de Tecnologia
Rosiene Carvalho ---

Os profissionais formados no Amazonas, na área de desenvolvimento de software e aplicativos, estão em franca disputa por inserção no mercado de jogos no Brasil e no exterior. Exemplo desses passos ousados e seguros é o jogo para celular Wake Woody Infinity, que no ano passado teve mais de 1,5 milhão de downloads em todo o mundo, e ganhou sua segunda versão há duas semanas.

Desde que foi disponibilizado, o Wake 2.0 já teve 20 mil downloads no Brasil e, na primeira quinzena de setembro, para turbiná-lo no exterior, terá um lançamento internacional na mídia especializada.

A equipe que desenvolveu o joguinho de celular que caiu no gosto dos gamers dentro e fora do Brasil é toda da Gerência de Projetos do Instituto Nokia de Tecnologia (INdT) - um centro de Pesquisa e Desenvolvimento independente que funciona em Manaus. Os desenvolvedores – praticamente todos amazonenses - são jogadores de games e a maioria está cursando a pós-graduação de Desenvolvimento de Tecnologia em Jogos Digitais na Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

O gerente de projetos do INdt, Silvio Silva, afirmou que a ideia partiu de um dos designer da equipe, que tirou dinheiro do próprio bolso para incentivar a divulgação dentro do instituto e convencer a diretoria que o game podia ser uma boa aposta. “E a diretoria aceitou o projeto. Apostaram na gente, como as empresas deveriam fazer com todo mundo”, declarou Silvio.

A equipe reuniu no projeto a criatividade e a exigência de quem gosta de jogos eletrônicos para deixar o aplicativo mais interessante. Aliou a isso tecnologias aprendidas a partir de pesquisas no INdT e no curso de pós-graduação na UEA. O último componente para o sucesso foi a disponibilização gratuita do jogo. Sem grandes estratégias de divulgação, o Wake Woody Infinity surpreendeu os desenvolvedores e alcançou a marca de 1,5 milhão de downloads no mundo, ano passado.

No gosto dos russos

Um dos países onde mais o jogo teve maior acesso foi a Rússia. A quantidade de downloads foi tão expressiva que os desenvolvedores já preparam links no site do game (wakewoody.com) com informações sobre o jogo em russo para segunda versão.

“A Rússia foi o país estrangeiro onde tivemos grande número de downloads. E estamos cogitando colocar a tradução da descrição do jogo em russo para garantir que tenha a mesma adesão na segunda versão”.

A equipe é formada por quatro programadores, quatro designs e dois técnicos em Informática. Para Silvio, os profissionais amazonenses precisam estar prontos para explorar o mercado de jogos e romper os preconceitos. “O desenvolvimento de jogos, apesar de movimentar muito dinheiro, não é visto como algo sério”, declarou.

Jogo teve premiações em simpósio

O Wake Woody Infinity foi premiado no Simpósio Brasileiro de Games e Entretenimento Digital (SBGames). Ficou em segundo lugar na categoria “jogo para mobile (celular): aspecto visual/artístico”. Na categoria aspecto tecnológico, ficou em terceiro lugar.

O personagem do jogo é o Woody, que é um cachorrinho que faz manobras radicais de wakeboard (esporte aquático em que o atleta anda em cima de uma prancha puxada por uma lancha ). A ideia do jogo é fazer com que Woody conquiste moedas no caminho e a supere os obstáculos de acordo com a habilidade do jogador com os dedos. Na nova versão, o Woody traz uma habilidade a mais: mergulha na água e continua avançando no jogo.

“Usamos nessa versão uma tendência do mercado, que é o jogo infinity. Ou seja, o jogo é infinito, não tem fases e pode ter a competição entre os amigos que estão na sua lista do Facebook”, esclareceu Silvio Silva.

Na primeira versão desenvolvida pela equipe do INdT, o jogo estava disponível apenas na plataforma da Microsoft. Agora, ele está na versão Windows Phone, Android e iOS. “O INdT é um instituto que desenvolve várias pesquisas, dentre as quais desenvolvimento de aplicativos para celulares”, concluiu Silvio.

Programa é grátis, mas pode dar lucro

O jogo pode ser baixado de forma gratuita, mas prevê maneiras de tornar a iniciativa rentável financeiramente. A opção é do próprio usuário do aplicativo.

É ele que escolhe, por exemplo, se quer adquirir mais bônus numa competição. A compra dessa moeda é feita durante o jogo e representa pagamento, via Internet, por parte do usuário.

Há também a possibilidade de peças de marketing. Os desenvolvedores tiveram o cuidado de não irritar e nem cansar o usuário com propagandas. “Temos a opção de que se ele assistir todo aquele anúncio pode somar algumas moedas e bônus na competição”, explicou Silvo Silva.

Para o gerente, essa é a tendência dos jogos dentro das exigências do atual perfil de jogadores em todo o mundo. O gerente de projeto do INdT afirma que o mercado sempre esteve em alta porque as pessoas gostam desse tipo de lazer.

A exemplo da própria evolução dos games: Atari, Mega Drive, Nintendo 64, Dreamcast, Xbox e PlayStation 1, que hoje já são consideradas “peças de museu” no mercado de games.

Análise: Jucimar Júnior, professor da UEA

“Objetivo é ser um polo”

“Manaus é uma das capitais mais ricas do Brasil, a Zona Franca está aqui e empresas importante também. Mas a mão de obra que oferecíamos a esse mercado não era especializada. A UEA está entrando nesse eixo, primeiro, por meio da pós-graduação que já tem turma em curso. Agora, por meio do primeiro curso de graduação em desenvolvimento de jogos eletrônicos (a partir do vestibular deste ano). Nosso compromisso é transformar Manaus num polo de produção de jogos, a exemplo do que ocorre em Recife e em Florianópolis”.

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