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Governo do Amazonas assina acordo com estatal chinesa de olho em US$ 1 bilhão

Cerca de US$ 133 bilhões é o valor dos 35 acordos firmados entre Brasil e China. O que trata de investimentos nas áreas de energia elétrica, mineração, infraestrutura e manufaturas, totaliza mais de US$ 53 bilhões. O governo do Amazonas espera levantar, desse montante, US$ 1 bilhão 22/05/2015 às 15:17
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Durante a assinatura do acordo, Liu Liehong, presidente da estatal China Eletronics Corporation (CEIEC), trocou presentes com o governador do Estado do Amazonas, José Melo, na sede do governo
Aristide Furtado Manaus (AM)

O governador José Melo e empresários do Amazonas desembarcarão na China, em setembro, em busca de investimentos de cerca de US$ 1 bilhão (R$ 3 bilhões) para financiar projetos como a produção de peixe em cativeiro e obras de infraestrutura no Estado, como a duplicação da rodovia AM-010, que liga Manaus a Itacoatiara, e a construção do campus da UEA.

A data da visita foi acertada ontem durante a assinatura de um protocolo de intenções firmado entre o Governo do Amazonas e o representante do governo chinês na área de ciência e tecnologia, o presidente da estatal chinesa China Eletronics Corporation, Liu Liehong.

O encontro foi um desdobramento do acordo de cooperação firmado entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e o primeiro ministro da China , Li Keqiang. O Plano de Ação Conjunta entre os dois países no período de 2015 a 2021 está estimado em US$ 133 bilhões, quase R$ 403 bilhões.

Após o evento de ontem à tarde, na sede do Governo do Amazonas, o governador José Melo (Pros) ressaltou que o acordo firmado pelo governo brasileiro abriu uma janela para os Estados acessarem tecnologia e recursos chineses.

“A China é um país grande, rico, mas precisa de alimentos. E eles viram no Amazonas um local onde a gente possa produzir alimentos. O chinês é muito afeito a peixe. E nós vimos a oportunidade de acessar os recursos dele para transformar o Amazonas, um velho sonho que tenho, que é ser um grande produtor de peixe”, disse Melo.

Na avaliação do governador, o investimento na produção de peixes abre um caminho alternativo à atual dependência econômico do Estado ao modelo Zona Franca de Manaus. Ele enfatizou que o governo chinês tem interesses variados no Estado, inclusive na exploração mineral, mas a curto prazo a intenção é investir na criação de peixes e em obras como a do campus da UEA, o porto e a duplicação da AM-010.

Melo disse que é vantagem levantar dinheiro do governo chinês. “Só que os juros que o governo chinês praticam no mercado são menores até que os do BNDES. Seria super vantajoso. E no caso do peixe eu quero abrir oportunidade para que empresários possam acessar o crédito chinês para produzir o peixe aqui, enlatar e vender para eles. Por isso, a delegação (quer irá a China) será do Estado, mais a Federação da Indústria, empresários e etc”. disse.


Entrevista: Afonso Lobo, titular da Sefaz

Quem é o representante do governo chinês que assinou o protocolo de intenções com o governador José Melo?

Ele é o presidente de uma empresa estatal. E o presidente de uma empresa estatal na China tem o status de um ministro. Ele tem o mesmo padrão de representação de um ministro de Estado. A empresa tem atuação em várias áreas, mas onde ela é mais forte é na área de ciência e tecnologia. E aqui em Manaus temos o braço deles, que é a empresa que comprou a Philips, a TP Vision.

Em termos práticos, o que significa esse protocolo?

Como pôde ser visto no noticiário nacional, o governo chinês veio ao Brasil, como tem feito em outros países da Ásia, da África, com a proposta de um volume de recursos para investimentos. No caso do Brasil, algo em torno de US$ 50 bilhões. O objetivo é investimentos diretos em infraestrutura e na área produtiva. Houve um protocolo inicial com o governo federal e agora isso se desdobrou para os estados. O primeiro ministro com a presidente (Dilma Rousseff). E depois os presidentes dos diversos grupos estão fazendo esses entendimentos com os governos estaduais.

Quando o Amazonas teria acesso a esses recursos?

Vamos organizar uma missão para irmos à China no mês de setembro. É a melhor época por causa do clima. A gente deve ir com os projetos detalhados daquilo que a gente quer e vamos reunir com os executivos para debater com eles a viabilidade econômica desses projetos.

Qual é a vantagem de tomar empréstimos com o governo chinês e não com outros organismos internacionais?

Não necessariamente é empréstimo. Vamos mostrar quais são as áreas de interesse de investimento do governo do Estado e eles farão isso de forma direta ou poderão fazer via Estado, ou poderão fazer também indiretamente esses investimentos.

E o que eles (governo chinês) ganham com isso?

Eles vão ganhar. É investimento privado. Vão ganhar recursos, rentabilidade, lucro.

O que eles ganham construindo a UEA?

A UEA seria diferente. Provavelmente uma PPP (parceria público privada) onde eles poderiam construir, depois o Estado pagaria para eles. É uma hipótese. Eles poderiam, por exemplo, explorar a parte de criação de peixe. Aí seria um negócio privado. Não teria o Estado no meio. O Estado só apoiaria. É mais ou menos isso. Dependendo da modelagem que a gente estabelecer, aí a gente trabalha. A melhor foram vai ser discutido com eles.

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