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Cotidiano
SAÚDE

Malária leva governo a decretar situação de emergência no Alto Rio Negro

São Gabriel da Cachoeira, Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro, municípios da região, são responsáveis por 53% dos registros de malária no interior do Amazonas este ano 26/06/2018 às 19:57 - Atualizado em 27/06/2018 às 09:14
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Foto: Reprodução/Internet
acritica.com* Manaus (AM)

O Governo do Amazonas decretou situação de emergência no Alto Rio Negro por conta dos casos de Malária na região. Com 11.765 notificações, São Gabriel da Cachoeira, Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro, municípios da região, são responsáveis por 53% dos registros de malária no interior do Amazonas este ano, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (Susam).

São Gabriel da Cachoeira é o município amazonense com o maior número de casos (7.980), seguido por Manaus, com 3.836. Barcelos registrou 2.208 e Santa Isabel 1.577. Uma das preocupações é o crescimento, no Alto Rio Negro, da malária P. falciparum, o tipo letal da doença.

Segundo o secretário estadual de Saúde, Francisco Deodato, o decreto de Situação de Emergência vai ajudar os municípios e o Estado a viabilizarem a compra de insumos e de equipamentos para intensificar as ações locais.

“Por parte do Estado, vamos fazer o que for necessário para ajudar os municípios. Estamos, por exemplo, com processo tramitando para compra de mosquiteiros impregnados, para distribuir entre a população ribeirinha. Os municípios estão viabilizando a contratação de pessoal de vigilância”, afirmou o secretário.

Malária cresceu no AM em 2017

Em 2017, foram registrados 81.302 casos de malária, 65% a mais do que no ano anterior. Neste primeiro semestre de 2018 (até o dia 21 de junho), foram registrados 32.503 casos.

Além do Alto Rio Negro, outros 13 municípios estão entre os prioritários nas ações de combate à malária, incluindo a capital Manaus. Para estes municípios prioritários, a Susam está garantindo, junto ao Ministério da Saúde (MS), aumento do valor dos repasses para essa finalidade. O acréscimo, concedido pelo MS, deverá variar de 20% a 50%.

Francisco Deodato ressalta que, desde o início do ano, o Governo do Estado, com apoio do MS, vem intensificando as ações na área de vigilância epidemiológica e a malária é uma das doenças tratadas como prioridade. Em janeiro de 2018, o Governo do Amazonas enviou veículos e embarcações novos a 21 municípios, para reforçar as ações de vigilância.

O trabalho é focado, principalmente, na identificação de casos para tratamento assistido dos doentes e no controle do mosquito transmissor, o Anopheles. Estão sendo intensificadas a nebulização espacial com veículo tipo fumacê e borrificação intradomiciliar, principalmente nas comunidades rurais, mas também nas áreas urbanas.

“Temos hoje mil pontos de microscopia em todo o Estado para fazer o teste de laboratório e o diagnóstico precoce da malária, ação essencial para identificar, tratar os casos e, assim, interromper o ciclo do mosquito”, disse o diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), o médico infectologista Bernardino Albuquerque. Segundo ele, a medicação é oferecida no próprio posto de microscopia onde é feito o exame.

O Amazonas possui, hoje, 10.768 localidades cadastradas no Sistema de Vigilância Epidemiológica da Malária (SIVEP-Malária do Ministério da Saúde). Destas, 4.487 localidades têm transmissão ativa de malária. O Estado é considerado o de maior risco de transmissão da doença no Brasil, que se concentra, principalmente, em áreas ribeirinhas e indígenas.

O aumento da malária é um fenômeno que está ocorrendo em toda a Amazônia Legal, e tem vários fatores de causa. Uma delas, de acordo com a Susam, é o crescimento da doença em países vizinhos, como a Venezuela.

*Com informações da assessoria de imprensa.

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