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Governador do Amazonas José Melo declara à ALE que guarda R$ 220 mil em casa

Antes de assumir e de deixar o exercício de cargo público, qualquer cidadão é obrigado a tornar pública sua relação de bens. Analista aconselha Melo a investir 14/01/2015 às 12:11
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O governador reeleito José Melo declarou à Justiça Eleitoral, em 2014, ter bens que totalizam R$ 699 mil
Raphael lobato Manaus (AM)

Em cumprimento à medida obrigatória, o governador José Melo (Pros) teve a sua relação de bens que foram declarados para o imposto de renda publicada no diário oficial da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM). Na lista que também inclui os bens do vice-governador Henrique Oliveira (SDD), Melo declara guardar R$ 220 mil em espécie.

A declaração atende ao artigo 266 da Constituição do Estado, que determina que “antes de assumir e de deixar o exercício de cargo público de qualquer natureza, os titulares ou integrantes de qualquer dos Poderes, no âmbito do Estado e dos Municípios, são obrigados a fazer expressa declaração de bens, de que conste a sua origem”.

A prática de guardar altas quantias de dinheiro em casa não é ilegal, mas na avaliação de especialistas, o dinheiro parado “perde o valor” por não movimentar investimentos. Antes de o valor ser publicado pela ALE-AM na última sexta-feira (9), José Melo já havia divulgado a quantia acumulada entre os R$ 699 mil que foram declarados à Justiça Eleitoral.

Flutuante Na lista de bens enviada por Melo ao parlamento, estão ainda itens como apartamentos, lotes de terras, automóveis, contas em bancos e até um flutuante, no valor de R$ 13 mil. Adepto de turismo aquático, declarou também um jeti-ski avaliado em R$ 36 mil e uma embarcação em madeira de R$ 215 mil.

Durante a campanha pela reeleição, a presidente Dilma Rousseff (PT) foi criticada por adversários por também ter declarado guardar R$ 113 mil em espécie em casa. Questionada, a petista se justificou. “Sete anos eu vivi fugida. São as coisas que você incorpora. Teve muito tempo na vida em que eu dormia de sapato. É muito forte a experiência que você passa em determinados momentos”, falou.

Dilma afirmou ainda que parte do dinheiro é depositada ao longo do ano e que outra parte ela acaba dando para a família. “Já me perguntaram: por que será que eu gosto de fazer isso? Eu falei que sou desse jeito. Eu sou de outra geração, eu nunca quis o sucesso... O sucesso não era isso na minha época. O valor fundamental era transformar o Brasil. Já vivi muito sem dinheiro. Já vivi com dinheiro. Tenho esta mania com meus 150 mil reais” afirmou.

Melo deveria investir, diz analista

Especialistas em finanças não recomendam a prática de guardar dinheiro em casa. Quem deixa quantias ‘sob o colchão’ perde rendimentos que teria se aplicasse no mercado. O analista financeiro Juca Ferreira, da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), calcula que, num investimento básico, Melo teria um rendimento anual de R$ 10 mil para cada R$ 100 mil aplicados.

“Só é recomendado deixar dinheiro em casa se você está esperando uma guerra ou um confisco de poupanças. Mas cá entre nós: nem um nem outro estão previstos num horizonte temporal razoável” diz o especialista, que completa: “ Sem falar na questão da segurança. O dinheiro pode ser roubado, roído por um rato, perdido numa inundação ou incendiado. É melhor investir”.

A agilidade de transferências bancárias on-line também é citada para descartar a possibilidade de o dinheiro vivo ser mantido sob o colchão para negócios imediatos. “Fazendo uma TED (transferência eletrônica disponível) você pode pagar alguém que quer te vender uma televisão de LED por R$ 40 mil em plena madrugada. O negócio é fechado até mais rápido”, afirmou.

Políticos do AM guardam R$ 1,2 mi

As declarações de bens dos candidatos nas últimas eleições revelaram que José Melo não é o único que mantém a prática de guardar dinheiro em espécie. No Estado, Ao menos dez candidatos declararam ter quantias que somam R$ 1,2 milhão.

Entre os que disputavam uma vaga na Câmara, o deputado federal Marcos Rotta (PMDB) que disse ter R$ 260 mil. Stanley Braga (PSB) R$ 83 mil, Eron Bezerra (PCdoB) R$ 10 mil e o ex-deputado federal Carlos Souza (PSD) declarou ter R$ 70 mil em espécie.

Outros R$ 420 mil foram declarados por candidatos que disputavam uma vaga na ALE-AM. Dentre eles, está Joaquim Fonseca Gouveia (PSB), que declarou ter R$ 340 mil em espécie, e o ex-deputado estadual Liberman Moreno (PPS), que informou ter, em casa, R$ 45 mil.

Em todo o País , dos cerca de 25 mil candidatos às eleições deste ano, 7,7% registraram na Justiça Eleitoral ter recursos em espécie. No total, têm R$ 269,7 milhões em dinheiro vivo. Segundo a justiça, 33 ex-candidatos guardam mais de R$ 1 milhão em espécie.

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