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Gérard Moss diz que a Amazônia tem papel fundamental para o equilíbrio ambiental do país

Ambientalista e aviador, o engenheiro suíço Gérard Moss estuda, desde 2007, os ‘rios voadores’ da Amazônia  17/05/2015 às 13:46
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Gérard Moss
Oswaldo neto ---

O suíço Gérard Moss começou a fazer seus primeiros voos ainda quando criança. Meia década depois, ele se dedica arduamente à preservação do meio ambiente levando seus conhecimentos sobre os “rios voadores” da Amazônia. Por meio do Programa Petrobras Socioambiental, ele veio a Manaus para participar da capacitação de professores da rede pública, que poderão inserir em suas aulas essa “novidade” científica e, assim, contribuir para que as futuras gerações dêem continuidade à missão de preservar a floresta e, assim, o equilíbrio ambiental não só da Amazônia como de todo o Brasil.

Como a pesquisa iniciou?

O projeto começou em 2007 com apoio da Petrobras. Sou aviador, então pegava meu aviãozinho e fazia voos no Brasil todo, na Amazônia especialmente, coletando vapor de água e analisando esse material pra definir a origem.

Quais as características dos rios voadores na região amazônica?

Os rios voadores transportam água em forma de vapor no céu, na forma gasosa. Eles transportam essa umidade que vem da própria floresta amazônica para outras regiões da floresta e outras áreas do Brasil.

Em resumo, como é a trajetória desses rios?

A região tem bastante água, a chuva cai na floresta e devolve a quantidade de umidade para o céu, permitindo esse ciclo das águas, levando essa água por dentro do continente até chegar à Cordilheira dos Andes. Esse é o grande milagre da Amazônia. Por isso é tão importante manter a floresta viva e em bom estado.

Quais fatores contribuem para a Amazônia ser considerada “privilegiada” por ter esses ‘rios voadores’?

Vários motivos. Você ter uma floresta tropical aqui faz com que a região seja úmida. É um ciclo vicioso. A umidade faz com que ocorra a evapotranspiração das árvores, que volta a se tornar umidade. É tudo um ciclo.

Como você observa a bacia amazônica na sua pesquisa?

O que é importante entender é que na Amazônia você tem um rio Amazonas, que atravessa toda a bacia amazônica até o exterior. Isso representa 20% do escoamento de água doce do mundo inteiro, ou seja, 20% da água que deságua no mar é proveniente do Amazonas. O que poucas pessoas sabem é que existe um outro rio atmosférico que transporta água no sentido contrário, saindo do Oceano Atlântico.

O que altera esse processo e quais as consequências?

Se fazem um buraco na Amazônia, desmatam, queimam ou destroem, é possível que esse ciclo seja modificado gravemente. Uma única árvore de médio porte é capaz de colocar na atmosfera uma tonelada de água por dia... Se você retira essa árvore, todo o sistema é modificado.

Essa mudança de percurso traz riscos aos seres vivos?

Existem os riscos trazidos com as mudanças climáticas. Elas geram outros fenômenos, como grandes chuvas, alagações, ou aumento da temperatura. Se não fosse pela presença da floresta amazônica e da Cordilheira dos Andes na região, é possível que muitas áreas do Centro-Oeste, por exemplo, não tivessem incentivo ao agronegócio, já que não existiria água para irrigação.

Qual a importância da floresta nesse novo contexto?

É importante porque a floresta amazônica funciona como uma “bomba de água”, uma fábrica de chuva que permite ter o ciclo das águas constante, mantendo o clima no País inteiro. É importante para a nossa economia. É como se fosse um “link” entre a Amazônia e o Sudeste do Brasil.

Perfil Gérard Moss
Idade: 59 anos
Estudos: Formado em engenharia mecânica, aviador e ambientalista
Experiência: Trabalhou no ramo de afretamento marítimo em 1983 e atualmente é um “aviador-ambientalista”, com militância na preservação dos recursos naturais, tanto dos rios e lagos quanto das florestas que fornecem umidade.


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