Publicidade
Cotidiano
MUSEU

Geoparques da Unesco vão doar peças ao Museu Nacional do Rio

Quase 90% do acervo do museu foram destruídos em um incêndio no dia 2 de setembro. Entre o conjunto de peças de maior relevância estava o de origem egípcia 05/10/2018 às 15:41
Show 2018 09 03t231819z 1 lynxnpee821ge rtroptp 4 geral museu dinheiro recuperacao 30790a46 0ab2 494e b95a 13d548b863ed
Foto: Agência Brasil
Agência Brasil

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) anunciou nessa quinta-feira (4) que os 140 geoparques de sua rede farão doações ao Museu Nacional do Rio de Janeiro, que perdeu quase 90% do acervo em um incêndio na noite de 2 de setembro.

Cada geoparque coletará e doará ao museu um artefato lítico, fóssil ou de importância cultural e científica para o país. Os geoparques são áreas geográficas cujo patrimônio geológico fica sob a guarda da Unesco. Atualmente, a Rede Mundial de Geoparques é composta por 140 pontos, distribuídos em 38 países.

A colaboração com o Brasil foi proposta pelo presidente da Cátedra da Unesco de Geoparques, Desenvolvimento Regional Sustentável e Estilos de Vida Saudáveis, Artur Abreu Sá. Ele disse esperar que o gesto avive o sentimento de solidariedade de outras instituições. "Nossa humilde iniciativa pretende servir de exemplo para outras instituições, como universidades e museus, mas também associações e indivíduos, de todas as partes do mundo, para que ajudem o Museu Nacional.”

Controlado somente na madrugada de 3 de setembro, o incêndio consumiu 90% do acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, segundo cálculos do governo federal. Fundado em 1818 por dom João VI, o museu era considerado pela Unesco a mais importante instituição museológica da América Latina na especialidade de história natural, por conter significativas coleções de arqueologia, botânica, etnologia, etnografia, geologia, linguística, paleontologia e zoologia.

Entre o conjunto de peças de maior relevância do museu estava o de origem egípcia, que foi danificado pelo fogo. Após comparecerem ao local para apurar os estragos, no dia 18 de setembro, representantes da Unesco estimaram em uma década  o prazo para concluir os trabalhos de restauração do museu.

Três dias depois da visita dos representantes da Unesco, o Ministério da Educação comunicou a liberação de R$ 8,9 milhões dos R$ 10 milhões prometidos para a realização de obras emergenciais no prédio, que garantiriam um reforço em sua base. O restante da verba, cerca de R$ 1 milhão, ficou reservado para atividades de pesquisa desenvolvidas na Universidade Federal do Rio de Janeiro, que administra o museu.

Embora a instituição ainda não tenha confirmado a destruição dos restos mortais de Luzia, fóssil humano mais antigo encontrado na América, a Unesco avalia o item como insubstituível. Assim também são consideradas pela organização as gravações de línguas indígenas que já não são mais faladas e coleções de fósseis e holótipos (espécimes que servem como base para descrever e nomear uma nova espécie).

A decisão foi adotada por unanimidade durante a 8ª Conferência Internacional sobre os Geoparques Mundiais da Unesco, realizada em setembro, no Geoparque Adamello Brenta, na Itália.

*Com informações da Unesco

Publicidade
Publicidade