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Cotidiano
PROBLEMA

Governo Federal reconhece Emergência no Alto Rio Negro, devido à malária

A doença, que voltou a crescer no Amazonas a partir de 2017, tem 36.099 registros de janeiro a junho deste ano, dos quais São Gabriel da Cachoeira lidera com 8.626  casos 20/07/2018 às 14:48 - Atualizado em 20/07/2018 às 14:49
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acritica.com Manaus

O Governo Federal publicou, no Diário Oficial da União desta sexta-feira (20/07), a Portaria Nº 196/2018, por meio da qual reconhece a situação de emergência decretada pelo Governo do Amazonas nos municípios de São Gabriel da Cachoeira, Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro, no Alto Rio Negro. Os três municípios são responsáveis por 39,7% dos casos de malária no interior.

A doença, que voltou a crescer no Amazonas a partir de 2017, tem 36.099 registros de janeiro a junho deste ano, dos quais São Gabriel da Cachoeira lidera com 8.626  casos, seguido por Manaus (4.207),  Barcelos (2.378) e Santa Isabel do Rio Negro (1.665).

O secretário estadual de Saúde, Francisco Deodato, destaca que o reconhecimento de situação de emergência, por parte do Governo Federal, ajuda o Estado e os municípios no combate e controle da doença. “O decreto federal respalda a decisão que foi tomada pelos governos Estadual e municipal, no Caso de São Gabriel da Cachoeira, que reconheceram a situação de emergência em maio e junho respectivamente. É um reconhecimento da seriedade e rigor com que a malária está sendo tratada em termos locais e que pode subsidiar mais aporte financeiro para que os municípios possam manter, de forma contínua,as ações de controle”, afirmou.

Segundo Deodato, além da dificuldade de recursos dos municípios, é preciso levar em conta as condições naturais de distância e limitação de acesso às localidades, o que onera ainda mais o trabalho de prevenção, diagnóstico, tratamento e controle da doença. “Essa sintonia entre as três esferas é o que está permitindo o enfrentamento da malária, que voltou a crescer no Brasil, onde nove estados registram casos,  e que  sofre influência da migração, principalmente, o deslocamento de venezuelanos na fronteira com  Roraima e Amazonas”, explicou.

Como resultado do decreto estadual, a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) realizou compra emergencial de 20 mil mosquiteiros impregnados e aguarda a entrega pelo fornecedor para enviar aos três municípios. Os recursos usados na ação são de fonte federal. O Ministério da Saúde reforçou aporte financeiro para o Estado e 16 municípios onde há casos da doença.

O chefe do Departamento de Vigilância Ambiental da FVS, Cristiano Fernandes, ressalta que, desde maio, as ações de combate e controle à malária se intensificaram na região do Alto Rio Negro, quando foi instalada uma Sala de Situação, coordenada pela fundação, junto com a Secretaria Municipal de Saúde de São Gabriel da Cachoeira. Ele conta que foi criada uma força tarefa, incluindo vários parceiros, como o Exército e o Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) de São Gabriel da Cachoeira.

Dentre as medidas realizadas na região, estão a contratação de pessoal pelos municípios e a capacitação e treinamento pela FVS dos técnicos da rede municipal de saúde (agentes de saúde, de endemia e de saúde indígena), para atuar na busca ativa de casos, diagnóstico e tratamento. Também foram disponibilizados insumos para algumas localidades, dentre os quais, mosquiteiros, repelentes, além de reorganizar a rede de diagnóstico de malária nos municípios. Em áreas remotas, os agentes trabalham com o teste rápido da malária e a reposição dos estoques de medicamentos.

Para o controle vetorial, foram encaminhados Veículos UVB (Ultra Baixo Volume) destinados à aplicação de inseticida nas áreas com concentração do anofelino adulto, o mosquito transmissor da malária.  “É um veículo usado no combate ao mosquito da dengue (Aedes aegypti), mas que tem se mostrado eficiente contra o anofelino, por garantir a cobertura de uma área bem maior”, justificou Cristiano Fernandes. Segundo ele, também foram enviados aos municípios termonebulizadores, usados na borrifação complementar intradomiciliar.

Falcíparum preocupa – Uma das preocupações, segundo Cristiano Fernandes, é o crescimento na região do Alto Rio Negro da malária tipo falcíparum, a forma letal da doença. São Gabriel da Cachoeira, Barcelos e Santa Isabel do Rio Negro, juntos, representam 70% dos casos de malária transmitida por falcíparum no Estado.

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